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ANTÓNIO LOJA NEVES

O António Loja Neves foi-se, quando julgávamos que, afinal, ele seria eterno. Enganámo-nos.

Pelo menos para alguns (que ainda existem), não para todos (e, se calhar, ainda bem), é o trágico alargar de uma espécie de deserto que se tem vindo a instalar, de várias maneiras.

António Loja Neves existiu. Existe. Queremos que seja para todo o sempre.

Fez escolhas, aprendeu muitas coisas, e gostava mesmo de passar aos outros o que aprendia e o que ia fazendo a partir do que aprendia e vivia (não se aprende sem viver), pensando nas coisas contraditórias que aprendia, e querendo fazer outras depois.

Colaborou, na medida do possível, em actividades da Casa da Achada. Apresentando filmes, mas não só. Até vimos aqui um filme seu, ainda não terminado, chamado «Silêncio», sobre a Guerra Civil de Espanha por cá.

É impossível esquecer a intervenção que fez aqui, em 2012, numa maratona de intervenções, a que chamámos «Máscaras, prisões, liberdades e cifrões» e que terminou assim:

«Bom, António – estou a dizer para mim próprio –, vieste de Setúbal a correr, em excesso de velocidade, para vir cá só dizer isto e para te ires embora a correr a seguir, perigosamente em excesso de velocidade? (estava a trabalhar em Setúbal e interrompi…). Não, eu não vim cá só para falar, vim cá porque achei que era importante estar convosco, discutir convosco, participar deste núcleo decidido, para que novas ideias se desenvolvam e possamos, ancorados neste espaço nuclear, dar a volta nestas questões todas, tão extremas para as nossas vidas e, sobretudo, para a vida dos que nos sucederão no nosso país – a que desejam retirar a bússola, roubar o norte. É importante que a gente comece a driblar os acontecimentos que os missionários insistem serem fatais, como dos dogmas, e redefinirmos que o norte é “ali”, que o nosso norte é o que indicia novas ideias, uma renovada e fraterna sociedade. E a cultura – afinal foi sempre do que falámos… de cultura! – é ferramenta essencial para tal projecto. Até eles sabem disso, por isso a agridem e a sufocam actualmente. Porque um povo culto não se deixa ludibriar!»

A grande ligação com ele veio, para alguns de nós, pelo entusiasmo que teve na fundação da Abril em Maio, em 1994. Só não foi fundador «oficial» porque os múltiplos afazeres não o deixaram chegar a tempo ao notário…

Temos uma tristeza muito grande com esta morte. É o desaparecimento de alguém que percebia o que nos move, sempre disponível para o que temos querido fazer. Nós e ele.

É um lugar-comum dizer, mas aqui e agora é muito mais do que isso: Até sempre, camarada!

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