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Arquivo para a categoria ‘Diversos’

 

Zé d’Almeida ou Zé Dalmeida

29 de Maio de 2018

Não mais oficinas de barro ou de cartoons, de papagaios que voam, de amigos em cada esquina, imaginadas e feitas por ele, aqui na Casa da Achada – Centro Mário Dionísio, sempre com vontade de ir para a rua e encontrar outras gentes. Mesmo quando já estava doente. Mas gostava e insistia, sempre que lhe era possível.

Sem falar na colaboração na Leitura Furiosa, onde as ilustrações que fez foram várias vezes em barro. Por isso, em 2013, foi ele que, precisamente em barro, imaginou, a pedido, aquilo a que se chamou o «logotipo» dessa invenção internacional e que durou uns anos.

Com a sua morte, pelo menos para alguns, o deserto aumenta de dimensões. Sobretudo para quem o conheceu e às suas invenções gráficas na Gazeta da Semana, dirigida por João Martins Pereira, e no fabrico do boletim do Sindicato dos Professores da Grande Lisboa, na segunda metade dos anos 70 – coisa esquecida, como outras.

Para ele e para nós, o humor era um trunfo. Sempre pouco preocupados com aquilo que se tem chamado o «politicamente correcto». É que quer ele quer nós queríamos mesmo que o mundo mudasse.

O Zé d’Almeida ofereceu tempo, trabalho, ideias e obras suas à Casa da Achada-Centro Mário Dionísio, porque achava que era normal que ela pudesse existir e sobreviver.

Só podemos dizer agora: obrigado (de verdade) e até sempre, é claro.

E agradecer que tenha sido escolhida esta Casa para umas tristes horas de velório, das 16h às 22h de 30 de Maio de 2018.

 

ANTÓNIO LOJA NEVES

29 de Maio de 2018

O António Loja Neves foi-se, quando julgávamos que, afinal, ele seria eterno. Enganámo-nos.

Pelo menos para alguns (que ainda existem), não para todos (e, se calhar, ainda bem), é o trágico alargar de uma espécie de deserto que se tem vindo a instalar, de várias maneiras.

António Loja Neves existiu. Existe. Queremos que seja para todo o sempre.

Fez escolhas, aprendeu muitas coisas, e gostava mesmo de passar aos outros o que aprendia e o que ia fazendo a partir do que aprendia e vivia (não se aprende sem viver), pensando nas coisas contraditórias que aprendia, e querendo fazer outras depois.

Colaborou, na medida do possível, em actividades da Casa da Achada. Apresentando filmes, mas não só. Até vimos aqui um filme seu, ainda não terminado, chamado «Silêncio», sobre a Guerra Civil de Espanha por cá.

É impossível esquecer a intervenção que fez aqui, em 2012, numa maratona de intervenções, a que chamámos «Máscaras, prisões, liberdades e cifrões» e que terminou assim:

«Bom, António – estou a dizer para mim próprio –, vieste de Setúbal a correr, em excesso de velocidade, para vir cá só dizer isto e para te ires embora a correr a seguir, perigosamente em excesso de velocidade? (estava a trabalhar em Setúbal e interrompi…). Não, eu não vim cá só para falar, vim cá porque achei que era importante estar convosco, discutir convosco, participar deste núcleo decidido, para que novas ideias se desenvolvam e possamos, ancorados neste espaço nuclear, dar a volta nestas questões todas, tão extremas para as nossas vidas e, sobretudo, para a vida dos que nos sucederão no nosso país – a que desejam retirar a bússola, roubar o norte. É importante que a gente comece a driblar os acontecimentos que os missionários insistem serem fatais, como dos dogmas, e redefinirmos que o norte é “ali”, que o nosso norte é o que indicia novas ideias, uma renovada e fraterna sociedade. E a cultura – afinal foi sempre do que falámos… de cultura! – é ferramenta essencial para tal projecto. Até eles sabem disso, por isso a agridem e a sufocam actualmente. Porque um povo culto não se deixa ludibriar!»

A grande ligação com ele veio, para alguns de nós, pelo entusiasmo que teve na fundação da Abril em Maio, em 1994. Só não foi fundador «oficial» porque os múltiplos afazeres não o deixaram chegar a tempo ao notário…

Temos uma tristeza muito grande com esta morte. É o desaparecimento de alguém que percebia o que nos move, sempre disponível para o que temos querido fazer. Nós e ele.

É um lugar-comum dizer, mas aqui e agora é muito mais do que isso: Até sempre, camarada!

 

Como foi o 25 de Abril / 25 Aprile na Casa da Achada

14 de Maio de 2018

Este ano festejámos um duplo 25 de Abril, entre Itália e Portugal. 25 de Abril em Itália também é feriado. Foi em 1945, como em Portugal em 1974, o princípio do fim de uma ditadura e de uma guerra. Em Itália, a Segunda Guerra Mundial. Juntar portugueses e italianos e contar como foi contraria o esquecimento e faz pensar.

No sábado 21 de Abril inaugurámos a exposição de fotografia O DONNA DONNA (Ó MULHER MULHER), de Giuseppe Morandi, e lançámos um DVD com o documentário de Peter Kammerer e Hans Goetze Oxenius, CONHECES ESTA TERRA?, de 1977, sobre a intervenção de associações urbanas e campesinas no norte de Itália: as suas práticas, as suas ideias, as suas canções nos finais dos anos 70 do século XX, na altura em que em Portugal se estava a sair do «PREC». Uma ideia diferente de Veneza e da Planície do Pó para quem as vê apenas como destinos turísticos.

À projecção seguiu-se uma conversa sobre o filme e as questões que pôs: o papel das associações, os instrumentos de intervenção, o conceito de cultura, o que vem a ser «mudar o mundo», o que mudou e não mudou em 40 anos. Na conversa estiveram Gianfranco Azzali (Micio) e Giuseppe Morandi, fotógrafo e autor da exposição de fotografia, ambos da Lega di Cultura de Piadena (uma das associações que é tratada no filme) e também alguns amigos da CACAV – Círculo de Animação Cultural de Alhos Vedros.

Na segunda-feira 23 de Abril ao fim da tarde, em vez da habituais leituras do ciclo «Paleta e o Mundo», Mariana Pinto dos Santos deu-nos pistas para ver a exposição de Morandi.

No dia 24 estivemos «à mesa com Peter Kammerer», autor do posfácio da última edição de MANUSCRITOS de Marx (1844). Kammerer falou-nos sobre os MANUSCRITOS, sobre a sua actualidade singular e urgente, e sobre o fio vermelho que percorre e une este livro com toda a obra de Marx.

No 25 de Abril houve uma grande festa com actuação do coro da Achada e conversa sobre o 25 de Abril português e italiano, nas vozes de cá e de lá (com Micio, Morandi, Tamino, Auretta, Kammerer, Graziella, etc.).

Nesse dia inaugurou-se também a exposição que dedicámos a Ângelo Teixeira (E ASSIM PERSPECTIVEI O SENTIDO DOS DIAS), com fotografias, cartazes, letreiros, os mais variados objectos e a edição de um livro seu de poemas, e lançámos ainda uma colecção de autocolantes ARTE E REVOLUÇÃO feitos por 25 artistas diferentes: Alain Campos, Amarante Abramovici, André Ruivo, Banlieue Banlieue, Bárbara Assis Pacheco, Beatriz Bagulho, Cristina Reis, dan, Dedo Mau, Francisca Lima, Joana Rodrigues, João Alves, João Bonito, José Smith Vargas, Marta Caldas, Marxa, Nadine Jacinto Rodrigues, PAM, Paulo Barrosa, Pedro R, Pedro Zamith, Pierre Pratt, Sara e André, Sónia Gabriel e Tinta Crua.

A terminar a semana, no dia 29 de Abril, projectámos o documentário NÓS, OPERÁRIAS DA SOGANTAL de Nadejda Tilhou e conversámos sobre o que mudou na vida das mulheres depois do 25 de Abril…

 

25 Aprile / 25 de Abril

23 de Abril de 2018

André Spencer e F. Pedro Oliveira para Casa da Achada - Centro Mário Dionísio | 2009-2017