Ligações rápidas

Horário de Funcionamento:
Segunda, Quinta e Sexta
15:00 / 20:00

Sábados e Domingos
11:00 / 18:00

 

 

Áreas Principais

Aos amigos e sócios da Casa da Achada

11 de Janeiro de 2019

A Casa da Achada – Centro Mário Dionísio está a repensar os seus modos de funcionamento e de organização. Haverá uma redução da actividade porque estamos a preparar sessões futuras, ciclos, oficinas e novas edições. E no final de Janeiro há eleições para os novos corpos gerentes da Associação.

Mas continuem a visitar-nos no mesmo horário de abertura ao público. A biblioteca está a funcionar, o centro de documentação continua disponível para consulta e mantêm-se as sessões de leitura do ciclo «A Paleta e o Mundo VI», os encontros de Leitores Achados e o ciclo de cinema «Remakes». Além disso, realizar-se-ão algumas sessões pontuais e continuam os ensaios do Grupo de Teatro Comunitário da Casa da Achada e do Coro da Achada.

Janeiro de 2019
A Direcção

Oficina «Caixa de primeiros socorros» cancelada

17 de Setembro de 2018

O Grupo de Saúde Antiautoritária pede desculpa, a oficina de dia 23 está cancelada.

Até uma próxima!

Uma proposta de Luis Miguel Cintra

17 de Setembro de 2018

Em Maio formou-se, na Casa da Achada – Centro Mário Dionísio, um grupo de discussão em torno da Preparação do Actor, de Konstantin Stanislávski, a partir de uma proposta de Luis Miguel Cintra. A partir de Outubro os trabalhos abrir-se-ão a um conjunto de interessados na actividade, nomeadamente estudantes, actores em início de carreira, profissionais ou não-profissionais. Até 25 de Setembro estarão abertas as inscrições para três encontros nos quais serão encontrados os participantes.

Os encontros terão lugar na Casa da Achada nos dias 2 e 3 de Outubro a partir das 14h00 e no dia 4 de Outubro a partir das 21h00. No e-mail de inscrição, os interessados deverão indicar qual destes dias lhes é mais conveniente. Os trabalhos deverão depois decorrer em horário pós-laboral, em dias a combinar entre os participantes, Luis Miguel Cintra e a Casa da Achada – Centro Mário Dionísio.

Contacto para inscrições nos encontros: preparacaodoactor@gmail.com

Texto de Luis Miguel Cintra sobre a proposta:

Lisboa mudou. O país mudou. Ninguém tem bem a certeza se para bem, se para mal. Mas voltar para trás sempre foi um mau caminho. As escadinhas de S. Cristóvão, a dois passos da Casa da Achada, estão imundas, quando as comparamos com a triste realidade do filme de Oliveira, A Caixa. E, no entanto, não faltam turistas. O teatro que se vê em Lisboa mudou. Ninguém já nele reconhece o caminho para a utopia do Teatro Independente. Passou a ser normal o Estado não assumir a responsabilidade de espectáculos programados por independentes para bem das populações. E, nos teatros do Estado, pouco transparece daquilo que foi a energia que, depois das estruturas do antigo regime, garantiu a actividade teatral ao longo de tantos anos, depois do 25 de Abril. Mesmo em pequenos detalhes: já não é possível um espectáculo durar mais do que uma hora e meia, duas horas; já não é possível que o autor seja mais importante que as vedetas; já não é possível a igualdade de salários; já não é possível a construção de guarda-roupas, sobretudo de época; já não é possível a construção de cenografias, porque a ocupação do espaço livre é dinheiro que o teatro não merece. Algum mal-estar subsiste, porém, na aplicação desta amnésia. Foi o que me ocorreu quando, por exemplo, fui alertado pela tradutora Nina Guerra da iniciativa de se publicar uma nova tradução do livro de Konstantin Stanislávski directamente a partir do russo, por parte do Teatro Nacional, uma vez que parecia aparentemente contraditória com a sua agilidade de programação e capacidade de resposta a necessidades de aumento de produção, ou seja, rentabilidade do dinheiro público investido nos espectáculos.

Mas se algumas dúvidas restassem sobre as boas intenções da nova orientação, com o livro de Stanislávski, afirma o director do TNDMII querer trabalhar para suprir a falta de obras técnicas e de teoria teatrais e lutar «por uma ideia de serviço público de cultura que resiste à cegueira dos mercados» e dar um «contributo para tornar o teatro mais acessível a todas e todos». É difícil de entender nestas boas intenções a coerência com a mudança do estilo de produção, necessariamente mais apressada e de consumo simples, que tem contribuído para a anunciada, nova e compensadora corrente de público que satisfaz o mercado. Reconhecemos antes em iniciativas destas e nas regras de apoio à actividade em geral, um predomínio da eficácia de programação com critérios de mercado que faz um corte com a contribuição que o teatro dos chamados grupos independentes julgou dar à História do Teatro Português. A própria Preparação do Actor, tendente a criar um “sistema” de ensino para o actor, contido no livro de Stanislávski, dificilmente coincide com os esquemas de produção a que a actividade teatral se vê forçada. Onde Stanislávski interroga, as actuais regras de produção ditam leis de utilização do tempo e do espaço. O trabalho que Stanislávski propõe, passou a ser traduzido na versão tecnocrática do método de Michael Checkov, que da Rússia Soviética passou a Beverly Hills, na Califórnia e que transformou o trabalho de preparação do actor como verdadeira arte, numa receita de culinária de fácil, rápida e económica confecção. Não falando já nas extintas artes de construção de cenografia e guarda-roupas, facilmente substituíveis por imagens virtuais e projectores de alta potência.

Perante isto, e respondendo a um desafio feito por mim, alguns artistas de teatro de diferentes idades e práticas, pessoas ligadas à Casa da Achada – Centro Mário Dionísio e membros do público, resolveram promover um processo de discussão em torno da profissão de actor, entendida como arte, levando mais longe do que a simples discussão de financiamentos e direitos laborais a responsabilidade que pensamos caber aos artistas-actores na luta por uma dignidade artística do teatro que consideramos ameaçada. Depois da reflexão que a Casa da Achada tem promovido em torno de A Paleta e o Mundo, de Mário Dionísio, julgamos tratar-se de uma extensão das preocupações reveladas nessa obra. Sem rancor; é um aviso que alguma experiência nos permitirá.

Numa primeira fase, um grupo de que fazem parte Bruno Bravo, Diana Dionísio, Eduarda Dionísio, F. Pedro Oliveira, Guilherme Gomes, Levi Martins, Luis Miguel Cintra, Margarida Rodrigues, Nídia Roque, Pedro Rodrigues, Rui Coelho, Vasco Pimentel, tem-se reunido regularmente para conversar sobre o assunto. Numa segunda fase, chamaremos voluntários entre alunos de teatro e simples amadores, e faremos a experiência de, com eles, transformarmos algumas das cenas narradas por Stanislávski em aulas que ele fantasiou, em cenas de teatro. Convidámos o Diogo Dória (ele próprio professor de teatro) para o papel do professor inventado por Stanislávski, o que ajudará a destruir a distância entre profissional e não-profissional, aliás pouco interessante para o trabalho em si. Pensamos assim tornar prática e concreta a “filosofia” sobre o assunto. Convidaremos, quando o trabalho estiver adiantado, um board de profissionais de reconhecido valor público para connosco discutir as ideias lançadas e as soluções cénicas que nos terão surgido. E, finalmente, conforme o resultado a que chegarmos, porque ao contrário do que se pensa, a criação artística tem necessariamente de passar por muitos erros e experiências, convidaremos o público em geral para discutir os resultados. São todas as pessoas, mais até do que os profissionais de teatro, aquelas que a responsabilidade pública devia ter em mente, como aqueles que têm direito ao acesso às práticas artísticas. E está nas mãos dos actores assumir ou rejeitar as vias para o seu trabalho que, neste momento, lhes estão a ser oferecidas. Tudo isto por amor à vida.

Luis Miguel Cintra

Exposição DISSIMULAZIONI

5 de Agosto de 2018

 

Esta exposição não nos fala da arqueologia culta que já estamos habituados a apreciar por ser um resto silencioso do passado, mas antes da ruína que data de ontem como um tempo nosso. As paredes rasgadas dos prédios, os rebocos fragmentados evocam, aludem, dizem-nos que arqueologia é palavra de hoje, é a arqueologia do quotidiano sobre a qual desatentamente caminhamos e que as belas fotos de Paolo nos devolvem, dando-nos consciência disso.

Franco Guerzoni, 2018

 

Franco Guerzoni e Paolo Barbaro – o primeiro está entre os mais importantes artistas italianos da pesquisa conceptual, o segundo é conservador e historiador de fotografia – conhecem-se desde a segunda metade dos anos 70. 

Em 2012 Paolo Barbaro está em Lisboa, reencontra na cidade em mutação (a gentrificação, as ruínas, as superfícies que contam uma memória urbana) imagens como que vistas pelos olhos dos amigos Ghirri, Guerzoni, Bizzarri. Manda ao artista estas fotografias que parecem quadros dele, coisa que continua a fazer todas as vezes que viaja. Guerzoni e Bizzarri tornam-se afectuosos organizadores ou ensaístas. Desenvolve-se assim uma história de que esta exposição mostra alguns vislumbres provisórios.

 

Alguns de nós conheceram Paolo Barbaro ainda no outro milénio, em 1996, quando a associação Abril em Maio organizou duas exposições bem diferentes de Giuseppe Morandi: «Quem trabalha a terra na Baixa Padana» (na Galeria da Mitra), e «Vigésimo Primeiro Verão» (na ZDB, então para os lados do Cais do Sodré). Foram as duas primeiras exposições de Morandi em Lisboa. Paolo Barbaro já tinha escrito sobre a obra de Morandi, fotógrafo não profissional de origem camponesa. Veio participar em colóquios, em conversas e um texto seu está no catálogo. Chama-se «Histórias de um corpo».

Entre muitas outras coisas, diz: «Assim, uma vez acabada, para Morandi, a legibilidade existencial do campo, restam as pessoas, os seus espaços e as suas representações, finalmente os seus corpos a contar».

Alguns de nós encontraram-no (às vezes tocava guitarra), na festa anual da Lega di Cultura de Piadena, na casa do Micio e no seu pequeno bosque. Trabalhava na Universidade de Parma, precisamente no departamento de fotografia, que veio a instalar-se na Cartuxa de Parma (não é a do Stendhal…, mas fica no meio do campo), que também alguns de nós visitaram, maravilhados pelo trabalho de recolha, arquivo, pensamento que lá se constrói.

O Paolo tem vindo várias vezes a Lisboa, quase sempre com o Morandi e o Micio, a propósito de exposições de fotografia, que agora têm sido na Casa da Achada. A sua vinda em 2012 marcou (quase em silêncio, diga-se – «dissimulações»?) o arranque dum trabalho que foi continuando, sempre com Franco Guerzoni na cabeça, um interlocutor, e a partir de Lisboa.

Num breve encontro com Franco Guerzoni, há uns tempos já, no seu atelier de Modena, falámos desta exposição e foi difícil escolher qual seria a questão central que ela poria: «Trabalho (artístico)» (que seria tema de um ciclo que se fez na Casa da Achada-Centro Mário Dionísio)? «Ruínas»? Nos dois casos: «transformações», «mutações» se se quiser. Que incluem (via Paolo Barbaro) a de Lisboa. Estas duas questões talvez se juntem na exposição. E provavelmente de maneiras inesperadas.

É para nós impossível não referir isto a propósito («isto anda tudo ligado», de facto) – e não agradecer (se é que estas coisas se agradecem): o Paolo e a Claudia Cavatorta (que também faz a sua vida na Cartuxa de Parma), vieram semanas antes do ciclo «Para que serve a memória» para trabalhar, por proposta sua. Catalogaram umas centenas de máquinas fotográficas do Maçariku, fundador da Abril em Maio e da Casa da Achada, desaparecido dois anos antes. Passaram assim essas suas férias.

Foi, da parte deles, um trabalho (especializado) de memória, resultado da preocupação – que também é nossa – com o «para que serve» e com o ligar pontas, pessoas, ideias, objectos e fortalecer as relações que aconteceram e vão acontecendo. Mesmo quando não é tão fácil como pode parecer.

Casa da Achada-Centro Mario Dionisio

 

André Spencer e F. Pedro Oliveira para Casa da Achada - Centro Mário Dionísio | 2009-2017