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Áreas Principais

Arquivo para a categoria ‘Diversos’

 

Achada na rua

14 de Julho de 2017

Como sabem, já abrimos as portas depois das obras (aqui podem ver a programação).

E, mais que abrir as portas, vamos sair à rua, no dia 22 de Julho! Convidamos-vos a todos, amigos que têm acompanhado a Casa da Achada, para esta volta pelo bairro com leituras, canções, teatro, várias surpresas e convívio.

 

A Casa da Achada está em obras, mas há sessões fora de portas

4 de Junho de 2017

 

A Leitura Furiosa em 2017

19 de Maio de 2017

Leitura Furiosa 2017: mais um ano em Lisboa (pela 14ª vez), mais um ano em que gente “zangada com a leitura” participou com entusiasmo, durante 3 dias, num acontecimento diferente, único. Ah! Houve zangados também no Porto, em Amiens (onde tudo começou… há mais de 20 anos pela mão do Luiz Rosas, que  tivemos mais uma vez o prazer de ter connosco aqui em Lisboa), em Cadillac (uma estreia!).

Em Lisboa, os “zangados” da Casa Damião, do Centro de Apoio Social de S. Bento, do CPR-Conselho Português para os Refugiados, da Escola do Castelo, da Escola Secundária Gil Vicente e do GAT/IN-Mouraria conviveram, conversaram, partilharam e criaram com os escritores Filomena Marona Beja, Jacinto Lucas Pires, Lígia Soares, Miguel Cardoso, Miguel Castro Caldas e Nuno Milagre. Os textos foram, a seguir, ilustrados por Bárbara Assis Pacheco, Catarina Sobral, João Cabaço, Marta Caldas e Pierre Pratt. Tudo isto na sexta (dia 5 de Maio) e no sábado (dia 6 de Maio).

E finalmente no domingo (dia 7 de Maio) realizou-se a sessão pública, onde foi apresentada a brochura com os textos todos (de Lisboa, Amiens, Porto, Cadillac). Alguns foram lidos pelos actores Antonino Solmer, Carla Galvão, Diogo Dória, Inês Nogueira, Lara e também pelos escritores.

A Leitura Furiosa são três dias realmente frenéticos! Há muito trabalho por trás. Contactos, mails, traduções, impressões, e ainda preparar o almoço (no sábado foram mais de 50 os comensais!), editar as brochuras (que são paginadas, corrigidas, impressas, dobradas, agrafadas), preparar a sessão pública… QUASE 100 PESSOAS ZANGADAS COM O TEMPO, QUE NUNCA É SUFICIENTE!

Mas quando, durante as conversas na sexta e no sábado, durante o almoço, durante as leituras no domingo, onde se encontram pessoas de todas as idades, de todo lado, de todas a cores, felizes, alegres e um pouco menos zangadas, então PERCEBEMOS QUE A LEITURA FURIOSA CUMPRIU O SEU PAPEL, O SEU OBJECTIVO.

Para o ano há mais!

 

O 25 de Abril na Casa da Achada

9 de Maio de 2017

“Tenho mais de mil amigos…” e muitos deles passaram na Casa da Achada.

25 de Abril de 2017 foi, como todos os anos, uma tarde cheia de gente (amigos, amigos de amigos, novos amigos,  desconhecidos) e repleta de animação.

Foi inaugurada uma exposição de obras de arte para venda, de vários autores, que tem como objectivo a angariação de fundos para as obras na Zona Pública que irão acontecer durante o mês de Junho: «Uma obra para as obras» que pode ser vista até 23 de Maio. E também houve venda de livros, CDs, artesanato, tralha, tudo para contribuir para as obras!

“Mais de mil amigos” inundaram depois o Largo para ouvir leituras a voz alta de excertos do diário de Mário Dionísio (as suas anotações dos 25 de Abris de 1974,1976, 1977 e 1988) e o Coro da Achada… palavras e música.

E pela noite dentro o bar foi sendo palco de “coros informais”: letras em português, italiano (outro 25 de Abril…de 1945: dia da libertação da ditadura nazi-fascista), francês, castelhano, crioulo, mais de mil sons…

O 25 de Abril está vivo? Na Casa da Achada todos os dias é 25 de Abril…sempre!

 

Os desenhos da oficina Roda de desenho, que continua

8 de Março de 2017

Aqui deixamos um dos desenhos feitos na oficina de domingo «Roda de desenho», orientada por Daniel Valente e Rodrigo Gonçalves. Podem ver todos os desenhos aqui.

A oficina repete-se no próximo domingo, 12 de Março, entre as 15h30 e as 17h30. É para todos a partir dos 6 e a entrada é livre.

 

O ano do Centenário

8 de Fevereiro de 2017

No ano de 2016 houve muitas solicitações. Foi o ano do centenário do nascimento de Mário Dionísio. Por isso, para além das nossas próprias actividades, tivemos vários pedidos para participar em programas de rádio, falar sobre Mário Dionísio em sessões, e várias foram as instituições que quiseram fazer exposições sobre a vida e a obra de Mário Dionísio, para as quais fornecemos materiais e apoio.

Para além do lançamento de um selo dos CTT evocativo de Mário Dionísio (em Março), do lançamento da Poesia Completa, editada pela imprensa Nacional – Casa da Moeda (em Julho) e do descerramento da placa toponímica da Rua Mário Dionísio em Lisboa (em Outubro), houve exposições e sessões sobre Mário Dionísio na Escola Secundária Gil Vicente (Lisboa), na Universidade de Rennes (França), no Museu do Neo-Realismo (Vila Franca de Xira), na Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço (Guarda), na Sociedade Portuguesa de Autores (Lisboa), na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, na Casa Amarela da CACAV (Alhos Vedros), na Escola Secundária Camões (Lisboa), na Biblioteca Municipal de Alhos Vedros, na Biblioteca Municipal D. Dinis (Odivelas), na Universidade Sénior D. Sancho I (Almada), na Sociedade Martins Sarmento (Guimarães), entre outros.

Foi também o ano em que se realizou o Congresso Internacional Mário Dionísio – «Como uma pedra no silêncio», co-organizado pelo Centro de Estudos Compartistas da Universidade de Lisboa, Casa da Achada – Centro Mário Dionísio, Museu do Neo-Realismo e Associação Promotora do Museu do Neo-Realismo. Aconteceu nos dias 27, 28, 29 e 30 de Outubro e contou com 50 comunicações. As actas serão editadas online pelo Centro de Estudos Comparatistas e  em papel pela revista Nova Síntese. Enquanto não estão disponíveis por escrito, podem ver na internet os vídeos de todas as intervenções. Aqui fica o do primeiro painel:

 

Não há uvas sem parras

21 de Dezembro de 2016

E chegámos a Dezembro! Fim de mais um ano de actividades, sessões, festas e convívio na Casa da Achada – Centro Mário Dionísio. Neste mês aproveitámos para fazer um fim-de-semana alargado um pouco diferente dos restantes, em que concentrámos actividades que normalmente fazemos ao longo da semana e aproveitámos para umas vendas de edições da Casa, outros livros, discos, objectos curiosos, etc., e assim angariar alguns fundos.

Aqui fica uma pequena foto-reportagem destes dias.

Na quinta-feira, dia 15 de Dezembro, o Grupo de Teatro do Centro de Apoio Social de São Bento apresentou a sua peça «Coisas da Vida».

Na sexta-feira, 16, tivemos leituras de diversos textos de Mário Dionísio, incluindo correspondência vária entre amigos. Chamou-se a sessão «E quanto ao sal da vida», título de um capítulo da Autobiografia de Mário Dionísio, sobre amizades, rupturas e a vida. Participaram nesta sessão Diana Dionísio, Isabel Lopes Cardoso, Lara Afonso, Pedro Rodrigues, Pedro Soares, Rubina Oliveira, Susana Baeta, Youri Paiva, entre outros.

No sábado, logo pela manhã, houve uma visita guiada à exposição «Mário Dionísio – Correspondências» pela mão e pela palavra de Eduarda Dionísio.

À tarde, por volta das 16h, foi altura para o lançamento do nosso Livreco Pés de Página, uma colecção de palavras e expressões, com sentido figurado, da Autobiografia de Mário Dionísio, algumas delas ilustradas. Uma edição caseira, nascida das vontades e curiosidades de um punhado de gente que por aqui costuma andar.

A apresentação do Livreco esteve a cargo de Diana Dionísio, tendo a seu lado nesta fotografia, uma das autoras das ilustrações Marisca Soares.

Logo a seguir, ainda no sábado, pudemos assistir à leitura de poemas de Mário Dionísio por alunos do Liceu Camões. Nesta fotografia, o seu director João Jaime Pires, dá o mote para o início da sessão, dedicando-a ao Teatro da Cornucópia.

A solo, em grupo, com ou sem o ritmo de um ajudante de percussão, muitos foram os jovens que participaram nesta concorrida sessão.

E, claro, o dia não podia acabar sem uma actuação do Coro da Achada, em que, entre outras canções, apresentou a música «Chora a Videira», ensinada pelo coro Cramol, em honra do fim-de-semana «Não há uvas sem parras».

Casa cheia até às escadas.

Mas o fim de sábado, foi, como é hábito em qualquer festa digna desse nome, à volta das mesas no quintal da Casa da Achada,  com uns petiscos, acompanhados de muito convívio e algum frio.

O domingo, dia 18, começou com a apresentação da Gazeta da Achada, o resultado da oficina deste mês «Fazer um jornal», coordenada por Alexandra Correia.

Qualquer bom jornal tem de ter obrigatoriamente uma secção de palavras cruzadas. Principalmente se é para se ler a um domingo! E claro que a nossa Gazeta da Achada não podia faltar à regra, como se pode ver nesta fotografia, em que Eupremio Scarpa, seu autor, as preenche com a ajuda do público.

Aqui temos dois dos três momentos de teatro pelo Grupo de Teatro Comunitário da Casa da Achada, com textos de Mário Dionísio.

A meio da tarde houve uma conversa animada e interessante com Catherine Dumas e Luis Miguel Cintra, moderada por Pedro Rodrigues sobre «Mário Dionísio: questões de ética num percurso de vida».

E claro, no fim da festa há que sortear os três cabazes que a Casa da Achada conseguiu reunir (fruto da muito boa vontade de um punhado de gente amiga e colaboradora). E assim foi: André Silva, Francisca Soares e Inês Nogueira cumpriram a função. Parabéns aos premiados.

E pronto, este foi o nosso fim-de-semana alargado, «Não há uvas sem parras», onde, além das actividades que já se descreveram, ainda houve tempo, oportunidade e vontade para se fazer compras, ver a exposição e até aproveitar para pôr as quotas de Amigo da Achada em dia.

 

7 setes desvendei

6 de Outubro de 2016

Os aniversários são alturas complicadas. Tempo de balanços e perspectivas, mas também de troca de memórias e, se tudo correr bem, de festa. A Casa da Achada fez sete anos de abertura ao público e assinalou-os, a 1 de Outubro, com uma tarde de actividades onde apareceram várias caras novas e outras que fazem já, felizmente, parte da mobília ao longo destes sete anos de participações e entusiasmos mais ou menos regulares, mas que nos têm permitido manter as portas abertas e acreditar que ainda faz todo o sentido procurar um espaço comum de intervenção cultural (que não se separa da política nem é hierarquizável), onde às vezes até nos podemos queixar de falta de braços mas ainda não de falta de ideias.

Continuando o que se tem feito este ano, que assinala esse outro aniversário, o dos cem anos do nascimento de Mário Dionísio, abriu-se a tarde com a inauguração de uma exposição peculiar, onde se lê as paredes e «as obras de arte são notas de rodapé». Assim, percorremos uma colecção da correspondência trocada por Mário Dionísio com amigos, inimigos, gente próxima ou mais distante ao longo dos anos. Não era, no entanto, como nos explicou a Eduarda Dionísio durante a visita guiada possível a uma exposição destas, uma colecção sem critérios: ali estarão, até dia 17 de Abril de 2017, postais enviados por amigos em viagem, por exemplo, a correspondência trocada sobre a saída de Mário Dionísio do PCP, sobre as polémicas do neo-realismo, ou outras coisas que tenham parecido relevantes fosse para dar a ideia de uma época antes dos e-mails, fosse para esclarecer aspectos menos conhecidos de polémicas em que Mário Dionísio se envolveu, ou mesmo de alturas da sua vida de que ainda assim vamos falando pouco, como os tempos que passou no Sanatório do Caramulo.

Logo a seguir, porque a memória conta, repetiu-se uma leitura que já se tem feito às vezes, sempre a várias vozes que vão variando, de excertos da Autobiografia de Mário Dionísio, acompanhada pela projecção de algumas imagens.

Das polémicas e costumes ligeiramente mais antigos, passou-se ao mundo de hoje (assim tão diferentes?). Tínhamos proposto a uma série de associações que se juntassem a nós para uma conversa sobre as coisas que fazemos todos os dias, as batalhas que travamos enquanto colectivos que queremos que sobrevivam, as dificuldades, as soluções encontradas por uns que podem servir para outros, as coisas que podemos fazer em conjunto, as razões que nos fazem continuar, apesar de alguns dissabores, a querer intervir no mundo. Estiveram connosco pessoas de muitos sítios, entre eles, do Le Monde Diplomatique, da Recreativa dos Anjos, da Cicloficina dos Anjos, do GAIA, do Círculo de Animação Cultural de Alhos Vedros, da Associação Terapêutica do Ruído, da Fábrica de Alternativas, da Unipop, do Mob, do SOS Racismo, da Associação de Residentes do Alto do Lumiar, da Association Cardan (França). Não é todos os dias que nos juntamos, por muito que a maior parte de nós tenha sempre na cabeça o desejo de participar nos eventos uns dos outros. Que um aniversário sirva de desculpa para uma ocasião destas!

Como não podia deixar de ser (ou podia, claro, que deixar de ser é o mais fácil, mas não queremos que deixe), seguiram-se as cantigas do Coro da Achada, da mais velhinha, a primeira cantada pelo Coro, à mais recente, feita há uns meses para o espectáculo de 16 de Julho, passando por uma interpretação de «Sete fadas me fadaram» do Zeca Afonso, de onde roubámos o título para esta tarde de sábado.

E do convívio no jardim, ao cair da noite, terá saído a vontade renovada de nos voltarmos a encontrar. Venham mais sete!

 

Congresso Internacional Mário Dionísio

3 de Outubro de 2016

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O Projecto «Sinestesia» do Centro de Estudos Comparatistas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, em colaboração com a Casa da Achada – Centro Mário Dionísio, o Museu do Neo-Realismo e a Associação Promotora do Museu do Neo-Realismo, vai levar a efeito um congresso internacional sobre a vida e a obra de Mário Dionísio.

O objectivo principal deste congresso consiste em promover um debate tão alargado quanto possível em torno das diversas manifestações e vertentes da obra deste autor, trazendo um novo impulso à reflexão em torno de uma figura ímpar no panorama da cultura portuguesa. Tratar-se-á assim de aprofundar o estudo da intervenção literária, artística, pedagógica, política e teórico-crítica de Mário Dionísio, numa perspectiva comparatista, tirando partido da multifacetada rede de relações que esta permite estabelecer entre diferentes áreas de investigação.

Comissão organizadora:
Kelly Basílio (Centro de Estudos Comparatistas – Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa); Paula Mendes Coelho (Centro de Estudos Comparatistas – Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa; Universidade Aberta); Diana Dionísio, Pedro Rodrigues (Casa da Achada – Centro Mário Dionísio); António Pedro Pita (Museu do Neo-Realismo; Universidade de Coimbra); António Mota Redol (Associação Promotora do Museu do Neo-Realismo); Maria Alzira Seixo (Centro de Estudos Comparatistas  – Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa).

Coordenação científica:
Kelly Basílio (Presidente); Paula Mendes Coelho (Vice-presidente)

Datas e locais de realização do Congresso:
Dias 27 e 28 de Outubro: Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
Dia 29: Museu do Neo-Realismo, Vila Franca de Xira
Dia 30: Casa da Achada – Centro Mário Dionísio, Lisboa

O programa definitivo pode ser consultado aqui.

 

Ciclo «Autobiografia» – Outubro 2016

3 de Outubro de 2016

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Em 1987, Mário Dionísio escreveu uma Autobiografia, a pedido das edições O Jornal. É em torno deste pequeno livrinho que propomos o próximo ciclo na Casa da Achada, de Outubro a Dezembro, a encerrar o ano do centenário do nascimento de Mário Dionísio. «1916 havia de carregar-se deste pe­so todo nos meus ombros, confundindo, para mim, esse ano dos princípios do século com o começo do Mundo».

Voltamos a querer lembrar que foi pintor, escritor, professor, fez crítica de arte e literatura, interveio na pedagogia e na política, deu-se com este e com aquele, paginou jornais, saiu do partido, foi membro de júris, esteve doente, voltamos a querer lembrar que respirava. É para o conjunto da sua vida que queremos olhar. E para a forma de a contar – «contar a nossa vida é impossível».

Em Outubro, inauguramos uma exposição a partir da correspondência de Mário Dionísio. No Congresso Internacional Mário Dionísio, Como uma pedra no silêncio, ouviremos mais de cinquenta intervenções sobre a sua vida e a sua obra. Nos meses seguintes lemos mais de perto a Autobiografia, em conversas com pessoas que vão ver o que lhes diz, ainda hoje, este livro, estas vida e a forma de a contar. «Contar a minha vida. Sempre que me falam nisso, imagino-me sentado num banco de cozinha, com um grosso camisolão, ombros caídos, a olhar por uma janela alta e estreita o que ela deixa ver da floresta».

 

Sete setes desvendei – 7 anos de abertura da Casa da Achada

23 de Setembro de 2016

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A associação Casa da Achada – Centro Mário Dionísio faz oito anos de existência. E a Casa da Achada  está de porta aberta a toda a gente há sete anos. Comemoramos estes sete no dia 1 de Outubro, para uma tarde de convívio e festa: Sete setes desvendei.

Nesse dia, inauguramos uma nova exposição  – «Mário Dionísio: Correspondências» -, e propomos uma conversa com associações e colectivos para discutir como sobreviver, participar e intervir na  sociedade actual, a pensar num mundo ao contrário.

Também haverá canções pelo coro da Achada e uma leitura colectiva com projecção de imagens. Um novo ciclo – a partir da Autobiografia de Mário Dionísio – começa agora. E ao mesmo tempo comemoramos os sete, sem vergonha. Haverá comes e bebes para não festejar de estômago vazio e podes trazer alguma coisa para ajudar à festa.

“Sete setes desvendei” é um verso de uma canção do Zeca Afonso. Achámos que servia bem para os sete anos de uma associação onde se faz, partilha, edita, expõe, debate, trabalha e questiona, de portas abertas. A pensar que é preciso desvendar muito mais. Venham mais sete!

 

Memórias de «Para que serve a memória»

23 de Setembro de 2016
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Entre 25 e 29 de Agosto, a Casa da Achada – Centro Mário Dionísio realizou uma iniciativa intitulada «Para que serve a memória», com a presença de amigos da Lega di Cultura di Piadena, uma associação cultural à beira dos 50 anos de existência. Foram dias intensos na Casa da Achada de exposições, debates, filmes e cantos, com muitos amigos presentes, daqueles que não se vêem todos os dias. Oportunidade rara para discutir «memória» e como ela se torna activa quando queremos transformar o mundo, para discutir o problema das «fronteiras» num clima de solidariedade internacional, para pensar o «trabalho» e as formas de combater e dar a volta à exploração.
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No primeiro dia foi inaugurada a tripla exposição de fotografias de Giuseppe Morandi (montada com ajuda do Peto e do Leo, dois amigos da Lega di Cultura que também vieram), fotomontagens de Nancy Goldring e de câmaras fotográficas do espólio de Vítor Ribeiro, o Maçariku, fundador da Casa da Achada que queríamos mais uma vez lembrar e homenagear, dois anos depois da sua morte. A partir da sua vida surgiram naturalmente os assuntos que queríamos levantar, temas fortes da sua acção e do seu pensamento: «memória», «fronteiras», «trabalho». Apareceu muita gente logo no primeiro dia, 25 de Agosto, para inaugurar estas exposições e ouvir Eduarda Dionísio, Paolo Barbaro e Nancy Goldring, que explicaram as ideias centrais destas exposições.
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A relação com a Lega di Cultura di Piadena esteve no centro – e a memória serviu, entre outras coisas, para lembrar com entusiasmo e emoção uma cumplicidade e uma amizade de 20 anos. Eduarda Dionísio elaborou uma cronologia bem detalhada desta amizade internacionalista com a Lega di Cultura di Piadena. Esta associação é sediada em casa de Gianfranco Azzali (o Micio, que também esteve presente, é claro!). Numa das paredes dessa casa está uma frase de Gianni Bosio: «Todos os homens devem tornar-se homens de cultura sem perder a sua qualidade de homens».
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Na sexta-feira, dia 26, projectou-se um filme recente de Giuseppe Morandi (os seus belos filmes antigos estiveram a ser transmitidos numa pequena televisão durante a exposição) que deu o mote para o primeiro dos debates, aberto por Pedro Prista, e que deu origem a uma animada discussão sobre a memória e os seus usos, os seus processos, as suas contradições. Muito participada, mas ficou a sensação de que se tinha de ir mais longe ainda, de que não havia tempo para um debate tão vasto. Nessa noite, depois de boas comidas acompanhadas pelo inevitável Grana Padana, o queijo italiano da região de onde vêm, houve cantoria: Bruno Fontanella cantou, acompanhado por Maurizio, Peto e Leo, canções populares e hinos da unidade de Itália do século XIX. Um concerto que foi gravado por Joaquim Pinto e alguns seus colaboradores, a pensar numa edição futura… Depois de Bruno Fontanella e do canto de outro amigo vindo de Piadena, o imigrante indiano Jagjit que também faz parte da Lega di Cultura, pudemos ouvir ainda Adufe e Alguidar, um grupo de jovens mulheres que cantam e tocam percussões várias (com o Adufe em destaque), reinventando a memória e criando coisas novas a partir de cantos de raiz tradicional. Uma bela noite que deu ainda para um animado convívio com partilhas de canções até às tantas, no jardim interior da Casa da Achada.
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No Sábado as hostilidades começaram com o debate sobre o trabalho, aberto por um grupo da Casa da Achada num diálogo sobre o trabalho construído a partir de um debate aqui realizado no início do ano sobre «Outro trabalho, outra vida». As provocações quase «teatrais» deram origem a um debate animado (mais uma vez muito vasto, e muita gente quis tomar a palavra). Conclusões? Às vezes no levantar de questões e nas escolhas dos problemas já se diz muito… Diminuir o horário de trabalho? Sim, mas não chega. Transformar o trabalho, superar as contradições insolúveis do capitalismo? Sim, mas é preciso também pensar e praticar outras formas de trabalho e vida em comum. E por aí fora, com divergências e convergências que levamos, mais ricos (mesmo se de bolsos vazios), para as lutas quotidianas que se seguem… Como diz a canção que se ouviu à noite: «…Scarpe rotte, Eppur bisogna andar…» («…sapatos rotos, e contudo é preciso caminhar»).
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Na noite de Sábado, mais um concerto, com canções populares italianas pelos mesmos Bruno, Peto, Leo e Maurizio. E depois o Coro da Achada, com a energia renovada, inspirados pelos fortes cantos (e que forma de cantar!) dos nossos amigos italianos.
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No Domingo, o último dos debates, «Abolir fronteiras, separar as águas», tentando levantar o problema que parece urgente de uma Europa fechada a cadeado e a arame farpado, com milhares de pessoas a fugirem de guerras e a depararem-se com fronteiras bem vigiadas, arriscando a vida pela paz, pelo pão. Peter Kammerer levantou problemas de fundo para pensarmos se podemos de facto «abolir fronteiras», ou se é apenas uma utopia… Bruno Fontanella supreendeu fazendo a sua intervenção cantada. Uma canção pode dizer muito, até num debate. E faz-nos pensar que a terra (e o mundo) podia mesmo ser de todos os que a trabalham
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Debate complexo e longo, onde se falou de outras fronteiras (na língua, na linguagem, nas ideias) que nos separam também. Mas foi a comer o queijo que nos esquecemos das diferenças. E a beber o vinho que cantámos a igualdade, a fraternidade e o grito revolucionário «A nossa pátria é o mundo inteiro» que nos faz ver mais longe, muito para lá das barreiras. À noite, o último concerto.
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Canções de resistência e de luta do século XX italiano. Mas também canções populares do Bruno, do pai do Peto e da mãe do Micio. Canções que resistem e que nos vêm à memória. Para mudar as coisas já. Depois, o grupo Frente Popular, que animou as hostes (e até nos pusemos a dançar) com novas versões de canções revolucionárias portuguesas e canções anti-colonialistas africanas.
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No dia seguinte, segunda-feira, houve ainda um extraordinário passeio no Tejo com alguns dos amigos da Lega di Cultura. Fomos até ao lado de lá, visitar amigos «de cá», de Alhos Vedros – a associação CACAV, onde se voltou a cantar e a comer com alegria. porque outros já tinham partido, deixando ideias e abraços e tanta força, mas também saudades. Ainda sobra daquele grande queijo de Itália, e já estamos em Setembro.
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Para que serve a memória? Anotar num caderninho, para não esquecer: «A nossa pátria é o mundo inteiro» e «Não se pode ser feliz sozinho». Promessa: nos 50 anos da Lega di Cultura di Piadena vamos lá nós. A amizade é como a liberdade: se não se praticar, esquece. E às vezes é mesmo preciso aquele abraço.

 

Para que serve a memória

4 de Agosto de 2016

para que serve a memória - pequeno

É o tema que nos vai ocupar na última semana de Agosto. Lembrando MK (Maçariku , Vitor Ribeiro – ver mais aqui)  que está ao centro da grande relação com a Lega di Cultura di Piadena, nascida há quase 50 anos, que alguns de nós conhecem quase há 20, que vai estar connosco uma vez mais na Casa da Achada – Centro Mário Dionísio, um grupo para quem a memória foi sempre, de uma forma ou de outra, um tema.

É um tema que nos preocupa também. Uns dirão «não serve para nada», outros «para tudo». Mas o que nos parece importante tratar é: que e quem lembrar? que e quem é esquecido? Como fazer das nossas cabeças «arquivos» sem cotas mas vivos? E para fazer o quê com eles? Por exemplo, será possível pegar em dramáticos e controversos problemas como o trabalho ou as fronteiras, como se fosse pela primeira vez?

A fotografia é entre muitas outras coisas mais, um trabalho de memória – durante ou depois.

GIUSEPPE MORANDI fotografa há 60 anos talvez. Começou pelos camponeses da sua terra, na planície do Pó, Itália, que já não há. Foi parar nos últimos tempos aos imigrantes de vários continentes que agora lá vivem e cumprem no mesmo lugar os poucos trabalhos que ainda restam. Irrita-se porque hoje as pessoas dizem gostar mais das suas fotografias do passado do que das do presente…

No dia 25 de Agosto, às 18h, inaugura, com visita guiada, uma exposição antológica deste fotógrafo, autodidacta, que expõe em Portugal desde 1996. É a sua segunda exposição na Casa da Achada. Título da primeira: «Deus no telhado e os novos anjos», com que festejámos o 25 de Abril de 2012.

Às dezenas de fotografias a preto e branco por ele escolhidas e por Paolo Barbaro (professor de História da Fotografia na Universidade de Parma e que tem acompanhado o trabalho de Giuseppe Morandi sobre o qual muito escreveu), acrescentam-se, por proposta deste (para ver claro, para pensar), 6 fotos a cores de Nancy Goldring (Urban Amnesia), conhecida fotógrafa americana, desconhecida em Portugal.

E vamos projectar os dois últimos documentários de Giuseppe: uma encomenda (o que é raro na sua obra), Il faló di Pescarolo, sobre o Carnaval que ainda se faz em Pescarolo (26 de Agosto, às 17h); um documentário sobre Peto (que estará connosco) – e o seu trabalho, o seu lazer, o canto (27 de Agosto, às 17h).

Com Giuseppe Morandi, e do seu inseparável cúmplice, Gianfranco Azzali (Micio), ambos fundadores da Lega di Cultura di Piadena, estarão cá outros fundadores da Lega (Peto, Bianca), colaboradores permanentes e amigos (Bruno Fontanella, Leo, Jagjit, Mario Agostinelli, Peter Kammerer, Graziella Galvani, e outros).

BRUNO FONTANELLA, pedreiro reformado, vive em Piadena, só fala dialecto e canta desde que nasceu: canções de trabalho e de festa, canções populares de luta (anarquistas, socialistas, comunistas). Muitas delas desaparecerão com ele. Por proposta de Peto, registaremos (em boa qualidade) o seu «cancioneiro» que não é igual a todos os outros. Serão 3 concertos, todos diferentes (26 de Agosto, às 22h, 27 e 28 de Agosto, às 18h30) em que Peto e Leo o acompanharão e também ouviremos outras vozes: de Jagjit (indiano, mungidor de vacas em Piadena, como foi Micio noutros tempos, muito fotografado por Morandi), do Coro da Achada, das Adufe & Alguidar e dos Frente Popular, cada um à sua maneira, na memória e na intervenção.

Mas, se calhar, só a falar é que a gente se entende. O que não é difícil com estes «parceiros».

Estão agendadas três conversas, com gente da Lega di Cultuta di Piadena ou trazida por ela, e gente de cá para quem a memória (mas que memória?) conta e se preocupa com o presente:

Para que serve a memória? Com respostas de quem a «arquiva» ou de quem vive dela ou com ela (26 de Agosto, às 18h): participam Claudia CavatortaNancy Goldring, Paolo Barbaro, Pedro Prista Monteiro e outros.

Outro trabalho, trabalho outra vida, continuação de um debate iniciado este ano em Piadena, partindo nós aqui de um texto fabricado na Casa da Achada e das ideias de Mario Agostinelli, ex-secretário geral da CGIL-Lombardia que abandonou, fundador do movimento Unaltralombardia, etc. Como é que a memória pode ou não pode entrar aqui? (27 de Agosto, às 15h): participam Mario Agostinelli, Micio, Peto e outros.

Abolir fronteiras, separar as águas, peça importante do actual ciclo de 3 meses da Casa da Achada, Fronteiras fora e dentro, a que Peter Kammerer, alemão que escolheu viver em Itália, depois de 1968, professor aposentado de sociologia da Universidade de Urbino, que muitas vezes esteve connosco, dará o pontapé de saída. Como é que a memória pode ou não pode entrar aqui? (28 de Agostom às 15h): participam Mario Agostinelli, Peter Kammerer e outros.

E, no dia 29, às 21h30, segunda-feira, será Peter Kammerer a apresentar o filme Una vita violenta (1962, 106′), de Paolo Heucsh e Brunello Rondi, com argumento de Pasolini, incluído no nosso ciclo de cinema ao ar livre sobre Fronteiras. Pasolini, muito lido, visto e estudado por ele e grande referência para a Lega di Cultura di Piadena

Serão distribuídos textos e folhas de sala e uma cronologia das relações com a Lega e estas pessoas que nasceram antes de a Casa da Achada existir (disponível aqui).

Estarão em exposição algumas máquinas fotográficas de colecção de Vítor Ribeiro (Maçariku), um espólio que a Claudia Cavaroria e o Paolo Barbaro se dispuseram a catalogar.

PARA QUE SERVE A MEMÓRIA é para nós uma oportunidade única: ver, ouvir, falar, debater com pessoas com experiências completamente diferentes das nossas e com quem durante 20 anos, nalguns casos, temos feito trocas raras. Terá sido uma forma simples de abolir fronteiras. O que foi muito alimentado e facilitado por MK que agora já não poderá participar. Esta será também uma maneira de manter viva a sua memória.

 

Mário Dionísio: os primeiros 100 anos

29 de Julho de 2016

Decorreu no passado sábado, dia 16 de Julho, uma série de actividades a que a Casa da Achada- Centro Mário Dionísio intitulou Os primeiros 100 anos, comemorando o centenário de Mário Dionísio no dia em que ele faria precisamente 100 anos. As actividades começaram cedo, a meio da manhã, com um “quebrajum” para não começarmos de estômago vazio. Seguiram-se as primeiras oficinas de t-shirts, jogos (“Gafanhoto Caracol”, um jogo de tabuleiro criado pela Casa e que também esteve à venda, mas também xadrez) e leituras. Leram-se poemas, excertos de entrevistas a Mário Dionísio, partes da sua Autobiografia e d’ A Paleta e o Mundo. Gente foi chegando ao longo do dia, ocupando as ruas da Casa da Achada e as sombras no jardim onde ficou situado o bar que não parou até ao fim da festa.

Às 16h o coro da Achada fez um espectáculo a que chamou Não se pode viver sem utopia, uma apresentação que cruzou canções com textos de Mário Dionísio e de outros, marcando o centenário do seu nascimento e convocando as nossas inquietações actuais (a guerra, os refugiados, o trabalho, a perda de direitos sociais, o controlo dos media, a glorificação do dinheiro), pensando sempre em formas possíveis de transformar a realidade e relançando uma ideia de Mário Dionísio, a de que não podemos viver sem utopias e é necessário imaginar outras formas de viver em comum.

Depois do espectáculo do coro, continuaram as oficinas de fazer pins e t-shirts, e constantes leituras feitas por muita gente – umas preparadas, outras de improviso, animando a rua com palavras e dizeres. Palavras escritas também em cartazes, sugeridos por poemas ou ideias de Mário Dionísio.

Às 18h houve o lançamento da nova edição da Poesia Completa de Mário Dionísio, um título que se justifica por incluir toda a poesia editada do autor, mas também por fazer referência à sua Poesia Incompleta, uma edição entretanto esgotada. Com a particularidade de incluir uma tradução de Le feu qui dort (escrito por Mário Dionísio em francês) para português por Regina Guimarães. João Rodrigues apresentou a edição e explicou como foi feita. Um representante da Imprensa Nacional -Casa da Moeda, Rui Carp, responsável pela edição, explicou a sua integração na lógica da instituição e o director da colecção de poesia, Jorge Reis-Sá, explicou a importância de disponibilizar obras tão importantes como a de Mário Dionísio. Jorge Silva Melo, autor do prefácio da edição, fez uma profunda intervenção sobre o sentido da poesia de Mário Dionísio (poesia escondida, poesia exilada, poesia do quotidiano, reflexão sobre o tempo e a sua passagem) e a sua relevância na literatura do século XX. Poesia Completa vendeu-se ao longo da tarde, a preço especial de lançamento. E muita gente comprou e levou para casa.

Mais tarde, pelas 19h, começou uma série de intervenções Mário Dionísio – por onde é que eu lhe pego, intervenções livres ao microfone, na rua da Achada, de muita gente dizendo como conheceu Mário Dionísio (o homem) ou a sua obra, e porque lhe importa ela, que ideias descobriu. A variedade de intervenções permitiu compreender a diversidade e a riqueza do pensamento, da vida e da obra de Mário Dionísio, capaz de tocar tanta gente e de formas tão diferentes. E até houve gravações enviadas por gente que não podia estar presente, mas queria deixar a sua mensagem à Casa da Achada.

Em transmissão (quase) contínua, esteve um programa da Rádio Paralelo que dedicou o dia inteiro a Mário Dionísio, marcando a ocasião, com entrevistas, poemas, canções. O programa passou também ao mesmo tempo na Rádio Manobras.

Para além das edições da Casa, muitos outros objectos estiveram à venda numa pequena feira, entre livros, roupas, pinturas e outros objectos raros.

Também se aproveitou para pedir apoios financeiros – afinal também é preciso dinheiro para continuar a actividade da Casa da Achada – para a reedição d’A Paleta e o Mundo, que é uma das prioridades actuais da associação.

Em exposição esteve um quadro restaurado recentemente com contribuições de amigos. A mostrar que vale a pena o trabalho (colectivo) de preservação da memória – neste caso da pintura de Mário Dionísio.

E as leituras de poesia não pararam – foi bonito ouvir tantas vozes diferentes a dar novos sentidos àquelas palavras.

No fim do dia, entre risos e aplausos, sorteou-se o tapete de trapilho (à tarde estiveram miúdos e graúdos a vender rifas para isto), uma bela obra feita a partir de um quadro de Mário Dionísio, cuja pintura continua a inspirar muitos fazeres diferentes ali na Casa da Achada.

Tudo isto com tempo para uma conversa, um jogo, uma cerveja, uma sangria, uma tarte ou uma bifana. Um dia pleno de sol, mas também de poesia, arte, palavra, pintura e gente amiga da Casa da Achada (ou que a conheceu pela primeira vez e ali se “amigou”).

Apetece pensar que Mário Dionísio teria gostado, aos cem, de ver esta gente junta, a conviver e empenhada em transformar a realidade, com ele.

 

O Centenário de Mário Dionísio em Lisboa, em Vila Franca de Xira e na Guarda

7 de Julho de 2016

16 de Julho - pequeno

Mário Dionísio nasceu a 16 de Julho 1916, há 100 anos. A Casa da Achada – Centro Mário Dionísio quer lembrá-lo todos os dias, não apenas nesse dia. Mas hoje também.

No sábado, 16 de Julho, durante todo o dia, entre as 10h e as 22h, haverá actividades para todos na Casa e no Largo da Achada: oficinas, jogos, leitura de poemas, canções, comes e bebes. Estão todos convidados a vir passar este dia connosco; a levarem para casa um exemplar da Poesia Completa de Mário Dionísio, acabadinha de editar pela Imprensa Nacional – Casa da Moeda; a verem o espectáculo «Não se pode viver sem utopia», apresentado pelo Coro da Achada; a pegarem no megafone e contarem por onde é que pegam em Mário Dionísio, o que vos interessa nele, porque é que precisamos dele hoje, passados 100 anos.

Neste dia, fazemos saltar para a rua as nossas edições e mais uns tantos livros e objectos raros, sorteamos um tapete feito a partir de um quadro de Mário Dionísio e continuamos a campanha para a reedição d’A paleta e o mundo, actualmente esgotada. Não faltarão formas de ajudar a Casa da Achada a continuar o seu trabalho de tratamento e divulgação do espólio literário, artístico e pessoal de Mário Dionísio. Em exposição estará o quadro para cujo restauro pedimos apoio em Dezembro do ano passado, no fim-de-semana «Já não há papel», que já está restaurado!

Venham passar este dia connosco, ler um poema, cantar uma canção, estampar uma t-shirt, fazer um pin, jogar Gafanhoto caracol, ouvir uma entrevista, comprar uma serigrafia, comer, beber, conversar. Porque 100 anos é pouco tempo.

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No Museu do Neo-Realismo, em Vila Franca de Xira, pode ser visitada a exposição «Passageiro clandestino – Mário Dionísio 100 anos». Com a curadoria de António Pedro Pita, a exposição pretende homenagear o poeta, artista e pensador, focando-se, sobretudo, na documentação e interpretação da intervenção de Mário Dionísio enquanto  teórico do neo-realismo, o mais relevante desta corrente e um dos mais importantes teóricos da arte do século XX.

A exposição pode ser visitada de terça a sexta-feira das 10h às 18h, sábado e domingo das 10h às 19h, até ao 26 de Fevereiro de 2017.

No sábado, dia 9 de Julho, às 16h, no Auditório do Museu do Neo-Realismo, acontece o colóquio «Mário Dionísio Intelectual» com João Madeira, David Santos e Luís Augusto Costa Dias. Também é apresentado o catalogo da exposição.

Na Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço, na Guarda, serão inauguradas duas exposições: «Mário Dionísio – Vida e obra» – composta por 13 painéis biográficos que dão conta da vida de Mário Dionísio através de documentos, textos, fotografias e outras imagens – e «Mário Dionísio – Pintura», onde se podem ver algumas das suas obras pictóricas. A inauguração está marcada para a terça-feira, 12 de Julho, às 18h, e será acompanhada pelo colóquio «Idade terceira» de Regina Guimarães.

A acompanhar estas exposições, estão marcadas ainda duas sessões: a conferência «A invenção do concreto – Mário Dionísio e o realismo como problema» com António Pedro Pita na quinta-feira, 14 de Julho, às 18h e a projecção de 2 horas na vida de uma mulher de Agnès Varda no sábado, 23 de Julho, às 21h15.

 

O Centenário de Mário Dionísio em Rennes – algumas imagens

18 de Abril de 2016

5 de Abril – Inauguração da exposição «Mário Dionísio – Vida e Obra», traduzida para francês pelos alunos do Departamento de Português da Université Rennes 2 e exposta na Biblioteca Universitária Central de Rennes. Os livros de Mário Dionísio que existem na Biblioteca. André Belo e Karina Marques apresentam a sessão de leitura de poemas de Mário Dionísio e canções.

5 de Abril – Os estudantes de português lêem poemas de Mário Dionísio em português e em francês. Pedro e Diana cantam canções com textos de Mário Dionísio.

6 de Abril – Mesa-redonda com Diana Dionísio («Casa da Achada – Centro Mário Dionísio – une archive vivante»), Pedro Rodrigues («Conflit et unité de l’art contemporain – un essai brûlant»), Catherine Dumas («Coordonnées de l’espace intime chez Mário Dionísio») e Karina Marx («Mário Dionísio et Ilse Losa – 40 ans de correspondance»).

 

Luzia Samuel lê um poema de Mário Dionísio em Rennes.

 

Centenário de Mário Dionísio em Rennes

30 de Março de 2016

Os alunos e professores do Departamento de Português da Université de Rennes 2 traduziram para francês a exposição «Mário Dionísio – Vida e Obra». Agora vão mostrá-la, na Biblioteca Central da universidade, e haverá leituras, canções e uma mesa-redonda pelo centenário do nascimento de Mário Dionísio.

Na terça-feira 5 de Abril, os estudantes de português farão leituras de poemas de Mário Dionísio e Pedro e Diana cantarão textos do poeta. No dia seguinte de manhã, numa mesa redonda, ouviremos as seguintes intervenções: «Casa da Achada – Centro Mário Dionísio – um arquivo vivo», por Diana Dionísio, «Conflito e unidade da arte contemporânea – um ensaio ardente», por Pedro Rodrigues, «Coordenadas do espaço íntimo em Mário Dionísio», por Catherine Dumas e «Mário Dionísio e Ilse Losa: 40 anos de correspondência», por Karina Marques.

Aqui ficam o cartaz e o programa:

 

Ciclo «Estas cidades» começa em Abril

24 de Março de 2016

Ciclo Estas cidades - Abril

As cidades que habitamos, onde trabalhamos, passeamos e viajamos. As cidades de prédios e edifícios, de teatros, cinemas e cafés, de gente apressada nas ruas e avenidas, de gente sentada nos bancos de jardim, nas paragens de autocarro ou em cais à espera do comboio.

Cidades em transformação. Crescendo para norte e sul, em altura, rompendo e criando novas velhas fronteiras. Cidades que são poemas, história, reboliço. Apitos, sirenes, ruídos, gritos, murmúrios, o metal e o cimento em construção. Cheiros de guisados e caril, de escapes e fumo de cigarros, de lixo e de maresia. Uma cidade «é uma constante transferência de visões e afectos; é o aplauso à modernização e uma súbita, inexplicável tristeza pelo que desaparece; é a funda e fértil contradição, latente em todas as pessoas e coisas, provocando um estado poético», dizia Mário Dionísio nos anos 50.

Propomos este ciclo sobre cidades a pensar no mundo que por elas passa, no que nelas muda, na vida das pessoas, nas suas habitações e locais de encontro, na expansão e na sobreposição, no chão que pisamos e nas paredes onde nos encostamos, nas subidas e descidas. Cidades que acolhem gente, mas também expulsam, que derrubam muros e levantam outros, que se partilham ou que se deixam vender. Que se abrem e se fecham. O ciclo é feito a partir de Lisboa, cidade onde estamos, sem esquecer, porém, que «moramos nas cidades todas».

 

Fizemos a festa com a Lega di Cultura di Piadena

24 de Março de 2016

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Nos dias 18, 19 e 20 de Março, algumas pessoas da Casa da Achada foram à festa da Lega di Cultura di Piadena, uma festa internacionalista feita anualmente pelos nossos companheiros italianos, onde nos podemos encontrar, e em que se come, se bebe, se canta, se conversa, se debate e se ajuda a construir a própria festa.

No sábado, às 15h, abrimos o debate «Terra non guerra», com um texto sobre o trabalho, resultado da discussão aberta que fizemos no dia 4 de Março na Casa da Achada «Outro trabalho? Outra vida?». O texto, que lemos a várias vozes em italiano e que tem pelo meio alguns bocadinhos de canções, que cantámos em português, pode ser lido aqui em português e aqui em italiano. Falaram depois Peter Kammerer, Eugenio Camerlenghi, Mario Agostinelli e Gianni Tamino, e seguiram-se intervenções de quem estava na plateia. Falou-se de trabalho, guerra, propriedade, capitalismo, agricultura e tantas coisas mais.

No domingo, foi o dia da festa propriamente dita, com quase 2000 pessoas e muitas canções . Também nós cantámos, a meio da tarde, algumas canções que o coro da Achada canta: Mininu (Ke ki liberdade), En la plaza de mi pueblo, Águas paradas não movem moinhos e Cio da Terra.

Antes de ir embora, ainda cozinhámos dois bacalhaus. E contamos receber os nossos companheiros de Itália na Casa da Achada em Agosto.

 

Homenagem dos CTT a Mário Dionísio

11 de Março de 2016

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Os CTT vão apresentar, no dia 14 de Março, uma emissão filatélica de homenagem a Mário Dionísio, aproveitando o centenário do seu nascimento. Nesta emissão, há mais duas homenagens: Vergílio Ferreiro e António José de Almeida.

«Nesta emissão filatélica é também homenageado Mário Dionísio aquando do centenário do seu nascimento. Com uma personalidade multifacetada, afirmou-se pela sua dimensão intelectual tendo tido uma forte intervenção cultural, política e cívica na sociedade portuguesa do século XX. Formou-se em Filologia Romântica e foi um professor admirado pelas suas qualidades pedagógicas, sendo recordado como um “mestre”. Foi uma referência da teorização do Neorrealismo e começou a pintar em 1942. Morreu em 1993, quatro anos depois de inaugurar a primeira exposição individual de pintura.

Esta emissão é composta por três selos e um bloco: o selo de Vergílio Ferreira com uma tiragem de 135 000 exemplares para correio nacional; o selo de António José de Almeida com uma tiragem de 110 000 exemplares para correio azul e o selo de Mário Dionísio com uma tiragem de 135 000 para Europa (E20g). O design dos selos esteve a cargo do AF Atelier.

As obliterações de primeiro dia serão feitas nas lojas dos Restauradores em Lisboa, Município no Porto, Zarco no Funchal e Antero de Quental  em Ponta Delgada.»

Mais informações no site dos CTT.

André Spencer e F. Pedro Oliveira para Casa da Achada - Centro Mário Dionísio | 2009-2020