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CRUZAR MUNDOS, BUSCAR FUNDOS

Todos os anos, na altura das festas natalícias, há um fim-de-semana «diferente» na Casa da Achada. Estes dias especiais servem para reunir os amigos e os desconhecidos à volta de temas para pensarmos em conjunto, conversar, cantar, conviver e angariar fundos para que a Casa da Achada – Centro Mário Dionísio possa prosseguir a sua actividade. Este ano chamámos a estes cinco dias «Cruzar mundos, buscar fundos» e não foi por acaso. O que para nós era e é urgente, neste final de Dezembro, é de facto pensar em como continuar a viver e funcionar para outros muitos anos, apesar das dificuldades e da precariedade da vida de cada um de nós e da nossa vida em colectivo.

Assim, enchemos a Casa de objectos que os amigos artistas que nos rodeiam fizeram especialmente para a ocasião: um calendário para 2020 com design de Cristina Reis, um poster especial feito por Bárbara Assis Pacheco, sacos com frases de Mário Dionísio desenhados por Diana Dionísio, José Smith Vargas, Marta Caldas, Nadine Rodrigues, Olga Pavlovska, Pedro Rodrigues, Pierre Pratt e Regina Guimarães, cadernos, crachás, frascos de doce feitos na Madeira e amêndoas da Beira Alta, brincos e penduricalhos feitos em madeira a partir de quadros de Mário Dionísio, etc…

Também enchemos a Casa de obras de arte, serigrafias, gravuras, de livros em segunda mão e, claro, das nossas próprias edições, com um destaque particular para a mais recente: Contos completos, que reúne todos os contos de Mário Dionísio, incluindo os que estavam esgotados há muito tempo, e que tem um interessante prefácio de Paula Morão.

Ainda sobraram algumas coisas que, nos próximos tempos, continuarão à venda na Casa da Achada. Venham ver!

Além disso, houve coisas a acontecer. Na quinta-feira, acolhemos uma sessão proposta pela Associação Atrevida: a apresentação do livro Novas vozes para um mundo novo, com textos de autores entre os 10 e os 14 anos dos quatro cantos do mundo. Foi uma sessão muito simpática e participada.

Na sexta-feira, Diana Dionísio propôs a audição de um programa sonoro de duas horas e meia, com textos e música, em torno do tema «O absurdo do Natal». Foi a nona sessão da rubrica «Ouvido de Tísico», em que a ideia é mesmo ficarmos a ouvir colectivamente alguma coisa. Não faltou o bolo rei e o vinho, para ajudar.

No fim-de-semana propriamente dito, organizámos conversas sobre várias questões relativas às nossas urgências. Era urgente falar de poesia e de pintura à sombra da exposição intitulada «(pintura sem assunto dirão os visitantes)», que põe em diálogo o poema «Pinto» de Mário Dionísio e alguns quadros da sua fase abstracta, e que pode ser vista na Casa da Achada até Abril de 2020. Na tarde de sábado, alguns escritores e pintores, como Augusto Meneghin, Filomena Marona Beja, Hélia Correia, João Paulo Esteves da Silva, Judite Canha Fernandes, Sofia Areal, Regina Guimarães ajudaram-nos a pensar na relação entre poesia e pintura e no acto de criar. O resultado foi um debate sobre a «verdade e a mentira» na arte e na vida, sobre a ficção e o acto de pintar, sobre a relação do artista com o mundo, com a caneta e com a tela. E, naturalmente, sobre a poesia e a pintura de Mário Dionísio, de onde tudo partiu.

No mesmo dia assistimos ainda à leitura de Diogo Dória do conto «A morte é para os outros», de Mário Dionísio, e ouvimos um concerto «itinerante» de Pedro e Diana que foi por vezes lírico e divertido e que também dialogava com a exposição, com a poesia. O Coro da Achada, como não podia deixar de ser, fechou a noite com um concerto muito participado e explosivo.

No domingo, tivemos ocasião de falar, com o economista José Maria Castro Caldas e o arquitecto desenhador Pitum Keil do Amaral, de outra coisa que tanto nos preocupa neste momento: o dinheiro. O resultado foi uma conversa entre o sério e o surreal sobre a origem, a existência e a inexistência do dinheiro, e também sobre como se pode ultrapassar a sua insuficiência com soluções imaginativas, como as que nos mostrou o Pitum, numa divertida projecção de postais de natal, feitos por ele e pela sua companheira Lira, ao longo de dezenas de anos.

Ao final da tarde voltámos à pintura e à poesia, vendo três belíssimas curtas-metragens do realizador holandês Johan Van Der Keuken: LucebertTempos e AdeusVoltámos a falar do processo de criar, de pintar, voltámos a lembrar-nos do poema «Pinto» de Mário Dionísio.

Para acabar o dia, sorteámos um cabaz cheio de alimentos para a cabeça, o coração e o estômago (a Autobiografia e os Contos completos de Mário Dionísio, um calendário 2020, o DVD Kantata de Algibeira, postais e cadernos da Casa da Achada, amêndoas, doces, uma abóbora, um presunto…), a que estavam habilitados todos os Amigos da Achada que tivessem as quotas pagas até Dezembro de 2020. Foi a nossa Amiga nº 485, Cecília Morgadinho, a feliz contemplada!

No último destes dias, segunda-feira, 16 de Dezembro, passou-se o que se costuma passar na Casa da Achada às segundas-feiras: leitura colectiva d’A paleta e o mundo ao fim da tarde e sessão de cinema à noite, com o filme Mergulho no passado de F. Perry e S. Pollack.

Obrigada a todos os que vieram fazer estes dias connosco e que deram a sua contribuição para que a Casa da Achada – Centro Mário Dionísio possa continuar a disponibilizar um Centro de Documentação e uma Biblioteca Pública, e a fazer exposições e sessões com conversas, leituras, filmes, oficinas, etc.

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André Spencer e F. Pedro Oliveira para Casa da Achada - Centro Mário Dionísio | 2009-2017