Horário de Funcionamento:
Segunda, Quinta e Sexta
15:00 / 20:00
Sábados e Domingos
11:00 / 18:00

Após uma sessão bastante participada sobre Fernando Lopes-Graça, no domingo, 27 de Fevereiro às 15h30, é o último dia da Oficina Músicas com História(s). Desta vez Manuel Videira pediu aos participantes para trazerem uma música com uma história das suas vidas.

No dia seguinte, segunda-feira, 28 de Fevereiro há duas sessões. Às 18h30 continua a leitura do capítulo «A omnipotência do sonho» de A Paleta e o Mundo por Paulo Andringa e Nuno Leão. Mais tarde, pelas 21h30, projectamos o filme, inserido no Ciclo Cinema e Pintura, O sol do marmeleiro (1992, 133 min.) de Victor Erice. Quem apresenta é Gabriel Bonito.

Na passada terça-feira foi apresentada uma nova edição de Mário Dionísio: [Érico Veríssimo] Um romancista brasileiro, a sua segunda dissertação de licenciatura em 1939, até agora inédita. A primeira, em 1938, tinha sido sobre a «Ode Marítima» de Álvaro de Campos, quando Fernando Pessoa não tinha entrada na Faculdade de Letras… e Mário Dionísio ficou reprovado…
Uma edição do CLEPUL – Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, com o apoio da Fundação para a Ciência e Desenvolvimento e com colaboração da Casa da Achada – Centro Mário Dionísio. O livro conta com apresentação, edição e revisão de Vania Pinheiro Chaves e com uma introdução de João Marques Lopes.
A sessão contou com a presença de Vania Pinheiro Chaves, João Marques Lopes e Eduarda Dionísio.
«…Esta tese insere-se na atmosfera literário-intelectual que acabámos de descrever e parece-nos relevante por três razões: Primo: provavelmente, foi durante décadas o trabalho português que mais aprofundou o tema do posteriormente chamado romance brasileiro de 30, sobretudo na sua feição de denúncia social regionalista. Secundo: desenvolveu a superação de certos binómios e equações para marcar a abertura de uma nova posição no campo intelectual de então. Tértio: abordou os romances de Érico Veríssimo com uma invulgar profundidade em questões de ordem narratológica e “sociológica”…»
João Marques Lopes
A edição encontra-se à venda na Casa da Achada – Centro Mário Dionísio por 10€.
Na sexta-feira e no sábado vão acontecer duas sessões relacionadas com Mário Dionísio, uma sobre um livro e outra sobre um amigo.
No dia 25 de Fevereiro, às 18h, Eugénia Leal vem falar-nos – em mais uma sessão de Mário Dionísio, escritor – sobre A morte é para os outros, último livro de contos de Mário Dionísio publicado em 1988.

No sábado, 26 de Fevereiro, às 16h, acontece a 2ª sessão de Amigos de Mário Dionísio. Vamos conversar e ouvir Fernando Lopes-Graça numa sessão organizada pelo musicólogo Manuel Deniz Silva.

No domingo voltamos às actividades organizadas pela Casa da Achada – Centro Mário Dionísio. Manuel Videira continua a Oficina Músicas com História(s), o assunto da próxima sessão é «Paixão e género» e vamos ver por que caminhos, músicas e conversas esse tema nos vai levar.

Na segunda-feira, 21 de Fevereiro, às 18h30 começa a leitura de mais um capítulo de A Paleta e o Mundo de Mário Dionísio. Vamos na 5ª parte da obra e é Paulo Andringa que lê «Recusa e intervenção» («A omnipotência do sonho»). Mais tarde, pelas 21h30, há mais uma sessão do ciclo Cinema e Pintura: projectamos L’hypothèse du tableau volé (1979, 66 min.) de Raoul Riz. Quem apresenta é João Pedro Bénard.

Na terça-feira a Casa da Achada abre às 18h30 para receber o lançamento de Érico Veríssimo – um romancista brasileiro, a dissertação de licenciatura de Mário Dionísio em 1939. Uma edição do CLEPUL e do Centro Mário Dionísio que será apresentada por Vania Chaves, João Marques Lopes e Eduarda Dionísio.

No dia 19 de Fevereiro, sábado, às 15h a UNIPOP e a revista imprópria organizam uma mesa-redonda que tem como tema «Dos motins às revoluções e vice-versa».
Vão ser mais uns dias preenchidos de actividades na Casa da Achada – Centro Mário Dionísio.
No sábado às 16h, na 6ª sessão de Itinerários recebemos Rui Canário para uma conversa sobre o seu percurso de vida pouco vulgar. Como se pode chegar à Faculdade de Letras para estudar História. Como se luta contra a ditadura fora dos grandes partidos. O que foi o serviço militar. O que foi ser professor do ensino preparatório e sindicalista depois do 25 de Abril. Das organizações ao trabalho «solto». Como se descobrem as «ciências da educação» e o que se pode fazer delas. Como se chega à pintura. Haverá também uma pequena exposição de pinturas de Rui Canário.

No dia seguinte à tarde, domingo 13 de Fevereiro, das 15h30 às 17h30, Manuel Videira continua a Oficina Música com História(s). Depois de se ter passado por José Afonso, por Charlie Haden, pelo canto gregoriano, por canções de escravos hebreus e pelos Deolinda, vamos ver o que Manuel Videira nos traz para esta sessão.

Na segunda-feira, 14 de Fevereiro, às 18h30 continua a leitura, com projecção de imagens, de A Paleta e o Mundo de Mário Dionísio. Estamos já na 5ª parte da obra, no capítulo «A paz a preto e branco», lido por Cláudia Oliveira e Levina Valentim. À noite, pelas 21h30, projectamos o filme Goya em Bordéus de Carlos Saura (1999, 107 min.), inserido no Ciclo Cinema e Cultura. Quem apresenta é Eugénio Castro Caldas.

Há ainda uma sessão no sábado à noite, a partir das 21h30, «O caso Battisti é o caso de todos nós» organizado pelo Grupo de Intervenção nas Prisões. Participam João Bernardo que falará do caso de Cesare Battisti, Rui Mendes que recordará o caso de Mumia Abu-Jamal e António Pedro Dores que falará sobre a situação das prisões portuguesas. Seguir-se-á um debate. Antes e depois das intervenções haverá um concerto com Amélia Muge, José Mário Branco, Pedro & Diana e Coro da Achada.
Na quinta-feira, 10 de Fevereiro, pelas 18h há mais uma sessão dos Livros das nossas vidas. Desta vez é Joaquim Beja que nos vem falar de A Peste de Albert Camus.

Na sexta-feira acontecem duas sessões sobre Luiz Pacheco propostas e organizadas por Tânia Pinto. Às 19h há a leitura de «A Comunidade» por Isabel da Nóbrega. Mais tarde, às 21h30, é a vez de uma tertúlia sobre a vida e a obra de Luiz Pacheco com alguns convidados. Por curiosidade, fica aqui um texto de Luiz Pacheco sobre Mário Dionísio.
O passado sábado, 5 de Fevereiro, foi um dia cheio cá na Casa da Achada – Centro Mário Dionísio.
Começou logo na hora de abertura, às 11h, com uma visita-guiada por Eduarda Dionísio à exposição «50 anos de pintura e desenho – 2» a um grupo de visitantes do Atrium – Grupo Cultural.
Às 15h houve um encontro dos participantes de vários grupos de leitura com escritores e pessoas «zangadas com a leitura» na sequência da Leitura Furiosa de 2010. Miguel Castro Caldas com as crianças da Escola nº 10 do Castelo, Filomena Marona Beja com as utentes Centro Social da Sé e Raul Malaquias Marques com as crianças da Escola nº 75 da Madalena. Houve trocas de ideias e impressões, leituras e histórias. No fim as crianças da Escola do Castelo cantaram três canções de poemas de Mário Dionísio. Seguiu-se um pequeno lanche.
Ao final da tarde, pelas 17h30, aconteceu a 2ª parte do debate «Para que serve o canto popular», proposto pela Lega di Cultura di Piadena aos participantes da sua festa anual. O Coro da Achada vai participar, como no ano passado, na festa que acontecerá no final de Março. Nesta sessão convidámos para se juntar a nós o músico Carlos Guerreiro.
No domingo começou a Oficina Músicas com História(s) com Manuel Videira. Começando com «Grândola, Vila Morena» de José Afonso, passando por Charlie Haden, canto gregoriano, canções de escravos hebreus, terminou discutindo-se «Que parva que eu sou» dos Deolinda. Muito se conversou sobre música e outras coisas que apareceram pelo caminho. No próximo domingo, às 15h30, continua a oficina aberta a toda a gente com mais de 14 anos.
Vão acontecer coisas variadas de sábado a segunda-feira na Casa da Achada – Centro Mário Dionísio.
No sábado, 5 de Fevereiro, às 17h30, continua o debate «Para que serve o canto popular» proposto pela Lega di Cultura di Piadena aos participantes da sua festa anual. Como no ano passado, o Coro da Achada irá participar na festa de 2011 que se vai realizar no final de Março. Para continuar o debate que começou no passado dia de 15 de Janeiro, convidámos para se juntar a nós o músico Carlos Guerreiro, que desde 1974 tem participado em vários trabalhos de recolha de música portuguesa.
No domingo, das 15h30 às 17h30, começa uma nova oficina: Músicas com História(s). Manuel Videira mostra músicas – ditas clássicas e ditas menos clássicas – para se ouvir e conversar. Para toda a gente a partir dos 14 anos.

Na segunda-feira, 7 de Fevereiro, inicia-se a leitura, com comentários e projecção de imagens, de um novo capítulo de A Paleta e o Mundo de Mário Dionísio. Cláudia Oliveira e Levina Valentim começam, às 18h30, a leitura de «A paz a preto e branco» da 5ª parte da obra. Às 21h30 projectamos mais um filme do Ciclo Cinema e Pintura: Cinco mulheres à volta de Utamaro (1946, 106 min.) de Kenzo Mizoguchi. Quem apresenta é Seixas Santos.

Nos últimos dias de Janeiro termina a Oficina de Encadernação e continuam o Ciclo A Paleta e o Mundo e o Ciclo Cinema e Pintura.


No domingo há a última sessão da Oficina de Encadernação orientada por Sónia Gabriel e Pedro Oliveira. A oficina encontra-se lotada.
Na segunda-feira 31 de Janeiro às 18h30, Miguel Castro Caldas continua a leitura do capítulo «Enquanto os canhões troam» da obra A Paleta e o Mundo de Mário Dionísio. À noite, às 21h30, projectamos o filme Decameron (1971, 112 min.) de Pier Paolo Pasolini. Quem apresenta é António Rodrigues.
A entrada em todas as actividades na Casa da Achada – Centro Mário Dionísio é livre.
A próxima semana na Casa da Achada – Centro Mário Dionísio será uma semana preenchida.
No domingo continua a Oficina de Encadernação orientada por Sónia Gabriel e Pedro Oliveira. A oficina encontra-se lotada.


No dia seguinte, segunda-feira 24 de Janeiro, acontecem dois ciclos: às 18h30 continua o Ciclo A Paleta e o Mundo, dedicado à leitura – com projecção de imagens das obras citadas – de A Paleta e o Mundo de Mário Dionísio. Carla Mota termina a leitura do capítulo «Abstrair» e Nuno Leão inicia a leitura de «Enquanto os canhões troam». À noite projectamos mais um filme inserido no Ciclo Cinema e Pintura, F for Fake (1974, 80 min.) de Orson Welles. Quem apresenta o filme é João Pedro Bénard.

Na terça-feira há a última sessão do ciclo de documentários As Cidades e a Construção Informal organizado pelo CIES. Serão projectados Op Bêlo de João Ramos de Almeida (às 18h30) e Dia de Festa de Toni Venturi e Paulo Georgieff (às 21h30). Na quinta-feira, 27 de Janeiro às 21h, O Beco propõe um debate sobre A Crise e a Crítica do Valor.
Fica aqui também a ligação para uma reportagem feita pelas Boas Notícias sobre a Casa da Achada – Centro Mário Dionísio: «Casa da Achada: a cultura é para todos».

Seguiu-se a projecção do filme A Terra Treme, onde aparece a participação do Coro da Achada na Greve Geral. Depois da sua projecção, gerou-se um amplo debate, que teve de ser interrompido pois já estava na hora da próxima conversa. Em cima da mesa estava a questão «Para que serve o canto popular» – o tema deste ano da festa da Lega di Cultura di Piadena, que se realiza em Março e em que participará o Coro da Achada. O debate foi animado e ficou a sensação de que muito ainda ficou por dizer. Provavelmente, portanto, continuaremos este debate nos próximos meses.
Nos próximos dois dias, segunda e terça-feira, há três ciclos diferentes. Enquanto que na 2ª feira o cinema e a pintura se ligam, na 3ª feira o CIES apresenta-nos dois documentários.



15 de Janeiro é um dia especial na Casa da Achada. Às 15h acontece a 1ª reunião dos Amigos da Achada. Depois, a partir das 17h, há duas actividades ligadas: primeiro a projecção do vídeo A Terra Treme sobre a participação do Coro da Achada na Greve Geral, depois dá-se o início do debate «Para que serve o canto popular?», tema da festa anual da Lega di Cultura di Piadena onde o Coro da Achada vai participar.

8.ª sessão de uma série com periodicidade mensal, a partir de livros referidos num depoimento de Mário Dionísio sobre «Os livros da minha vida».
Mário de Carvalho fala de A Condição Humana de André Malraux.
Os próximos dias na Casa da Achada serão bem preenchidos.

No domingo acontece a 1ª sessão da Oficina de Encadernação orientada por Sónia Gabriel e Pedro Oliveira. A oficina encontra-se lotada.

Na segunda-feira, 10 de Janeiro, às 18h30 prossegue a leitura de A Paleta e o Mundo de Mário Dionísio. Marta Caldas e Pedro Soares terminam a leitura do capítulo «Analisar, reconstruir» e Carla Mota irá iniciar a leitura de «Abstrair». Pelas 21h30 projectamos o segundo filme do ciclo Cinema e Pintura: Paixão de Jean-Luc Godard (1982, 88 min.). Seixas Santos apresenta o filme.
Mas ainda há mais para fazer nestes próximos dias. No sábado, 8 de Janeiro, às 15h a UNIPOP organiza uma mesa-redonda com o tema «O Espectro da Anarquia». No domingo, às 17h30 há a apresentação do livro Contos da Biodiversidade proposta pela Quercus. Na terça-feira, 11 de Janeiro, continua o Ciclo de Documentários As Cidades e a Construção Informal organizado pelo CIES: Paredes Meias de Pedro Mesquita (às 18h30) e Operações SAAL de João Dias (às 21h30).
Em Janeiro há coisas que continuam e outras que começam.
Amanhã, 2ª feira, 3 de Janeiro, continua o ciclo A Paleta e o Mundo. Marta Caldas lê o capítulo «Analisar, reconstruir», do livro A Paleta e o Mundo de Mário Dionísio, às 18h30. À noite, pelas 21h30, inicia o novo ciclo de cinema: Cinema e Pintura. Começamos com o filme A vida apaixonada de van Gogh de Vicente Minelli (1956, 122 min.). Quem apresenta é João Rodrigues.
Há relações estreitas entre Cinema e Pintura, mesmo que não pensemos muito nelas. Fazer um quadro e fazer um plano têm coisas em comum.
E, além disso, muitos filmes (e muito variados) pegam no pintar, em pintores, em pinturas – no seu fabrico, na sua circulação e utilização – como assunto.
Era impossível na Casa da Achada – Centro Mário Dionísio não se organizar um ciclo sobre Cinema e Pintura, quando Mário Dionísio foi pintor, escreveu sobre pintura e viu muito cinema, quando a sala onde se projectam os filmes está cobertura de pinturas, quando todas as semanas há no mesmo espaço sessões de leitura de A Paleta e o Mundo, obra muito extensa sobre pintura, escrita por Mário Dionísio.
Neste primeiro ciclo (haverá outros) apresentaremos apenas filmes (e poderiam ser outros) com narração e ficção, feitas das mais diversas maneiras, ao longo de meio século, uns com a pintura (e os pintores) muito à vista e outros menos. Para mais tarde ficarão os documentários.
Por acaso ou talvez não, começamos com van Gogh e terminaremos com ele, filmado mais de trinta anos depois e noutras terras. Van Gogh que Mário Dionísio descobriu nos anos 40 e sobre o qual muito escreveu.
Como sempre todos os filmes são apresentados e é distribuída uma folha de sala.
Programa:
Segunda-feira, 3 de Janeiro às 21h30
A vida apaixonada de van Gogh
de Vicente Minelli (1956, 122 min.)
Segunda-feira, 10 de Janeiro às 21h30
Paixão
de Jean-Luc Godard (1982, 88 min.)
Segunda-feira, 17 de Janeiro às 21h30
Andrei Rublev
de Andrei Tarkovski (1966, 165 min.)
Segunda-feira, 24 de Janeiro às 21h30
F for fake
de Orson Welles (Verdades e mentiras, 1974, 80 min.)
Segunda-feira, 31 de Janeiro às 21h30
Decameron
de Pier Paolo Pasolini (1974, 80 min.)
Segunda-feira, 7 de Fevereiro às 21h30
Cinco mulheres à volta de Utamaro
de Kenzo Mizoguchi (1946, 106 min.)
Segunda-feira, 14 de Fevereiro às 21h30
Goya
de Carlos Saura (1999, 107 min.)
Segunda-feira, 21 de Fevereiro às 21h30
L’hypothèse du tableau volé
de Raoul Riz (1979, 66 min.)
Segunda-feira, 28 de Fevereiro às 21h30
O sol do marmeleiro
de Victor Erice (1992, 133 min.)
Segunda-feira, 7 de Março às 21h30
A bela impertinente
de Jacques Rivette (1991, 236 min.)
Segunda-feira, 14 de Março às 21h30
O vagabundo de Montparnasse
de Jacques Becker (1958, 108 min.)
Segunda-feira, 21 de Março às 21h30
Moulin Rouge
de John Huston (1952, 119 min.)
Segunda-feira, 28 de Março às 21h30
Life Lessons
de Martin Scorsese (episódio de Histórias de Nova Iorque, 1989, 45 min.)
Corvos
de Akira Kurosawa (episódio de Sonhos, 1989, 10 min.)
Domingos, 9, 16, 23 e 30 de Janeiro das 15h30 às 17h30
Desta vez, para maiores de 15 anos. Gente mais nova só se acompanhada por um adulto.
Como quase sempre, para um máximo de 10 participantes. E vai ser necessária inscrição até 3 dias antes. Que os materiais são mais exigentes do que é costume.
Orientada por Sónia Gabriel e Pedro Oliveira.
Inscrições: casadaachada@centromariodionisio.org ou 218877090.
No passado dia 27 de Dezembro morreu, aos 95 anos, Maria Letícia Clemente da Silva, companheira de toda a vida de Mário Dionísio.
Maria Letícia nasceu em 12 de Setembro de 1915, em Beja. Ainda criança, mudou-se com a família para Lisboa, onde sempre viveu. Na Semana de Abertura da Casa da Achada – Centro Mário Dionísio, Eduarda Dionísio contou-nos esta história:
«Era uma vez um miúdo, nascido no século XIX, de «mãe incógnita» segundo ouvi dizer, criado na Casa Pia, depois ferroviário, republicano e maçon (o que só soube depois da sua morte), que tirou o curso de Direito enquanto a filha fazia o liceu no Camões (uma das poucas raparigas que por lá andaram ao mesmo tempo que Álvaro Cunhal, nos anos 20 do século XX). A mulher desse ferroviário tinha o curso do magistério primário (tirado nos anos 10 do mesmo século), mas nunca teve profissão porque se casou com ele. Aplicou os saberes a preparar a filha para tirar a 4ª classe, a fazer fotografia em casa e na economia doméstica. Mal contada, esta é a história da pequena ascensão dos pais de Maria Letícia.»
Para além de ter concluído o Curso Superior de Piano do Conservatório Nacional, tendo sido aluna de música de Oliva Guerra e Francine Benoît, Maria Letícia terminou em 1937 o curso de Filologia Clássica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde conheceu Mário Dionísio, com quem casou em 1940. Fez o estágio do ensino liceal em Lisboa, no Liceu Pedro Nunes, e foi professora de Português e de Latim no Liceu de Santarém, no Liceu Camões, no Liceu D. Filipa de Lencastre e no Liceu Rainha D. Leonor. Deu também aulas particulares.
Em 1947, foi afastada do ensino durante oito anos (até 1955) pelo regime salazarista «por razões de ordem política», nunca explicadas. Julga-se que por ter assinado as listas para a constituição do MUD (Movimento de Unidade Democrática) em 1945.
Também em 1945, depois do fim da guerra, altura em que nasceu uma nova esperança de mudança política em Portugal – que como sabemos não se veio a verificar… –, Maria Letícia fez parte do numeroso grupo de mulheres que aderiu ao Conselho Nacional de Mulheres Portuguesas, encerrado pelo Estado Novo em 1947. Pertenceu também à Associação Feminina Portuguesa para a Paz, de que foi Presidente, Vice-Presidente e Secretária da Assembleia Geral, entre 1945 e 1951, quando a associação foi encerrada pelo Estado Novo.
Maria Letícia Clemente da Silva e Maria Emília Coutinho Diniz foram colaboradoras de A Capital (de Março de 1968 a Julho de 1969) com o pseudónimo de Dinis da Silva, uma vez que os professores do ensino oficial só podiam nesta época escrever nos jornais sobre ensino depois de superiormente autorizados. Manteve com este pseudónimo a secção «Consultório Escolar».
Maria Letícia dedicou também muito do seu tempo à tradução, tendo traduzido e introduzido várias obras e apoiado o trabalho de outros tradutores. Foi ainda autora, com Eduarda Dionísio, de livros escolares para o ensino do Português, publicados entre 1972 e 1975 e adoptados pelas escolas durante alguns anos.
O espólio de Maria Letícia Clemente da Silva, ainda não estudado, que inclui a sua biblioteca (a mesma de Mário Dionísio), está disponível ao público no Centro de Documentação do Centro Mário Dionísio desde a abertura da Casa da Achada.
Não é demais repetir que sem a memória (rigorosa e crítica) e o trabalho de Maria Letícia – que começou, com Natércia Coimbra, a organização e catalogação do espólio de Mário Dionísio logo em 1994 –, sem as suas economias – que foram suficientes para adquirir o prédio em que se instalou a Casa da Achada – e sem a sua vida dedicada a Mário Dionísio, à educação e ao conhecimento, e à luta por um mundo diferente, não existiria esta casa.
à Maria Letícia
chapelinho de quadrados de vagar pela rua frenética com uma fímbria de sol no laço e uma saudade solta desce um ar de natal sobre os passeios sobre as pessoas sobre os carros e um olhar sem palavras que flutua põe-se a dizer de manso antigamente sinto surpreso que há momentos em que as próprias rugas sabem bem a ao nosso lado numa alegria de cabelos soltos o passado e o futuro correm de mãos dadas
MÁRIO DIONÍSIO, O riso dissonante, 1950
No Fim de Semana Diferente, 17 a 19 de Dezembro, muita gente passou pela Casa da Achada – Centro Mário Dionísio. Foram três dias diferentes, ao contrário do que é costume, vender e comprar foi algo importante aqui – as vendas reverteram para a continuidade das actividades, sempre de entrada livre, da Casa da Achada.
Claro que existiram ainda várias actividades nestes três dias e por isso deixamos aqui várias fotografias dos acontecimentos.
Sexta-feira, 17 de Dezembro:
Tallinn: cores, imagens, sentimentos | Projecção de Baile de Outono
Sábado, 18 de Dezembro
Visita Guiada à exposição por Sílvia Chicó | Coro da Achada
Domingo, 19 de Dezembro
Oficina Prendas sou eu que as faço | Fantoches: excertos da peça Guignol de Jacques Prévert | Movimento Diplomático do Outono
Informamos que na sexta-feira, 24 de Dezembro, a Casa da Achada estará aberta ao público das 15h às 18h, estando encerrada no sábado, 25 de Dezembro.
Na segunda-feira, 27 de Dezembro, continua a programação habitual. Às 18h30 acontece a leitura, com projecção de imagens, de A Paleta e o Mundo de Mário Dionísio. Marta Caldas continua a leitura do capítulo «Analisar, reconstruir». Às 21h30 projectamos o último filme do ciclo de cinema de realizadores de uma só longa-metragem: Déjà s’envole la fleur maigre (1960, 87min.) de Paul Meyer. Quem apresenta é Pedro Rodrigues.

Após o Fim de Semana Diferente na Casa da Achada, regressamos na segunda-feira a dois ciclos que nos têm acompanhado. Às 18h30 acontece o Ciclo A Paleta e o Mundo II com a leitura, acompanhada com a projecção de imagens das obras referidas, do livro A Paleta e o Mundo de Mário Dionísio. Fernando Nunes inicia a leitura do capítulo «Analisar, reconstruir». Mais tarde, às 21h30, a penúltima sessão do Ciclo Realizadores de uma só longa-metragem. Projectamos O Polícia na Estrada (Electra Glide in Blue, 1973, 114 min.) de James William Guercio. Fernando Nunes também apresenta o filme.
André Spencer e F. Pedro Oliveira para Casa da Achada - Centro Mário Dionísio | 2009-2020