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Arquivo para a categoria ‘Diversos’

 

Vamos cantar as Janeiras!

11 de Janeiro de 2016

No passado dia 6 de Janeiro, o coro da Achada, que costuma ensaiar às quartas-feiras à noite, andou pelas ruas do bairro a cantar as Janeiras. O percurso foi vivo, gente se foi juntando, várias garrafas de vinho foram oferecidas à malta, passámos um pouco mais de tempo nas associações Grupo Gente Nova e na Renovar a Mouraria. Que em 2016 nos continuemos a juntar e a cantar por esses quintais adentro, para que caia o Rei-Milhão, nem que chovam picaretas!

Já nos cansa esta lonjura
Já nos cansa esta lonjura
Só se lembra dos caminhos velhos
Quem anda à noite à ventura

 

Em Janeiro: Ciclo Conflito e unidade da arte contemporânea

4 de Janeiro de 2016

Para começar o ano, e ao longo de três meses, vamos voltar a ler a conferência Conflito e unidade da arte contemporânea de Mário Dionísio e partir dela para uma série de sessões, conversas, oficinas, um ciclo de cinema que mostra rupturas… Venham ouvir, ver, fazer, falar, participar.

Aqui vos deixamos o programa para Janeiro.

A arte do nosso tempo não é apenas um problema dos artistas, mas de toda a sociedade.
Terreno de conflito, de incompreensão, de luta incessante,
mas também de encontros, descobertas e novas unidades.
A arte e os modos de a produzir, receber e pensar
não estão desligados das questões que mais profundamente nos preocupam hoje,
num mundo violento, complexo e dividido.

Em 1957 Mário Dionísio escreveu o ensaio Conflito e unidade da arte contemporânea
e disse-o em voz alta numa conferência marcante, profunda e polémica.

A Casa da Achada reeditou há pouco o texto desta conferência,
escrita ao mesmo tempo que Mário Dionísio
lançava o seu grande ensaio sobre arte e sociedade,
A paleta e o mundo.

Decidimos dedicar estes três meses àquele ensaio tão rico, tão profícuo e tão actual
que nos desafia também hoje a reflectir sobre as sociedades e as sensibilidades humanas.
Para pensar a arte contemporânea não como uma questão de especialistas
mas como qualquer coisa que nos diz respeito,
afecta, perturba, interroga, inquieta e desperta.

Para entender as cores com que se pinta o mundo de hoje. E para o transformar.

«…só o que se espera ardentemente nos chama, sobretudo nas épocas de perplexidade, onde a força da desilusão e do desencanto não é comparável senão à da expectativa renovada de que não sabemos desistir.»

Mário Dionísio, Conflito e unidade da arte contemporânea

Ciclo CUAC - Janeiro final

 

Nova circular do Congresso Internacional Mário Dionísio

21 de Dezembro de 2015

Congresso Internacional Mário Dionísio
no centenário do seu nascimento
27-30 de Outubro de 2016

“Como uma pedra no silêncio…”

O Projecto Sinestesia do Centro de Estudos Comparatistas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, em colaboração com a Casa da Achada-Centro Mário Dionísio, o Museu do Neo-Realismo e a Associação Promotora do Museu do Neo-Realismo, vai levar a efeito um Congresso Internacional sobre a vida e a obra de Mário Dionísio, de 27 a 30 de Outubro de 2016.

Os que se têm dedicado ao estudo da sua intervenção literária, artística, pedagógica e política, e aqueles que desejem pela primeira vez abordar este estudo, são convidados a apresentar trabalhos neste encontro. Os interessados deverão enviar uma proposta de comunicação (resumo de 10 a 15 linhas), acompanhada de um breve curriculum vitae (máximo 1 página), até ao dia 31 de Janeiro de 2016 [o prazo foi prolongado até 29 de Fevereiro de 2016], para o endereço do Centro de Estudos Comparatistas: cec@letras.ulisboa.pt. As propostas serão apreciadas pela Comissão Organizadora e os resultados divulgados até 31 de Março de 2016.

Inscrições: 30 euros; 15 euros para estudantes. Línguas do Congresso: Português, Francês, Inglês.

A Comissão Organizadora encoraja comunicações sobre as diversas áreas do conhecimento abordadas por Mário Dionísio durante a sua vida e na sua obra, com especial destaque para as que articulem alguns desses aspectos entre si:

1. vida e intervenção (actividade crítica, colaboração em jornais, intervenção política, relação com grupos e movimentos do seu tempo, neo-realismo…)
2. literatura (poesia, conto, romance, ensaio, crítica literária, neo-realismo…)
3. pintura (obra pictórica, relações entre as artes…)
4. pensamento sobre as artes (ensaios, crítica de arte…)
5. ensino e pedagogia (percurso, actuação pública na orientação do ensino após o 25 de Abril, textos sobre pedagogia…)

Tendo em vista os leitores em geral e os objectivos deste congresso em particular, a Casa da Achada-Centro Mário Dionísio acaba de editar Para uma bibliografia de Mário Dionísio, uma recolha bibliográfica actualizada e exaustiva, com materiais do seu arquivo. Esta edição está disponível para venda na Casa da Achada-Centro Mário Dionísio e está on-line no sítio aqui.

Comissão organizadora:
Kelly Basílio (Centro de Estudos Comparatistas-Universidade de Lisboa); Paula Mendes Coelho (Centro de Estudos Comparatistas-Universidade Aberta); Diana Dionísio, Pedro Rodrigues (Casa da Achada-Centro Mário Dionísio); António Pedro Pita (Museu do Neo-Realismo-Universidade de Coimbra); António Mota Redol (Associação Promotora do Museu do Neo-Realismo); Maria Alzira Seixo (Centro de Estudos Comparatistas-Universidade de Lisboa).

Coordenação científica:
Kelly Basílio (Presidente)
Paula Mendes Coelho (Vice-presidente)

Comissão de honra:
Arnaldo Saraiva (Univ. Porto); Carlos Mendes de Sousa (Univ. Minho); Carlos Reis (Univ. Coimbra); Catherine Dumas (Univ. Sorbonne-Paris III); Daniel-Henri Pageaux (Univ. Sorbonne- Paris IV) ; David Santos (Historiador de Arte); Eduardo Lourenço (F. Gulbenkian); Gastão Cruz (Escritor); Ida Ferreira Alves (Univ. Federal Fluminense, Niterói); Isabel Pires de Lima (Univ. Porto); João Dionísio (Univ. Lisboa); Jorge Silva Melo (Actor); José Alberto Machado (Univ. Évora); José Carlos de Vasconcelos (Escritor); José Carlos Seabra Pereira (Univ. Coimbra); José Jorge Letria (Escritor); José Manuel Esteves (Univ. Paris-Nanterre); José Manuel Mendes (Escritor); Júlio Pomar (Pintor); Liberto Cruz (Escritor); Manuel Gusmão (Univ. Lisboa); Margarida Acciaiuoli, (Univ. Nova de Lisboa); Maria João Brilhante (Univ. Lisboa); Mário Cláudio (Escritor); Nuno Júdice (Escritor); Osvaldo Silvestre (Univ. Coimbra); Rui Canário (Univ. Lisboa); Sílvia Chicó (Univ. Lisboa); Vítor Serrão (Univ. Lisboa).

 

JÁ NÃO HÁ PAPEL!

7 de Dezembro de 2015

Já não há papel-

Venham ver e conviver, ouvir e conversar, participar e ajudar a existência por mais um ano da Casa da Achada – Centro Mário Dionísio. E levar prendas para as festas… O programa completo está mais abaixo.

É um fim-de-semana grande na Casa da Achada, com actividades, sessões públicas e vendas. Há descontos especiais nas nossas edições, obras de arte à venda com preços simpáticos e o sorteio de um quadro para nos ajudar a restaurar um outro.

O fim-de-semana inclui ainda várias sessões do ciclo «Escola para que te quero?», pois a Casa da Achada tem andado estes três meses a debater as escolas, a questionar a educação e a entender a aprendizagem de diferentes pontos de vista. A exposição ainda fica, mas merece uma visita atenta para pensar estes assuntos. Haverá também uma sessão de historietas feita por um amigo da casa (sobre escolas, precisamente) e uma sessão de canções críticas da escola.

Para além de tudo isto, há uma oficina de brinquedos (para fazer) e actuações do Grupo de Teatro Comunitário e do Coro da Achada. E até se come um bolinho…
Aparece e traz um amigo!

// Quinta-feira, 10 de Dezembro:
– 18H30 – TARAS e MANIAS DAS ACADEMIAS

com Cria’ctividade, Jorge Ramos do Ó e Paula Godinho
Esta não é só uma sessão sobre praxes. É uma conversa sobre todo um modo de estar na universidade: as aberturas dos anos académicos, os bailes de finalistas, os trajes dos professores, o formalismo do «senhor doutor», as apresentações de teses de mestrado e doutoramento, o enaltecimento da universidade como local de elite e exigência, o obscurantismo das praxes, a hierarquização piramidal, os discursos da excelência, a organização estudantil, a relação de professores com os alunos – e dos alunos com os professores – dentro e fora das salas de aula, as canções das tunas…

Numa universidade preocupada com rankings e com a internacionalização, com a publicação constante papers e relatórios, na era do mercado de cérebros e da projecção de powerpoints, que tem alterado significativamente os discursos na academia, o que fica da instituição fechada sobre si mesma? E como é que este sistema simbólico e prático, cheio de rituais e de maneiras de estar, inscrito, em parte, numa suposta tradição, se insere e contribui para uma espécie de identidade universitária de e para alguns?

Para esta conversa juntámos gente do Cria’ctividade, que organiza a semana de integração alternativa à praxe em Coimbra, Jorge Ramos do Ó, historiador da educação, e Paula Godinho, antropóloga que tem estudado cerimónias, comemorações e rituais.

// Sexta-feira, 11 de Dezembro:
– 18H30 – CANÇÕES COM ESCOLAS LÁ DENTRO
com Pedro Rodrigues, Toni e Youri Paiva
A escola é um tema muito explorado na música popular. Existem inúmeras canções críticas da escola, contra o autoritarismo dos professores ou os muros da escola. Noutras imagina-se uma escola diferente, outra aprendizagem, noutra sociedade. Pedro Rodrigues, Toni e Youri Paiva andaram a pensar no assunto e vão falar-nos sobre (e dar-nos a ouvir) algumas canções com escolas lá dentro.
// Sábado, 12 de Dezembro:
– 12H – VISITA GUIADA À EXPOSIÇÃO «ESCOLAS: REAPRENDER E ENSINAR»
por Eduarda Dionísio
Através de documentos e imagens inéditos, traçamos o percurso singular de dois professores que também foram alunos antes e depois do 25 de Abril. Mário Dionísio e Maria Letícia Clemente da Silva estiveram ligados ao ensino, deram aulas em vários liceus de Lisboa, e empenharam-se em tornar a escola um lugar de efectiva formação dos jovens. O que pensavam sobre educação e como punham em prática as suas ideias, muito diferentes das que, durante décadas, foram impostas a professores e alunos pelo antigo regime? Uma exposição que nos ajudará a pensar os problemas das escolas hoje.

– 16H – CANTA O CORO DA ACHADA
O Coro da Achada preparou uma série de canções a pensar na escola para mostrar nesta ocasião. Tens de ir à escola para aprender? Não, se for para nos meterem em pequenas caixinhas.

– 17H30 – HISTORIETAS DA ESCOLA
com Pitum Keil do Amaral

Nas várias escolas por onde passámos – ou pelas quais andamos a passar ou ainda iremos passar – há sempre historietas curiosas e engraçadas para contar. Aquele professor que dizia «pois, mas reparem» 1023 vezes na aula, aquele colega que fazia colecção de caracóis e os levava para a aula, aquela árvore onde se podia namorar «às escondidas». Pois, mas reparem, a escola não é só local de aprendizagens e de desaprendizagens, é também uma enorme concentração de histórias e historietas. O Pitum Keil do Amaral reuniu algumas das suas peripécias e convida todos os que quiserem para virem partilhar as suas.

– 19H – O GRUPO DE TEATRO DA CASA DA ACHADA
apresenta «MÃOS COM INQUIETAÇÕES»

«Mãos com Inquietações» é um espectáculo colectivo criado a partir de dois poemas de Mário Dionísio («Pior que não cantar» e «Solidariedade»), do texto («Mãos cheias») de Conceição Lopes, de um excerto do texto A Mãe da Comuna Teatro de Pesquisa, de 1977 (a partir de Bertolt Brecht), e algumas inquietações e outras ideias à volta das mãos (e dos pés), passando e sendo contagiados também pelo poema de Regina Guimarães («Mãos vazias às Mãos cheias») e pelo poema de José Frade («Poder»), sendo tudo pautado pela música do Balanescu Quartet com uma pequena intervenção pelo meio de Arvo Pärt.

Perseguimos a ideia de fazer um trabalho colectivo que vive das presenças e das ausências daqueles que lhe dão corpo, das suas necessidades e dificuldades, das suas raivas e angústias, das suas alegrias e tristezas, mas sobretudo da sua vontade de querer fazer.

Falamos e mostramos as nossas mãos como quem dá e interroga. Tudo podemos fazer e desfazer com as nossas mãos.

// Domingo, 13 de Dezembro:
– 11H – AUDIÇÃO DA GRAVAÇÃO DE «A LUTA CONTINUA, DIZEM ELES»
leitura por Antonino Solmer

Audição do conto de Mário Dionísio, inserido no livro A morte é para os outros.

– 15H30 – OFICINA DE FAZER BRINQUEDOS
com Eupremio Scarpa

Uma tarde a fazer brinquedos a partir do que pensamos que já não presta. Para todos, a partir dos 6 anos.

– 18H – UM POEMA DO SONHO
O primeiro dos «Dois poemas do sonho» de Mário Dionísio foi a inspiração para a construção de uma pequena BD. A partir dela, nasceu uma espécie de animação, a que chamámos «Um poema do sonho».

Começando por uma questão e a terminar com outra, é, acima de tudo, um problematizar de divagações. Não é nada pegadógico, mas voa sobre as formas como se aprende e se memoriza a informação e o conhecimento, sobre graus de ignorância e sobre os cinco sentidos e a vontade de conversar. Sem caras, vozes ou histórias de vida mas a exalar cheiro humano até na banda sonora.

– 19H30 – SORTEIO DE UMA OBRA DE ARTE
Durante estes dias, vamos vender senhas para o sorteio de uma serigrafia de Hansi Stäel. O sorteio é no domingo.

 

Maria Letícia, professora: «Não me digam disparates, que eu trepo pelas paredes acima!»

16 de Novembro de 2015

No sábado, dia 14 de Novembro, às 16h00, no âmbito do ciclo «Escola, para que te quero?» teve lugar na Casa da Achada – Centro Mário Dionísio, a conversa sobre Maria Letícia Clemente da Silva – Professora: «Não me digam disparates que eu trepo pelas paredes acima!», apresentada por Diana Dionísio que conheceu de perto o rigor da sua avó no que toca a aprendizagens (mas sempre e só depois do lanche). E, a avaliar pelo seu depoimento, não fazia por menos, esta mulher, no combate à ideia burguesa de mulher: esposa, mãe de família e basta, que para tudo o mais estava o homem. Assim a maior parte das suas contemporâneas, em número reduzido, as independentes pelo trabalho ou a frequentar universidades, como a Faculdade de Letras, onde Maria Letícia encontra o seu companheiro, Mário Dionísio.

Nascida em 1915, em Beja, mas cedo a viver em Lisboa, instruída pela mãe (que tirara um curso de magistério primário) e acompanhada no seu percurso pelo pai, trabalhador ferroviário que se fez advogado no combate a uma sociedade injusta – como a portuguesa que, nos anos quarenta, impediu a filha de exercer a profissão durante oito anos «por razões de ordem política» – Maria Letícia estudou no Liceu Camões e, em 1937, concluiu o Curso Superior de Piano do Conservatório Nacional e o Curso de Filologia Clássica.

Professora de Português e de Latim, estagiou no Liceu Pedro Nunes, deu aulas no Liceu de Santarém, e, em Lisboa, nos liceus Camões, D. Filipa de Lencastre e D. Leonor. Quando impedida de exercer nas escolas estatais, leccionou no ensino privado até lhe ser interdito em absoluto o exercício da profissão, do que se defendeu dando explicações particulares em casa (o que manteve ao longo da sua vida activa). Ela, que não se considerava uma «pessoa importante» (mas importante a sua acção), dos muitos documentos produzidos para as aulas, preservou poucos. Os que restam revelam-nos porém a vontade de não se ficar por um desempenho suficiente na função. Nos seus relatórios de docente – naquele que nos foi lido – ressalta a preocupação por um ensino melhor, atenta ao que encontra de positivo nos métodos das escolas francesas e inglesas. Sem dúvida, uma demanda exigente para o aluno por parte de quem afinal usufruíra de condições excepcionais na sua educação, mas uma exigência pela inteligência e pelo trabalho a que ela tivera também de corresponder, e que começa, antes do mais, no seu próprio trabalho enquanto professora, configurando todo um programa de vida e modo de ser.


O mesmo empenho revela-se em outras actividades que não se esgotam no ensino propriamente dito, como a colaboração numa curiosa secção do jornal A Capital, intitulada «Consultório Escolar» (mantida entre 1968 e 1969, com Maria Emília Coutinho Diniz, sob o pseudónimo Dinis da Silva); a autoria de livros escolares para o ensino do Português em pareceria com a filha, Eduarda Monteiro (Eduarda Dionísio), que marcaram (sobretudo o primeiro, de 1969) uma diferença no intuito pedagógico pela inclusão de textos de autores menos divulgados ou mesmo contemporâneos e de imagens que não as oficiosas, afectas ao regime e à ideologia então dominante; o trabalho desenvolvido na Comissão para a Reforma do Ensino, logo a seguir ao 25 de Abril; e, ainda, o rigoroso cuidado investido em revisões e traduções que fez, assinadas ou não, com nome próprio ou inventado pelo editor (Maria Letícia Dionísio).


Dos depoimentos feitos pelos presentes na sala, apesar dos poucos ex-alunos, fica ainda a ideia de uma professora atenta ao indivíduo e disposta ao diálogo nos intervalos das aulas, momento em que se tiram dúvidas e se fala também da actualidade, sobre a qual se mostra informada e interessada. Testemunhos também de quem conviveu entre professores nas escolas, antes do 25 de Abril, dando-nos conta da separação de género nos espaços (salas) reservados aos professores e às professoras e da acentuada hierarquização sentida pelos estagiários que não tinham direito a frequentar estes mesmos espaços, nem estatuto para serem directamente interpelados ou sequer terem voz ou opinião, no que Maria Letícia se distinguiu por ser dos poucos que não seguiu esta prática. Constrangimentos igualmente sentidos pelos alunos na comunicação com o professor, até no tirar dúvidas sobre a matéria ou sobre a linguagem dos manuais, levando em extremo à ideia de que estes livros eram para quem sabia e não para quem queria saber.

Durante a conversa, houve ainda várias remissões para os documentos que integram a exposição patente ao público sobre o percurso dos dois professores, Mário Dionísio e Maria Letícia Clemente da Silva, intitulada «Escolas: reaprender e ensinar», que está até 18 de Abril de 2016.

 

Mário Dionísio, professor, visto pelos seus alunos e colegas

31 de Outubro de 2015

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No sábado dia 24 de Outubro, às 16h, realizou-se uma sessão especial do ciclo «Escola, para que te quero?», dedicada a Mário Dionísio, com a participação de vários dos seus alunos e colegas. A sessão, intitulada «Mário Dionísio pelos seus alunos e colegas», contou com a presença de Adelina Precatado, Luis Miguel Cintra, Luís Neto, Miguel Lobo Antunes e Jorge Silva Melo.

Na plateia, outras vozes se fizeram ouvir, de gente que conheceu Mário Dionísio e parte de uma vida inteira a ser professor mas também de quem o conheceu apenas através dos seus textos e das suas posições públicas sobre a escola e a educação.

Depois de uma introdução de Diana Dionísio e de João Rodrigues, lembrando as outras sessões do ciclo em curso, chamando a atenção para a exposição visível na zona pública e para a recente edição do livro O quê? Professor? onde se reúnem, pela primeira vez, os textos fundamentais de Mário Dionísio sobre ensino.

Foi aliás com uma referência a esse livro que começou Adelina Precatado, falando da experiência do Liceu Camões, onde Mário Dionísio foi professor durante anos. A professora de matemática falou de um «um conjunto de princípios» nas ideias de Mário Dionísio relativamente à educação e enquadrou o seu pensamento relativamente a algumas questões importantes e actuais: a defesa da gestão democrática das escolas, a crítica da avaliação e da sua centralidade, a necessidade de experimentação e melhoria contínua dos processos educativos («não desistir, fazer sempre melhor»), e a ideia simples (mas tão frequentemente esquecida) de que o aluno não é um número.

Fernando Gomes trouxe memórias do seu tempo no Liceu Camões (quando tinha apenas 10 anos) e lembrou como aquela era uma escola de «disciplina férrea» onde a figura de Mário Dionísio aparecia como uma lufada de ar e de inteligência. E como ao rigor se juntava a ironia e um humor subtil.

Luis Miguel Cintra leu um texto escrito por si para lembrar como aprendeu, nas aulas de francês de Mário Dionísio, muito mais do que francês: saber ver, aprender, dizer e questionar. Luis Miguel Cintra lembrou ainda como aprendeu, com curiosidade e paixão. Caracterizou a forma de estar de Mário Dionísio como «uma tranquila lucidez, por mais apaixonada que fosse». Com as palavras bem escolhidas, porque «nomear apenas, já é intervir». Um professor excepcional que o ajudou a «aprender a estar vivo».

Miguel Lobo Antunes também foi seu aluno de francês e lembra-se de «ficar pegado ao que dizia». Uma memória, partilhada por outros, de extraordinárias aulas sobre as «Viagens na minha terra» de Almeida Garrett, viajando pelas palavras e pelas ideias. Lobo Antunes sublinhou que havia neste professor uma ideia de responsabilidade, de cada um e colectivamente. Mas também como ele o ensinou a aceitar a mudança, e a aceitar que mudamos.

Jorge Silva Melo só pôde chegar um pouco mais tarde, mas disse ainda de sua justiça sobre alguns traços fundamentais da prática de Mário Dionísio enquanto professor: um domínio excepcional do tempo (e do tempo da aula), a capacidade de relacionar sem sair do assunto, e sobretudo uma análise das obras que partia do texto e não das regras pré-fixadas, das leis já estabelecidas, dos preconceitos. Um close reading, uma capacidade crítica que não se limita a verificar, mas que faz pensar as próprias regras do texto. E uma preocupação com a expressão clara: porque a linguagem é imperfeita, mas não tem de ser suja – pode ser limpa e sempre reinventada.

Coisas que perduraram, não só na memória, mas na vida destas pessoas. Alguém disse: «espero ser ainda aluno dele, apesar de já não ser há muitos anos».

 

As escolas onde estudamos: espaços e edifícios

20 de Outubro de 2015

No fim de tarde de sexta-feira, dia 16 de Outubro, teve lugar na Casa da Achada a segunda sessão do ciclo “Escola, para que te quero?”. Desta feita, o tema da conversa foi “As escolas onde estudamos: espaços e edifícios”.

Filomena Beja, figura da casa que muitos conhecem pelo seu trabalho literário, falou-nos da evolução dos edifícios escolares e das preocupações ideológicas, pedagógicas e de saúde pública que guiaram a sua construção, desde o tempo em que o ensino se passava nos mosteiros aos dias de hoje. Entre outras coisas, falou-se da criação das universidades, do ensino assegurado pelos corpos militares depois das Invasões Francesas, das escolas que o legado do Conde de Ferreira permitiu construir por todo o país, ou dos edifícios com ideais republicanos projectados por Adães Bermudes. À mão, para quem quisesse consultar, tivemos os dois volumes de que a Filomena foi co-autora, Muitos anos de escolas, sobre a história dos edifícios destinados ao ensino infantil e primário, em Portugal, até aos anos 70.

A segunda intervenção esteve a cargo de João Barroso, professor da Universidade de Lisboa na área das Ciências da Educação. Dos edifícios passámos à sala de aula e aos pressupostos pedagógicos que regulam a disposição dos alunos e do professor, numa figura facilmente identificável um pouco por todo o mundo: os alunos nas carteiras, virados para o professor, de quem recebem informação. João Barroso partiu de uma imagem do início do séc. XX, de Jean Marc Côté ou de Villemard (que aqui reproduzimos), em que se imaginava uma sala de aula cem anos mais tarde, e em que a principal inovação em relação à sala de aula tradicional tinha a ver com o suposto avanço tecnológico, mantendo-se a relação aluno/professor e a disposição do mobiliário. Esta e outras imagens serviram de mote para uma discussão sobre a flexibilidade do arranjo tradicional, as vantagens e desvantagens da posição hierárquica e fisicamente destacada de um professor e a impossibilidade dessa rigidez nalgumas disciplinas (como as artes), ou da hipótese, hoje mais comum, de transformar a aula num espaço em que os alunos também aprendem uns com os outros, sentando-se frente a frente ou em grupos.

A próxima sessão deste ciclo, em que conversamos sobre as escolas que temos e as que gostaríamos de ter, será no dia 24 de Outubro, às 16h. Aí teremos oportunidade de falar com alunos e colegas de Mário Dionísio sobre o seu trabalho enquanto professor.

 

6º aniversário da Casa da Achada

5 de Outubro de 2015

No dia 3 de Outubro, a Casa da Achada – Centro Mário Dionísio comemorou o seu sexto aniversário de abertura ao público. Dedicámos o dia ao Vítor Silva Tavares, sócio fundador e companheiro de lutas mais antigas, que nos deixou no fim de Setembro. Foi com a memória dos amigos ausentes, do Maçariku, do Francisco Castro Rodrigues, do Vitor Silva Tavares, que fizemos, pelas palavras da Diana Dionísio, o balanço deste ano, mais difícil do que os outros e que obrigou a uma redefinição do funcionamento da CA-CMD. Mas foi também com os olhos no que aí vem e com a vontade que temos de continuar a estar uns com os outros que se comemorou este aniversário e o início do novo ciclo trimestral, desta vez sobre a escola.

A tarde abriu com uma pequena actuação do Coro da Achada, a que se seguiu a apresentação, feita a quatro mãos pela Eduarda Dionísio e pela Maria João Brilhante, da nova exposição, «Escolas: reaprender e ensinar», sobre o percurso de Mário Dionísio e de Maria Letícia Clemente da Silva nas escolas em que estiveram, como alunos e professores. A exposição pode ser visitada até dia 18 de Abril e esperamos que desafie conversas e reflexões sobre o estado do ensino actual, pensando que a experiência destes dois professores possa interessar a quem hoje ensina e é ensinado.

Seguiu-se o lançamento de dois livros com textos de Mário Dionísio e de uma bibliografia. O primeiro, O quê? Professor?!, apresentado por Rui Canário, reúne o que MD escreveu sobre o ensino para jornais vários, bem como o primeiro capítulo do livro inacabado Reflexões de um professor sobre a escola e socialismo. Sobre este volume (o oitavo da Colecção Mário Dionísio), a que voltaremos certamente muitas vezes durante os próximos três meses do ciclo «Escola, para que te quero?», haverá ainda uma sessão na Casa da Achada no dia 5 de Dezembro.

O segundo livro, Conflito e unidade da arte contemporânea, é a reedição do texto de uma palestra dada na Sociedade Nacional de Belas Artes, em 1957, altura em que Mário Dionísio trabalhava na escrita de A paleta e o mundo. Na nova edição, feita com o apoio da Fondation luso-française Elise Senyarich, publica-se o texto em português e também a versão francesa, encontrada no espólio de Mário Dionísio e por ele corrigida.

Finalmente, apresentámos o conjunto de cadernos a que se chamou Para uma bibliografia Mário Dionísio. O material foi preparado pela Eduarda Dionísio e dedicado ao Maçariku, «(…) pensando sobretudo nos que não são eruditos nem candidatos a sê-lo. Mas que têm curiosidade por aquilo que não sabem e usam o que descobrem, como ele usava, com vontade de o transmitir aos outros». Acreditamos que esta recolha possa servir de ponto de partida para quem se interesse não só pelo trabalho literário e artístico de MD, mas também pela sua intervenção política, pelas suas críticas e recensões, pelas polémicas em que se envolveu, ou pelo que sobre ele foi dito por outros a propósito de todas estas coisas. Impresso desta vez em papel, esta bibliografia estará em breve disponível online na página da CA-CMD.

Apresentadas as novas edições, foi a vez do Grupo de Teatro Comunitário da Casa da Achada nos presentear com uma pequena encenação de dois poemas de Mário Dionísio, preparada para a ocasião.

E, como é tradição na CA-CMD e nas aldeias gaulesas, seguiu-se a festa e o convívio no jardim, com cantigas, comidas e conversas.

 

 

A Casa da Achada faz 6 anos!

2 de Outubro de 2015

cartaz 3 de Outubro com manchas

 

VITOR SILVA TAVARES

21 de Setembro de 2015

Vitor Silva Tavares foi um dos mais entusiásticos fundadores da Casa da Achada-Centro Mário Dionísio. Pertenceu vários anos à Direcção. Deu ideias, participou em sessões, trabalhou em edições, apresentou filmes e teve a seu cargo o boletim informativo desta associação, chamado «Ficha», que saiu duas vezes por ano entre Setembro de 2010 e Abril de 2014.

Foi com grande mágoa que soubemos da sua morte. É com grande mágoa que comunicamos esta tão grande perda para todos nós.

A Direcção da Casa da Achada-Centro Mário Dionísio

 

COME E NÃO TE CALES

1 de Agosto de 2015

Foi um dia inteiro na Casa da Achada, na Rua da Achada e no Largo da Achada. Um dia inteiro de convívio e conversas, de comidas e bebidas, de vendas de objectos, livros e obras de arte, de pequenos leilões, de jogos de mesa, pintura de murais e brincadeiras.

Conversas de café sobre comer, conviver, associar e lutar, sobre produção e distribuição alimentar e, aproveitando a chegada da Caravana do Decrescimento das Oficinas do Convento de Montemor-o-Novo, sobre o decrescimento.

O Coro da Achada, o Grupo de Teatro Comunitário da Casa da Achada e quem quis pôde dizer o que quisesse, ler o que lhe apetecesse e cantar o que tivesse vontade. E, para além do convívio, também se mostrou o que andamos a fazer numa visita guiada à exposição «Mário Dionísio – Vida e obra».

 

COME E NÃO TE CALES

14 de Julho de 2015

Come e não te cales comprimido-1

Um dia inteiro na Casa da Achada, na Rua da Achada e no Largo da Achada. Um dia inteiro de convívio e conversas, de comidas e bebidas, de vendas de objectos, livros e obras de arte, de pequenos leilões, de jogos de mesa, pintura de murais e brincadeiras.

Vamos ter conversas de café sobre comer, conviver, associar e lutar, sobre produção e distribuição alimentar e, aproveitando a chegada da Caravana do Decrescimento das Oficinas do Convento de Montemor-o-Novo, sobre o decrescimento.

Todos podem ter voz. O Coro da Achada, o Grupo de Teatro Comunitário da Casa da Achada e quem mais se quiser juntar pode dizer o que quiser, ler o que lhe apetecer e cantar o que der vontade. E, para além do convívio, também queremos mostrar o que andamos a fazer numa visita guiada à exposição «Mário Dionísio – Vida e obra».

Desta vez não há programa fechado. Vamos começar às 11h a abrir o apetite com um quebrajum e só descansamos à noite. Venham ter connosco, queremos estar convosco.

 

À MESA

5 de Julho de 2015

Ciclo À Mesa - Julho-Sentamo-nos à mesa para o pequeno-almoço à pressa, para o almoço com os olhos no resto do dia, para o jantar de fartura ou de restos. Comemos – ou não comemos – carne e peixe, vegetais e petiscos. De onde vem o que comemos? Porque não comemos todos? Juntamo-nos à volta da mesa, com um copo à frente ou papel e caneta, para conversar e discutir, para imaginar ou desenhar o mundo de amanhã, para pensar no que acontece hoje, para não esquecer o que aconteceu ontem. Quem constrói estas nossas mesas? De madeira, de ferro, de plástico, redondas, quadradas, com três ou quatro pernas, usamo-las para escrever ou desenhar, para trabalhar ou brincar. Para apoiar o cotovelo que segura a cabeça cansada, para nos suportar no dia de trabalho e para o encontro libertador com os nossos companheiros. Há mesas cheias de botões, como as de som e as de costura. Outras cheias de buracos, como as de bilhar. Há mesas de negociações para as quais não somos convidados e mesas de amigos onde somos bem-vindos. Em Julho, Agosto e Setembro, vamos sentar-nos à mesa para pensar sobre ela

 

A Leitura Furiosa outra vez!

19 de Maio de 2015

Leitura Furiosa - sessão pública comp
Vamos outra vez fazer a Leitura Furiosa. Será no próximo fim-de-semana: 22, 23 e 24 de Maio. No domingo, na Casa da Achada, serão lidos e publicados em brochura os textos de Lisboa, Porto, Beja e Amiens. Estão todos convidados.

Este ano em Lisboa, os escritores Filomena Marona Beja, João Paulo Esteves da Silva, José Mário Silva, Miguel Cardoso e Miguel Castro Caldas encontram-se com grupos de pessoas do Centro de Apoio Social de S. Bento, Conselho Português para os Refugiados, Escola do Castelo, Escola Gil Vicente e Serviço Jesuíta aos Refugiados e escrevem os textos que serão ilustrados por Bárbara Assis Pacheco, Marta Caldas, Nadine Rodrigues, Pierre Pratt e Zé d’Almeida.

No sessão de domingo, os textos de Lisboa, Porto, Beja e Amiens serão lidos e cantados por Diogo Dória, F. Pedro Oliveira, Inês Nogueira, João Caldas, Luís Lucas, Nuno Moura, Pedro Rodrigues e Sofia Ortolá.

 

MAS O QUE É A LEITURA FURIOSA?

A Leitura Furiosa destina-se aos que, sabendo ler, estão zangados com a leitura – crianças e adultos, homens e mulheres, empregados e desempregados, portugueses e estrangeiros.

A Leitura Furiosa é um acontecimento especial que acontece anualmente há vários anos em Lisboa e, ao mesmo tempo, noutras cidades. Uma dela é Amiens, em França, onde nasceu.

A Leitura Furiosa dura três dias. É um momento especial: quem é (ou que a vida tornou) zangado com a leitura, a escrita (e até o mundo) encontra-se com escritores! É um momento único que permite a um não-leitor aproximar-se da magia da escrita, por intermédio de uma pessoa que escreve literatura.
Cada um faz ouvir a sua voz e até pode seguir depois um novo caminho, ao descobrir pessoas, coisas, frases, palavras que têm a ver com a sua vida e podem fazem pensar. Em si e nos outros.

Para a Associação Cardan, de Amiens, que imaginou a Leitura Furiosa e a trouxe até Lisboa, e para a Casa da Achada – Centro Mário Dionísio, que em Lisboa a organiza, o saber deve ser acessível àqueles que dele normalmente são excluídos, o saber e a cultura devem nascer de uma ligação com o conjunto da sociedade e a cultura pode e deve ser analisada por aqueles que habitualmente não a praticam ou pouco se ocupam dela. Por aí passa uma outra integração na sociedade daqueles que vivem com mais dificuldades e problemas vários que os afastam dessa cultura. Que pode ser menos aborrecida do que às vezes parece.

Alguns pequenos grupos de gente zangada com a leitura (entre 4 e 6 pessoas) convivem durante um dia (sexta-feira), com um escritor, como entenderem fazê-lo, no seu local de encontro habitual (escola, associação, centro social …).

Pelo meio, almoçam, continuando a conversar.
À noite, o escritor escreverá em casa um pequeno texto, a partir do encontro, que oferecerá ao grupo com quem esteve, quando, no dia seguinte (sábado), voltarem a encontrar-se, desta vez na Casa da Achada. Lê-se o texto, fala-se do texto, muda-se o texto.

E os textos dos vários grupos são ilustrados por desenhadores convidados, à vista de toda a gente.
Depois do almoço, em que zangados com a leitura, escritores e ilustradores se reúnem, todos os grupos passarão, com o seu escritor, por uma livraria ou por uma biblioteca.

No domingo, os textos são tornados públicos (os que vêm de França são traduzidos para português) numa sessão de leitura em voz alta feita por actores, e alguns deles serão musicados e cantados. Será distribuída uma brochura ilustrada, com os textos escritos nas várias cidades, onde cada um, de uma maneira ou de outra, estará: mesmo quem está zangado com a leitura pode entrar, querendo ou não querendo, na literatura que os leitores costumam ler e que os zangados com ela poderão ler também.

E mais tarde nascerá disto tudo um livro, de dezenas de grupos, de escritores e ilustradores que às mesmas horas falaram, ouviram, contaram, perguntaram, responderam, leram, desenharam, em várias partes do país e do mundo. Coisas iguais e coisas diferentes.

 

Congresso Internacional Mário Dionísio

8 de Maio de 2015

O Projecto Sinestesia do Centro de Estudos Comparatistas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, em colaboração com a Casa da Achada – Centro Mário Dionísio, o Museu do Neo – Realismo e a Associação Promotora do Museu do Neo – Realismo vão levar a efeito um Congresso Internacional sobre a vida e a obra de Mário Dionísio, de 27 a 29 de Outubro de 2016, com a expectativa de que este evento possa promover novas leituras das suas múltiplas facetas, dando particular relevo às articulações entre as diversas áreas em que se moveu.

Apela-se a todos os que se têm dedicado ao estudo da sua intervenção literária, artística, pedagógica e política, e àqueles que desejem pela primeira vez abordar este estudo, para que apresentem trabalhos neste encontro.

Os interessados deverão manifestar a sua disponibilidade para apresentar uma comunicação até ao dia 15 de Junho de 2015, indicando a área ou áreas em que pretendem intervir, e enviar um resumo da sua proposta de comunicação (10 a 15 linhas), acompanhado de um breve curriculum vitae (1 página), até ao dia 31 de Janeiro de 2016, para o seguinte endereço: Centro de Estudos Comparatistas [cec@letras.ulisboa.pt]. As propostas serão apreciadas por uma Comissão Científica e os resultados divulgados até 28 de Fevereiro de 2016. O texto completo da comunicação deverá ser enviado até ao dia 15 de Julho de 2016.

 

FRANCISCO CASTRO RODRIGUES

4 de Maio de 2015

Morreu no dia 2 de Maio Francisco Castro Rodrigues, sócio-fundador da Casa da Achada-Centro Mário Dionísio. É para nós uma perda irreparável.

Participou com gosto e empenho em várias realizações da Casa da Achada desde a sua fundação. Inesquecível a tarde a ele dedicada, sessão de «Amigos de Mário Dionísio» há 2 anos. É alguém que até ao fim guardou o sorriso.

Grande amigo de Mário Dionísio e seu companheiro de lutas desde os anos 40 – contra a ditadura, por uma sociedade sem classes, por uma arte moderna – Castro Rodrigues era um homem de rara energia, frontalidade, generosidade, honestidade, modéstia. E de muitos saberes, não só da sua profissão.

Viveu intensamente 94 anos nem sempre fáceis, mais de 30 no Lobito, antes e depois da independência de Angola, onde deixou uma obra de urbanismo e arquitectura invulgar. De «arquitextura», como diria. Sem ele, esta cidade não seria a mesma.

Francisco Castro Rodrigues contou a sua longa vida no livro Um cesto de Cerejas, publicado pela Casa da Achada-Centro Mário Dionísio e lançado no dia da sua abertura ao público em Setembro de 2009. «A natureza e a memória contam» é o título do último capítulo.

 

Festa da Lega di Cultura di Piadena 2015 – um texto para debater o trabalho e a precariedade

4 de Maio de 2015

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Este ano, a Festa da Festa da Lega di Cultura di Piadena decorreu entre os dias 20 e 22 de Março em Pontirolo, na casa do Micio (Gianfranco Azzali), com extensão ao Museu Archeologico Platina/Atelier in Vetrina (com uma exposição de fotografias de Giuseppe Morandi – Lavori di Terra) e à Sala Cívica Comunale, em Piadena; onde, no sábado, se debateu o tema escolhido, de certa forma provocatório: «Precariado: antecâmera do comunismo? Não falamos de política!», dando lugar a uma partilha de opiniões e conversas acerca da juventude – bombardeada de informação pouco profunda, como disse uma das intervenientes – que emigra em busca de trabalho e de experiências, do exercício livre do trabalho intelectual, do trabalho individual e colectivo, das vantagens e desvantagens do modelo cooperativo, dos danos sociais e ambientais da massificação industrial de algumas vertentes de produção. Alguns sócios e amigos da Achada estiveram lá, a ajudar a construir esta festa internacionalista da Lega di Cultura di Piadena, associação amiga do Centro Mário Dionísio desde o início e com a qual a Casa da Achada tem colaborado regularmente.

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Aqui reproduzimos o texto que deu o mote à discussão, da autoria de Peter Kammerer, traduzido por nós e que não podemos deixar de partilhar:

«Precariado: antecâmera do comunismo? Não falamos de política!

Tudo nasceu destas palavras de A. Napoli ditas no já longínquo ano de 1985:

Estaremos perante um sobrepopulação não produtiva que tenderá a ser a maioria da população. Esta situação muda tudo. O problema já não será o clássico, o da exploração, mas da alienação da maioria da população que será privada da própria capacidade laboral, i.e. expropriada de trabalho. Em vez de exercer a libertação do trabalho, haverá expropriação da capacidade laboral.
O problema portanto é a expropriação do ser humano da sua qualidade de “homo faber”.
O enorme excedente produtivo criado, onde vai dar? Este é o problema chave do futuro. O mesmo capital para que servirá? Põe-se de outra forma a questão do comunismo.

1. Precariedade ou crise passaram a ser a normalidade. Não há uma família em Itália sem um jovem desempregado ou precário. As famílias mobilizam os seus recursos próprios e quem não os tem agarra-se à esperança. Ouve-se vagamente que a política não consegue afrontar de modo adequado e digno a questão. Falar de política passou a ser inútil.
Todos pedem ao governo que combata a pobreza e todas dizem que apenas o crescimento pode criar emprego. Reclama-se o “direito ao trabalho”. Mas na realidade, nos próximos 10, 20 anos não haverá solução. Estes slogans arriscam-se a ser não só ilusórios, se não mesmo errados.
(direito a QUAL trabalho? Ou direito a um rendimento? Criar trabalho não tem sentido; os homens querem trabalhar menos e com mais dignidade e criatividade, uma parte crescente do trabalho produz coisas inúteis e danosas, etc.).

2. Mas a situação também é esta:
Nunca como hoje os jovens tiveram acesso à cultura, à informação; nunca como hoje passearam, viajaram, conheceram outros e outras realidades.
Não todos, é certo, mas este não é um argumento que interesse nesta sede.
Portanto: por um lado, temos uma massa jovem dinâmica, criativa, que se movimenta no mundo com os olhos e o peito aberto. Por outro, parte do sistema económico não sabe que fazer com eles! Desperdiça, esteriliza, mortifica inteligências e entusiasmos.
O que fazer com uma massa de jovens desocupados ou precários? Como impedir que se “queimem” no mercado de trabalho e que se tornem cretinos. Porque trabalhar significa também formação, aprendizagem, cultura! Que trabalho queremos? Existem possibilidades reais (fora de uma política idiota e impotente) de encontrar soluções individuais e/ou colectivas? Como valorizar a possibilidade de decidir nós mesmos o destino?
Quem decide sobre quem trabalha e quem não trabalha?

3. Hoje o mesmo capital ataca as formas tradicionais do trabalho assalariado. A resposta não pode ser simplesmente a defesa do trabalho assalariado. As novas formas de flexibilidade produto do sistema, por um lado, e a conquista cultural, por outro, podem ou não abrir novos espaços de renitência, resistência, subtracção à lógica do mercado e do dinheiro?
Conseguiremos promover uma verdadeira revolução cultural contra os imperativos do sistema económico (i.e. contra o dogma que o dinheiro decide tudo)?»

 

25 de Abril: dentro e fora

29 de Abril de 2015

Memórias, imagens e muita gente na Achada

Para a Casa da Achada – Centro Mário Dionísio, o 25 de Abril não é só um pretexto. Nem é só a data que importa, embora a libertação ressoe neste número, neste mês, naquele ano. Importam os dias que se lhe seguiram, que Mário Dionísio viveu intensamente e descreveu no seu diário como «dias impossíveis de contar».

Nos dias 25, 26 e 27 de Abril a Casa da Achada lembrou o 25 de Abril de há 41 anos a pensar em memórias vivas, em imagens que fazem ver (e não só olhar) o mundo de outra forma.

No sábado dia 25 inaugurou ao fim-da-tarde uma exposição de Gérald Bloncourt, com 30 fotografias suas. Diana Dionísio abriu a sessão com as razões desta exposição e agradecimentos ao Museu das Migrações e das Comunidades de Fafe e ao fotógrafo pela cedência das fotografias expostas. Para além das fotos de Bloncourt, noutros painéis, reproduções de fotografias de slogans escritos nas paredes – feitas entre Maio e Junho de 1974 – decoravam a Casa (e a rua) da Achada e numa mesa à entrada, jornais do 25 de Abril para ver e folhear.

Sorte foi poder contar com a presença de Bloncourt, fotógrafo de 88 anos de idade, que convidámos a vir de França. Um homem com um percurso muito rico, migrante e militante. Na presença de muitas dezenas de pessoas, Bloncourt falou da sua relação com Portugal e os portugueses, e percebemos como aquelas fotografias têm histórias por trás. Nascido no Haiti, depois de emigrar para França fotografou emigrantes portugueses nos bairros de lata dos arredores de Paris. Seguiu-lhes as pisadas, veio descobrir Portugal e até fez o «salto» com eles para lá dos Pirinéus – porque teve curiosidade de saber donde vinham, como viviam, as dificuldades que tinham. Na exposição (que pode ser vista ainda até 1 de Junho) há também fotografias do imediato pós-25 de Abril e do 1.º de Maio em liberdade, em que Bloncourt tinha de enxugar as lágrimas para conseguir fotografar.

Depois de vermos dois diaporamas que Bloncourt preparou para nos mostrar, «Revolução dos cravos» e «Maio de 68», o coro da Achada – que já na noite anterior rumara com o grupo de teatro da Casa da Achada até ao Largo do Carmo com vozes e cartazes alevantados – cantou canções de liberdade e de transformação («eu canto o Maio ansiado, aquele que há-de vir…») e passaram centenas de pessoas para ver, ouvir, conversar, cantar, comer qualquer coisa e beber um copo, conviver, estarem juntas. Foi um piquenique valente, até pela resistência… à chuvada que caiu depois mas não desmobilizou a festa.

No domingo, dia 26, houve uma segunda conversa com a presença de Conceição Tina Melhorado, uma mulher que Bloncourt fotografou quando era menina, segurando uma boneca num bidonville de Paris. Tina contou como aquela fotografia lhe mudou a vida e fortes memórias do penoso «salto». A boneca era a prenda que ela ia ter (e teve mesmo) – mas durante a viagem ela «já não sabia se queria…» Oportunidade para falar de imigração portuguesa e memória operária, e ver outros diaporamas com muitas outras fotografias de imigrantes, da classe operária em França, ou das lutas do Maio de 68. Na mesma tarde de domingo, depois de um «ensaio aberto» das canções feitas nas oficinas de Abril e um biscoito para o lanche, houve tempo para ver o filme «Os cantos do desertor», de José Vieira, e falar com João Machado e José Machado a partir das memórias e reflexões. Percursos de vida e de trabalho, de luta e de tomada de consciência política, marcados por terem sido desertores, recusando combater na Guerra Colonial.

Finalmente, na segunda-feira dia 27, este «25 de Abril – fora e dentro» incluiu uma terceira conversa, desta vez co-organizada com o grupo do seminário «Memória, Cultura e Devir», do Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa (FCSH). Foi possível contar com a presença de um grande fotógrafo português, Eduardo Gageiro e perceber os inúmeros pontos de contacto com a obra e o «olhar comprometido de Gérald Bloncourt», precisamente o título da exposição na Casa da Achada. As fotografias ali estiveram sempre, enquanto as pessoas se encontravam, enquanto se cantava, se conversava, se interrompia por vezes para ver melhor uma fotografia e quem lá estava («aquele ali sou eu a sair da prisão de Caxias»), se comia, se convivia, se discutia e discordava, lembrando liberdades que se tomaram e as que estão por conquistar. E as fotografias ali, a olhar para nós e a desafiar-nos a olhar também. E a ver.

 

25 de ABRIL – FORA E DENTRO

20 de Abril de 2015

25 Abril - fora e dentro-

O OLHAR COMPROMETIDO DE GÉRALD BLONCOURT
Sábado, 25 de Abril, 18h30

Neste 25 de Abril, ao fim da tarde, encontramo-nos na Casa da Achada para ver, ouvir e conviver.

Às 18h30 inauguramos a exposição «O olhar comprometido de Gérald Bloncourt», com a presença do autor. Gérald Bloncourt, fotógrafo que esteve em Portugal nos dias seguintes ao 25 de Abril, mas que por cá passou antes para fotografar as pessoas e o que muita gente não queria ver nos bairros de lata durante o fascismo, que fotografou os emigrantes portugueses em França, também estes invisíveis para uma grande parte da população local. São estas algumas fotografias que vamos mostrar, em conjunto com as imagens de esperança e de resistência que explodiu nos dias seguintes ao 25 de Abril, em particular no 1º de Maio de 1974, e que, em França, se mostrou no Maio de 68. Gérald Bloncourt também nos vai mostrar, em dois vídeos – Revolução dos cravos e Maio de 68 -, muitas outras das suas fotografias.

O Coro da Achada canta canções de «olhos abertos para amanhã». Há piquenique e convívio no jardim. Toda a gente terá de trazer o seu farnel para haver comida para todos.

Nos dias seguintes, 26 e 27, aproveitando a presença de Gérald Bloncourt, vamos falar sobre várias questões que as suas fotografias levantam:

IR ALÉM VOLTAR ATRÁS
Domingo, 26 de Abril, 15h

Vamos conversar com Gérald Bloncourt e Conceição Tina Melhorado – retratada, anos anos 60, por Bloncourt num bidonville em França – sobre as questões da imigração. Vão-se juntar João Machado, autor da Crónica de uma luta de emigrantes portugueses em França: 2001-2011, e José Machado para falarmos, em maior pormenor, sobre os desertores e refractários durante o Estado Novo. Vamos projectar dois vídeos de fotografias de Bloncourt, Imigração portuguesa e Meio século de memória operária, e o documentário Os cantos do desertor de José Vieira.

FOTOGRAFIA E MEMÓRIA
Segunda-feira, 27 de Abril, 18h

Partindo da exposição e do depoimento de Gérald Bloncourt, vamos conversar sobre fotografia, memória e comprometimento, ontem e hoje.

Participam nesta sessão investigadores em ciências sociais e humanas do Seminário Memória, Cultura e Devir do Instituto de História Contemporânea da FCSH/UNL, que co-organiza esta sessão.

 

QUEM QUER TUDO POR FORÇA TER CANUDO com o GRUPO DE TEATRO DA ACHADA

28 de Março de 2015

Ontem, o Grupo de Teatro Comunitário da Casa da Achada apresentou a leitura quase encenada de «Quem quer tudo quer por força ter canudo» de Renato Roque.
Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência.

 

As escolhas de Maria João Brilhante, Luis Miguel Cintra e Sílvia Chicó para a sessão sobre a luz na pintura

28 de Março de 2015

Na sessão sobre a luz na pintura, a Maria João Brilhante trouxe o Júlio Resende nos anos 50 e 90, o Luis Miguel Cintra falou-nos do toureiro morto e dos Cristos do Manet, a Sílvia Chicó mostrou-nos as enormes aquarelas de Morris Louis.

 

Como foi conversar sobre CANTAR DE DIA, CANTAR DE NOITE com JANITA SALOMÉ

28 de Março de 2015

Na sessão com Janita Salomé, organizada pelo Coro da Achada para o ciclo «A luz da sombra», falámos sobre o cante alentejano – e a «música portuguesa», que passaria mais pelo José Afonso do que pelo fado -, sobre o acto de cantar ser um acto subversivo, sobre estórias e história da música, sobre cantar em palcos e fora deles, e muitas coisas mais. O Coro da Achada cantou o «Coro da Primavera» de José Afonso e a «Canção da jorna», poema de Carlos de Oliveira musicado pelo Coro da Achada. Aqui ficam algumas fotografias.

 

OS SORTILÉGIOS DA LUZ, como foi?

22 de Fevereiro de 2015

Foi uma bela sessão na Casa da Achada. Uma leitura, pela Inês Nogueira e pelo João Rodrigues, de excertos de A Paleta e o MundoO drama de Vicente van Gogh. de Mário Dionísio. Excertos esses que foram escolhidos não ao acaso, mas pelo olhar cuidado da Carla Mota e do Pedro Rodrigues, a pensar na luz e na sombra, o «assunto» a que a Casa da Achada se dedica nos meses de Fevereiro e Março. Como se vê a luz? E como é que ela inside nos objectos e nas paisagens? Como é que os impressionistas percebiam a luz e a aplicavam na sua pintura? E o van Gogh, não o fez de outras maneiras?

 

OFICINA RODAGEM DE SOMBRAS

5 de Fevereiro de 2015

No domingo passado, dia 1 de Fevereiro, aconteceu o a primeira sessão da oficina «Rodagem de sombras», orientada pela Marta Caldas. A partir de um excerto do conto «A figura de proa» de Mário Dionísio, vamos criar sombras densas e translúcidas e projectá-las, fotografá-las e montar um pequeno filme.

Estivemos a fazer sombras com projectores e candeeiros que projectavam a luz num pano branco, mas também com um retroprojector (e de pensar que usávamos isto para projectar assetados nas aulas) e com um projector de slides – e sim, andámos a fazer slides.

Continua no próximo domingo, dia 8, às 15h30, com a Marta Caldas e quem mais quiser. Depois, nos restantes domingos de Fevereiro e Março, vamos fotografar sombras (com Youri Paiva), fazer paisagens sonoras (com Pedro Rodrigues e Olivier Blanc) e fazer um filme (com Regina Guimarães).

 

COM UM V NA VOLTA – Concertos

5 de Fevereiro de 2015

Na passada sexta-feira, dia 30 de Janeiro, novos e velhos amigos juntaram-se, na Sociedade de Instrução Guilherme Cossoul, para lembrar lembrar o Maçariku, teimando – como ele – na construção de outra cultura, de partilha, liberdade e resistência.

O Coro da Achada preparou uma canção dos Sitiados, «Soldado»; os Peste & Sida lembraram os concertos no Palmeiras e o Movimento Tropa Não!, as dUAS sEMI cOLCHEIAS iNVERTIDAS mostraram como se faz um concerto de vontades ruidosas, uma parte das Cramol lançou canções da plateia, amigos juntaram-se para fazer No Mínimo K, com canções e situações do Maçariku, Ernestro Rodrigues e amigos juntaram-se à Margarida Guia para improvisarem, a Margarida Guia depois juntou-se ao João Paulo Esteves da Silva para novas improvisações, e a Diana Dionísio, o João Morais, o Rui Lucena e o Filipe Brito tocaram canções que lembravam o Maçariku: «Era de noite e levaram» de José Afonso, «Eh! Companheiro» de José Mário Branco, «Lua» dos Lulu Blind e «Adivinha» dos Sitiados.

André Spencer e F. Pedro Oliveira para Casa da Achada - Centro Mário Dionísio | 2009-2020