{"id":6029,"date":"2018-04-23T11:59:26","date_gmt":"2018-04-23T11:59:26","guid":{"rendered":"http:\/\/noticias.centromariodionisio.org\/?p=6029"},"modified":"2018-04-23T12:12:46","modified_gmt":"2018-04-23T12:12:46","slug":"a-festa-da-lega-di-cultura-di-piadena-23-24-e-25-de-marco-de-2018","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/noticias.centromariodionisio.org\/?p=6029","title":{"rendered":"A Festa da Lega di Cultura di Piadena &#8211; 23, 24 e 25 de Mar\u00e7o de 2018"},"content":{"rendered":"<p>Fomos \u00e0 Festa de 2018. \u00c9ramos sete vindos de Lisboa, mais uma amiga que j\u00e1 l\u00e1 estava. Sete mais um, d\u00e1 oito. Mas encontr\u00e1mos muita gente, amigos velhos, recentes e por fazer. Gente que deseja a transforma\u00e7\u00e3o do mundo e \u00e9 capaz de imaginar uma sociedade sem desigualdade de condi\u00e7\u00e3o, sem classes, sem opress\u00f5es, sem fronteiras.<\/p>\n<p>Ut\u00f3picos e pr\u00e1ticos, revoltados e apaixonados, gente que luta e n\u00e3o quer esquecer os combates de ontem e as can\u00e7\u00f5es que acompanharam essas batalhas. Gente que quer mudar a vida presente e o mundo correspondente. Gente que ali se junta, na casa de Gianfranco Azzali, o \u201cMicio\u201d &#8211; ele abre as suas portas a amigos de toda a It\u00e1lia e de todas as nacionalidades. Junta-se a conviver, a falar e a comer, a beber e a cantar, a debater e a partilhar ideias, objectos, gestos, ferramentas para as lutas que vir\u00e3o. A gente ajuda a fazer a festa e a comida, \u00e0 mesa ou no belo pequeno bosque da casa do Micio.<\/p>\n<p>No s\u00e1bado de manh\u00e3 viram-se dois filmes, um sobre o Peto, pedreiro e construtor, para al\u00e9m de cantor popular, um filme simples, rude e belo, com um ponto de vista. Depois o document\u00e1rio de Peter Kammerer realizado em 1977 para a televis\u00e3o alem\u00e3, \u201cKennst du das Land?\u201d, que n\u00f3s traduzimos, edit\u00e1mos e lev\u00e1mos em DVD, com legendas em franc\u00eas, portugu\u00eas e italiano traduzidas aqui em Lisboa.<\/p>\n<p>No s\u00e1bado \u00e0 tarde, abriu-se um debate. Debateu-se este ano \u201c&#8230;a menos que o poder mude a sua natureza&#8230;\u201d, um tema dif\u00edcil sobre as domina\u00e7\u00f5es de hoje e as formas de acabar com elas, propondo e praticando outras formas de lutar e viver. O que \u00e9 o poder, o que s\u00e3o os poderes? Quem o possui? Quem o usa? Como o usa? Quem manda? E porqu\u00ea? Porque destr\u00f3i o capitalismo a terra e degrada as rela\u00e7\u00f5es humanas? Como limitar o poder dos capitais, dos estados, dos imp\u00e9rios? E o do patriarcado? Mas s\u00e3o s\u00f3 esses, os poderes? Como acabar com eles? Como mudar a sua natureza? Queremos n\u00f3s \u201co poder\u201d? Tantos relatos, tantas perguntas.<\/p>\n<p>Ao fim da tarde, uma visita desagrad\u00e1vel de uma inspec\u00e7\u00e3o estatal, que diz que n\u00e3o se pode comer, beber e fazer festa em liberdade no espa\u00e7o privado que pertence a Gianfranco Azzali. Uma festa com d\u00e9cadas, entre mil amigos, n\u00e3o comercial. Indigna\u00e7\u00e3o de muitos, que foram cantando para espantar os senhores inspectores. A gente discute: \u201cSe houver alguma multa, haver\u00e1 solidariedade\u201d. A festa continua. E continuou.<\/p>\n<p>No domingo, depois de uma emotiva homenagem \u00e0 Ughetta, grande amiga da Lega di Cultura que morreu este ano, veio a festa com comida, bebida, grupos musicais e coros lan\u00e7ando can\u00e7\u00f5es socialistas, comunistas, anarquistas, populares e eruditas, de ontem e de hoje, palavras, trocas de ideias e de abra\u00e7os. Com umas 1500 pessoas a passar por ali. \u00c9 imposs\u00edvel contar, porque as amizades se cruzam, os cantos se espalham e misturam, e h\u00e1 emo\u00e7\u00f5es fortes que n\u00e3o se conseguem traduzir. E porque a Lega di Cultura de Piadena, fundada em 1967, \u00e9 uma associa\u00e7\u00e3o de ac\u00e7\u00e3o cultural e pol\u00edtica, com seres humanos que querem poder humanos ser.<\/p>\n<p>Trazemos para Lisboa mais oxig\u00e9nio, horizontes mais largos, ideias para p\u00f4r em ac\u00e7\u00e3o, pr\u00e1ticas para pensar a ac\u00e7\u00e3o cultural, um desafio para escutar os outros, ter esperan\u00e7as e desesperan\u00e7as, resistir e n\u00e3o desistir da procura incessante de outras formas de viver. E troux\u00e9mos tamb\u00e9m um bocadinho de queijo.<\/p>\n\n\t\t<style type=\"text\/css\">\n\t\t\t#gallery-1 {\n\t\t\t\tmargin: auto;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 .gallery-item {\n\t\t\t\tfloat: left;\n\t\t\t\tmargin-top: 10px;\n\t\t\t\ttext-align: center;\n\t\t\t\twidth: 100%;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 img {\n\t\t\t\tborder: 2px solid #cfcfcf;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 .gallery-caption {\n\t\t\t\tmargin-left: 0;\n\t\t\t}\n\t\t\t\/* see gallery_shortcode() in wp-includes\/media.php *\/\n\t\t<\/style>\n\t\t<div id='gallery-1' class='gallery galleryid-6029 gallery-columns-1 gallery-size-medium'><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='http:\/\/noticias.centromariodionisio.org\/wp-content\/uploads\/fotografia-2.jpg'><img width=\"300\" height=\"225\" src=\"http:\/\/noticias.centromariodionisio.org\/wp-content\/uploads\/fotografia-2-300x225.jpg\" class=\"attachment-medium size-medium\" alt=\"\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" srcset=\"http:\/\/noticias.centromariodionisio.org\/wp-content\/uploads\/fotografia-2-300x225.jpg 300w, http:\/\/noticias.centromariodionisio.org\/wp-content\/uploads\/fotografia-2.jpg 640w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt><\/dl><br style=\"clear: both\" \/>\n\t\t<\/div>\n\n<p>No dia seguinte, sa\u00edmos do trabalho para almo\u00e7ar com a urg\u00eancia de nos sentarmos num banco da avenida, ao sol, para repensar na festa e no que acontece quando a festa acaba. O que \u00e9 que se propaga pelos outros 362 dias do ano?<\/p>\n<p>\nA festa \u00e9 o encontro entre muita gente com mais ou menos as mesmas preocupa\u00e7\u00f5es. \u00c9 a resist\u00eancia ao estado das coisas atrav\u00e9s \u00a0do canto (\u00e9 potente quando quinhentas pessoas cantam juntas can\u00e7\u00f5es de luta!), dos debates, dos filmes, dos espect\u00e1culos. \u00c9 a generosidade, a entreajuda entre dezenas de pessoas para fazer a festa (esta, outra forma de resist\u00eancia). \u00c9 o comer, o beber, o cantar. Cantar muito. O estar. \u00c9 uma multid\u00e3o na tenda, no bosque, batuques, bandas, galos e galinhas, mi\u00fados a jogar \u00e0 bola, magotes de gente a cantar, outra e outra vez. No fim, \u00e9 a conversa que se prolonga, um copo de \u00abbianchino\u00bb, um cigarrinho sem horas marcadas.<\/p>\n<p>E depois?<br \/>\nDepois, \u00e9 esta urg\u00eancia de nos sentarmos a pensar ao sol, de n\u00f3 na garganta, sobre como esta festa \u00e9 importante. De perceber que entre a festa da Lega di Cultura di Piadena e a Casa da Achada h\u00e1 uma liga\u00e7\u00e3o apertada. Que aqui tamb\u00e9m h\u00e1 encontro, generosidade, entreajuda, canto, conversa e discuss\u00e3o e muita amizade.\u00a0 E que a festa, afinal, continua aqui, ou, pelo \u00a0contr\u00e1rio, que a festa \u00e9 aqui e que continua l\u00e1 com mais gente.<\/p>\n<p>\nPensar em conjunto, viver, conviver, mas tamb\u00e9m fazer, fazer mais por mundo mais justo e por uma vida mais plena para todos. Ser\u00e1 este um dos sonhos desta festa? E cantar.<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fomos \u00e0 Festa de 2018. \u00c9ramos sete vindos de Lisboa, mais uma amiga que j\u00e1 l\u00e1 estava. Sete mais um, d\u00e1 oito. Mas encontr\u00e1mos muita gente, amigos velhos, recentes e por fazer. 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