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Sete e sete são catorze

14.º aniversário da Casa da Achada – Centro Mário Dionísio

Foram quatro dias de aniversário, entre 29 de Setembro e 2 de Outubro.

Tinha de ser, era preciso dedicá-los a Eduarda Dionísio, fundadora da Casa e impulsionadora principal do Centro Mário Dionísio, este arquivo vivo que uma associação cultural sem fins lucrativos põe em relação com o mundo e a sociedade de hoje. Preservando para divulgar, divulgando para dar a conhecer, dando a conhecer para estimular curiosidades, reflexões, estudos, acções. Um projecto de memória viva que ela pôs em movimento.

Claro que não era ocasião para grande festa. A tristeza imensa da morte de Eduarda Dionísio, em Maio passado, passou por aqui. Mas passou também uma quantidade enorme de amigos e amigas, de gente curiosa, de pessoas que quiseram ver uma nova exposição dedicada à Eduarda ou que quiseram homenageá-la em palavras e acções, ou simplesmente com a sua presença. Alguns amigos vieram de longe, de França, de Itália, do Porto, do Algarve… Para fazer tudo isto e dar força à Casa da Achada. Muitos novos amigos se fizeram. Estiveram à venda edições do Centro, mas também se venderam muitos livros da Eduarda que aqui tínhamos (e alguns ainda temos).

Na sexta 29, às 18h30, passaram-se dois filmes: um discurso inspirador de Eduarda Dionísio na abertura da Casa da Achada, em 2009 (sim, já passaram 14 anos!), em que ela conta como só foi possível pôr esta casa de pé com o trabalho de muitas pessoas e com a criação de condições para o seu arranque («Vamos vendo. Uma coisa assim depende de tanta, tanta coisa»); e, depois, um filme muito recente de estudantes de cinema, com realização de Nuno Cintra, com uma visão deles do que é hoje a Casa da Achada. Um filme dedicado também a Eduarda Dionísio. Antes dos filmes, Pedro Rodrigues e Rubina Oliveira falaram do sentido desta Casa e da programação deste aniversário. No fim dos filmes, houve tempo para beber um copo de moscatel e comer uma fatia de bolo que a Susana Baeta fez, tudo ao som de Jacinto Lucas Pires, que trouxe uma canção especial para a Eduarda.

No sábado, depois de um almoço calmo com vários amigos vindos de fora, muita gente passou por cá à tarde para a inauguração da exposição Eduarda Dionísio – materiais do arquivo Mário Dionísio – Maria Letícia, uma exposição feita com documentos existentes no arquivo, incluindo fotografias, livros, pinturas, gravuras, artes gráficas, textos e cartas, jornais e revistas em que a Eduarda escreveu. Exposição feita com pouco tempo e grande empenho de um colectivo formado para a ocasião.

A exposição foi apresentada por Diana Dionísio, e depois falaram alguns dos participantes na elaboração e montagem da exposição, entre os quais Cristina Reis, amiga de sempre de Eduarda Dionísio, que teve um papel importante na sua concepção e realização. Depois foi a vez de Catherine Dumas e Adelino Gomes falarem de Eduarda Dionísio e do que viram nesta exposição. Coisas que sabiam, mas também coisas que desconheciam e descobriram aqui. Intervenções quentes, de gente que não escondeu a sua admiração pela amiga, a escritora, a professora, a pintora, a amadora das artes gráficas, a fazedora, a crítica, a actriz, a dramaturga, a dinamizadora de projectos de intervenção cultural invulgares. Eduarda!

Ao fim da tarde apresentou-se o primeiro número dos Cadernos Pequenos, uma série de livrinhos com intervenções feitas na Casa da Achada (ou noutros lugares, por iniciativa da Casa). Esteve presente Luís Bigotte Chorão (autor da sessão que deu origem ao 1.º Caderno, sobre o segundo volume de Passageiro clandestino) e outras pessoas curiosas pela vida e obra de Mário Dionísio, e por isso a conversa fluiu naturalmente no jardim interior, à volta de Mário e da sua filha Eduarda, sobretudo, mas também de Maria Letícia Clemente da Silva. Em Outubro sairá já o Cadernos Pequenos n.º 2.

No Domingo dia 1 de Outubro, de manhã, às 11h, houve uma oficina bem concorrida, com mais de uma dúzia de participantes. A proposta de Regina Guimarães era encontrar “palavras que têm palavras dentro” e inventar palavras novas. Foi bonito ver tanta animação e debate à volta das palavras. E ver palavras novas a emergir de um mar de inquietações.

Depois do almoço (quase todos os oficinantes ficaram para comer), o coro cantou, lá dentro, na Zona Pública. Meia hora de canções intercaladas com pequenos textos de Eduarda Dionísio. A festa continuou lá fora, no terreno em frente da Casa, com a apresentação do Retrato(s) duma amiga, um caderno dedicado a Eduarda Dionísio com participações de dezenas de pessoas que fizeram artes gráficas ou escreveram textos e enviaram (algumas de longe) para a Casa da Achada. E depois houve tempo para intervenções de quem quisesse. Muita gente foi ao microfone dizer de sua justiça, da “sua” Eduarda. Com pessoas a emocionarem-se, tinha de ser.

Na segunda-feira dia 2, depois da habitual leitura d’A Paleta e o Mundo (há 14 anos que prossegue), houve à noite um filme muito especial com a presença do realizador: António José Martins. Ele veio apresentar o filme que realizou para a RTP – «Grande Plano de Eduarda Dionísio», um belo filme com a Eduarda ao centro, falando de si própria, das suas ideias, interesses e fazeres, e de tudo o que até 1988 tinha feito. Uma espécie de entrevista (quase) sem perguntas, que uma sala cheia ouviu com espanto. Que espantosa, esta Eduarda!

PS:

A Diana Dionísio escreveu uns versos para agradecer tantos amigos e fazedores que tornaram este aniversário possível e lhe deram sentido. Aqui ficam:

PARABÉNS
parabéns por estes catorze a quem
por aqui tem andado, feito, passado, presente
tem sugerido, transformado, dado alento
e em especial, neste 14º aniversário:


a quem anunciou a cada um
que queríamos encontrar-nos não tarda
a quem pediu e deu contribuições
para um caderno para a Eduarda


a quem inventou um programa
com conversas e sessões
a quem telefonou e foi buscar
livros, pessoas ou limões


a quem imaginou e opinou
a quem arriscou e decidiu
a quem depois de escolher o papel
digitalizou, paginou e imprimiu


a quem escolheu documentos
para uma exposição especial
a quem caminhou desde as listas
até à arte final


a quem viu e reviu
fez passes-partouts e deu boleias
a quem pôs a mesa
ferrou as chaves e juntou ideias


a quem fez trabalho de sapa
à frente dum computador
a quem fez trabalho braçal
até escorrer suor


a quem escolheu a palavra certa
a quem mexeu muito bem a massa
a quem chegou atrasado
e substituiu quem queria ir p’ra casa


a quem transportou quadros
e re-arrumou armários
a quem por causa destes dias
baralhou os seus horários


a quem  montou bancas
fez folhas de caixa, pintou letreiros
a quem pensou em quantidades
com as qualidades sempre primeiro


a quem veio de longe
a quem veio do quintal
a quem não pôde vir
mas enviou um sinal


a quem segurou escadotes
e a quem a eles trepou
a quem arrancou camarões
a quem os buracos tapou


a quem procurou legendas
no mundo dos envelopes
a quem teve pachorra
até à fase dos retoques


a quem prendeu a anoneira com fio
para que os ramos não se partissem
e os seus frutos não chorassem
como numa fábula de Da Vinci


a quem fez camas e aspirou o chão
lavou cozinhas e casas-de-banho
a quem abriu abraços aos nossos
amigos fora do rebanho


a quem amassou, cortou ou transportou
bolos de amêndoa, bolinhas de alheira
a quem encomendou, gelou ou serviu
cerveja e vinho, gelo e groselha


a quem lavou a loiça
a quem fez os cartazes
a quem provou que de falar com outros
todos somos capazes


a quem girou chaves e manivelas
para abrir grades e guarda-sóis
a quem encheu o espaço com palavras
e o tempo com sustenidos bemóis


a quem registou Amigos
ou vendeu livros ao balcão
a quem arrastou as sombras
pra evitar uma insolação


a quem pôs ilhozes na lona
que p’ra pendurar precisou de anilhas
ou foi buscar molas para pendurar panos
é preciso criar os dias


a quem esteve na sexta
sala cheia de coração
a quem encheu no sábado
apesar da manif da habitação


a quem fez todo aquele domingo
com cantos, comidas e tempo para dizer  
a quem esteve na segunda-feira
porque quer mesmo saber


a quem fotografou e filmou
a quem deu uma mão não programada
a quem voltou a arrumar as cadeiras
e apanhou as beatas da Rua da Achada


a quem contou as entradas
e fez conta das saídas
a quem desentupiu o ralo
e cuidou das despedidas


a quem depois destes dias
que nos deram novas pistas
quer ver se faz sentido fazer
a Casa da Achada nesta terra de turistas

4 comentários a “Sete e sete são catorze”

  1. Regina diz:

    Deve ter sido um momento muito bonito. Ainda bem e que perdure no tempo estas oportunidades. Estou longe nas Ilhas … mas gostaria de estar presente. Vamos continuar….

  2. Leonor Baeta Neves diz:

    Acompanho a Casa da Achada desde o seu início. Sou amiga da Eduarda desde a sua adolescência, e considero que o trabalho feito na Casa da Achada é um modelo de como deve ser feito um trabalho colectivo. Queria muito ter participado neste «sete e sete são catorze» mas não tenho andado bem, e com imensa pena não consegui ir. De qualquer modo quero muito ajudar naquilo que puder, porque o trabalho que aí fazem é extremamente completo, música, exposições, palestras, teatro, até cinema, todos ou quase todos os campos artísticos e culturais são cultivados na Casa da Achada. PARABÉNS!

  3. João Baeta Neves diz:

    Faço minhas as palavras da minha mãe. Sempre que possível contem comigo e com uma “mão” amiga. Parece o fim da música das” Mãos” da Regina que o nosso coro canta mas neste caso contem comigo para as duas mãos. Tem sido feito e continua a fazer-se um trabalho formidável a todos os níveis culturalmente e artísticamente desde a sua fundação.Tenho muito bons amigos quer no coro quer no teatro. (s os meus quase únicos amigos). Dou-me bem com tod@s eles e também com a “Equipa” da Casa da Achada. Conheci a Eduarda e conheço a Diana há 14 anos. A minha relação foi sempre muito boa com a Eduarda e ainda é no caso da Diana. Admirava imenso a Eduarda pela sua simpatia e o seu humor caustico e continuo a admirar a simpatia da Diana e o seu sentido de humor (diferente da sua mãe). Marcou-me muito desde o início e gostava muito da presença dela. A Diana Dionísio continua a marcar-me muito e também gosto muito da presença dela. As duas ajudaram-me muito desde o início. Os dois “Pedros” (Rodrigues e Oliveira) continuo a ser bastante amigo e gosto muito da presença deles.

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André Spencer e F. Pedro Oliveira para Casa da Achada - Centro Mário Dionísio | 2009-2020