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Sete setes desvendei – 7 anos de abertura da Casa da Achada

23 de Setembro de 2016

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A associação Casa da Achada – Centro Mário Dionísio faz oito anos de existência. E a Casa da Achada  está de porta aberta a toda a gente há sete anos. Comemoramos estes sete no dia 1 de Outubro, para uma tarde de convívio e festa: Sete setes desvendei.

Nesse dia, inauguramos uma nova exposição  – «Mário Dionísio: Correspondências» -, e propomos uma conversa com associações e colectivos para discutir como sobreviver, participar e intervir na  sociedade actual, a pensar num mundo ao contrário.

Também haverá canções pelo coro da Achada e uma leitura colectiva com projecção de imagens. Um novo ciclo – a partir da Autobiografia de Mário Dionísio – começa agora. E ao mesmo tempo comemoramos os sete, sem vergonha. Haverá comes e bebes para não festejar de estômago vazio e podes trazer alguma coisa para ajudar à festa.

“Sete setes desvendei” é um verso de uma canção do Zeca Afonso. Achámos que servia bem para os sete anos de uma associação onde se faz, partilha, edita, expõe, debate, trabalha e questiona, de portas abertas. A pensar que é preciso desvendar muito mais. Venham mais sete!

Memórias de «Para que serve a memória»

23 de Setembro de 2016
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Entre 25 e 29 de Agosto, a Casa da Achada – Centro Mário Dionísio realizou uma iniciativa intitulada «Para que serve a memória», com a presença de amigos da Lega di Cultura di Piadena, uma associação cultural à beira dos 50 anos de existência. Foram dias intensos na Casa da Achada de exposições, debates, filmes e cantos, com muitos amigos presentes, daqueles que não se vêem todos os dias. Oportunidade rara para discutir «memória» e como ela se torna activa quando queremos transformar o mundo, para discutir o problema das «fronteiras» num clima de solidariedade internacional, para pensar o «trabalho» e as formas de combater e dar a volta à exploração.
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No primeiro dia foi inaugurada a tripla exposição de fotografias de Giuseppe Morandi (montada com ajuda do Peto e do Leo, dois amigos da Lega di Cultura que também vieram), fotomontagens de Nancy Goldring e de câmaras fotográficas do espólio de Vítor Ribeiro, o Maçariku, fundador da Casa da Achada que queríamos mais uma vez lembrar e homenagear, dois anos depois da sua morte. A partir da sua vida surgiram naturalmente os assuntos que queríamos levantar, temas fortes da sua acção e do seu pensamento: «memória», «fronteiras», «trabalho». Apareceu muita gente logo no primeiro dia, 25 de Agosto, para inaugurar estas exposições e ouvir Eduarda Dionísio, Paolo Barbaro e Nancy Goldring, que explicaram as ideias centrais destas exposições.
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A relação com a Lega di Cultura di Piadena esteve no centro – e a memória serviu, entre outras coisas, para lembrar com entusiasmo e emoção uma cumplicidade e uma amizade de 20 anos. Eduarda Dionísio elaborou uma cronologia bem detalhada desta amizade internacionalista com a Lega di Cultura di Piadena. Esta associação é sediada em casa de Gianfranco Azzali (o Micio, que também esteve presente, é claro!). Numa das paredes dessa casa está uma frase de Gianni Bosio: «Todos os homens devem tornar-se homens de cultura sem perder a sua qualidade de homens».
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Na sexta-feira, dia 26, projectou-se um filme recente de Giuseppe Morandi (os seus belos filmes antigos estiveram a ser transmitidos numa pequena televisão durante a exposição) que deu o mote para o primeiro dos debates, aberto por Pedro Prista, e que deu origem a uma animada discussão sobre a memória e os seus usos, os seus processos, as suas contradições. Muito participada, mas ficou a sensação de que se tinha de ir mais longe ainda, de que não havia tempo para um debate tão vasto. Nessa noite, depois de boas comidas acompanhadas pelo inevitável Grana Padana, o queijo italiano da região de onde vêm, houve cantoria: Bruno Fontanella cantou, acompanhado por Maurizio, Peto e Leo, canções populares e hinos da unidade de Itália do século XIX. Um concerto que foi gravado por Joaquim Pinto e alguns seus colaboradores, a pensar numa edição futura… Depois de Bruno Fontanella e do canto de outro amigo vindo de Piadena, o imigrante indiano Jagjit que também faz parte da Lega di Cultura, pudemos ouvir ainda Adufe e Alguidar, um grupo de jovens mulheres que cantam e tocam percussões várias (com o Adufe em destaque), reinventando a memória e criando coisas novas a partir de cantos de raiz tradicional. Uma bela noite que deu ainda para um animado convívio com partilhas de canções até às tantas, no jardim interior da Casa da Achada.
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No Sábado as hostilidades começaram com o debate sobre o trabalho, aberto por um grupo da Casa da Achada num diálogo sobre o trabalho construído a partir de um debate aqui realizado no início do ano sobre «Outro trabalho, outra vida». As provocações quase «teatrais» deram origem a um debate animado (mais uma vez muito vasto, e muita gente quis tomar a palavra). Conclusões? Às vezes no levantar de questões e nas escolhas dos problemas já se diz muito… Diminuir o horário de trabalho? Sim, mas não chega. Transformar o trabalho, superar as contradições insolúveis do capitalismo? Sim, mas é preciso também pensar e praticar outras formas de trabalho e vida em comum. E por aí fora, com divergências e convergências que levamos, mais ricos (mesmo se de bolsos vazios), para as lutas quotidianas que se seguem… Como diz a canção que se ouviu à noite: «…Scarpe rotte, Eppur bisogna andar…» («…sapatos rotos, e contudo é preciso caminhar»).
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Na noite de Sábado, mais um concerto, com canções populares italianas pelos mesmos Bruno, Peto, Leo e Maurizio. E depois o Coro da Achada, com a energia renovada, inspirados pelos fortes cantos (e que forma de cantar!) dos nossos amigos italianos.
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No Domingo, o último dos debates, «Abolir fronteiras, separar as águas», tentando levantar o problema que parece urgente de uma Europa fechada a cadeado e a arame farpado, com milhares de pessoas a fugirem de guerras e a depararem-se com fronteiras bem vigiadas, arriscando a vida pela paz, pelo pão. Peter Kammerer levantou problemas de fundo para pensarmos se podemos de facto «abolir fronteiras», ou se é apenas uma utopia… Bruno Fontanella supreendeu fazendo a sua intervenção cantada. Uma canção pode dizer muito, até num debate. E faz-nos pensar que a terra (e o mundo) podia mesmo ser de todos os que a trabalham
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Debate complexo e longo, onde se falou de outras fronteiras (na língua, na linguagem, nas ideias) que nos separam também. Mas foi a comer o queijo que nos esquecemos das diferenças. E a beber o vinho que cantámos a igualdade, a fraternidade e o grito revolucionário «A nossa pátria é o mundo inteiro» que nos faz ver mais longe, muito para lá das barreiras. À noite, o último concerto.
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Canções de resistência e de luta do século XX italiano. Mas também canções populares do Bruno, do pai do Peto e da mãe do Micio. Canções que resistem e que nos vêm à memória. Para mudar as coisas já. Depois, o grupo Frente Popular, que animou as hostes (e até nos pusemos a dançar) com novas versões de canções revolucionárias portuguesas e canções anti-colonialistas africanas.
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No dia seguinte, segunda-feira, houve ainda um extraordinário passeio no Tejo com alguns dos amigos da Lega di Cultura. Fomos até ao lado de lá, visitar amigos «de cá», de Alhos Vedros – a associação CACAV, onde se voltou a cantar e a comer com alegria. porque outros já tinham partido, deixando ideias e abraços e tanta força, mas também saudades. Ainda sobra daquele grande queijo de Itália, e já estamos em Setembro.
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Para que serve a memória? Anotar num caderninho, para não esquecer: «A nossa pátria é o mundo inteiro» e «Não se pode ser feliz sozinho». Promessa: nos 50 anos da Lega di Cultura di Piadena vamos lá nós. A amizade é como a liberdade: se não se praticar, esquece. E às vezes é mesmo preciso aquele abraço.

Para que serve a memória

4 de Agosto de 2016

para que serve a memória - pequeno

É o tema que nos vai ocupar na última semana de Agosto. Lembrando MK (Maçariku , Vitor Ribeiro – ver mais aqui)  que está ao centro da grande relação com a Lega di Cultura di Piadena, nascida há quase 50 anos, que alguns de nós conhecem quase há 20, que vai estar connosco uma vez mais na Casa da Achada – Centro Mário Dionísio, um grupo para quem a memória foi sempre, de uma forma ou de outra, um tema.

É um tema que nos preocupa também. Uns dirão «não serve para nada», outros «para tudo». Mas o que nos parece importante tratar é: que e quem lembrar? que e quem é esquecido? Como fazer das nossas cabeças «arquivos» sem cotas mas vivos? E para fazer o quê com eles? Por exemplo, será possível pegar em dramáticos e controversos problemas como o trabalho ou as fronteiras, como se fosse pela primeira vez?

A fotografia é entre muitas outras coisas mais, um trabalho de memória – durante ou depois.

GIUSEPPE MORANDI fotografa há 60 anos talvez. Começou pelos camponeses da sua terra, na planície do Pó, Itália, que já não há. Foi parar nos últimos tempos aos imigrantes de vários continentes que agora lá vivem e cumprem no mesmo lugar os poucos trabalhos que ainda restam. Irrita-se porque hoje as pessoas dizem gostar mais das suas fotografias do passado do que das do presente…

No dia 25 de Agosto, às 18h, inaugura, com visita guiada, uma exposição antológica deste fotógrafo, autodidacta, que expõe em Portugal desde 1996. É a sua segunda exposição na Casa da Achada. Título da primeira: «Deus no telhado e os novos anjos», com que festejámos o 25 de Abril de 2012.

Às dezenas de fotografias a preto e branco por ele escolhidas e por Paolo Barbaro (professor de História da Fotografia na Universidade de Parma e que tem acompanhado o trabalho de Giuseppe Morandi sobre o qual muito escreveu), acrescentam-se, por proposta deste (para ver claro, para pensar), 6 fotos a cores de Nancy Goldring (Urban Amnesia), conhecida fotógrafa americana, desconhecida em Portugal.

E vamos projectar os dois últimos documentários de Giuseppe: uma encomenda (o que é raro na sua obra), Il faló di Pescarolo, sobre o Carnaval que ainda se faz em Pescarolo (26 de Agosto, às 17h); um documentário sobre Peto (que estará connosco) – e o seu trabalho, o seu lazer, o canto (27 de Agosto, às 17h).

Com Giuseppe Morandi, e do seu inseparável cúmplice, Gianfranco Azzali (Micio), ambos fundadores da Lega di Cultura di Piadena, estarão cá outros fundadores da Lega (Peto, Bianca), colaboradores permanentes e amigos (Bruno Fontanella, Leo, Jagjit, Mario Agostinelli, Peter Kammerer, Graziella Galvani, e outros).

BRUNO FONTANELLA, pedreiro reformado, vive em Piadena, só fala dialecto e canta desde que nasceu: canções de trabalho e de festa, canções populares de luta (anarquistas, socialistas, comunistas). Muitas delas desaparecerão com ele. Por proposta de Peto, registaremos (em boa qualidade) o seu «cancioneiro» que não é igual a todos os outros. Serão 3 concertos, todos diferentes (26 de Agosto, às 22h, 27 e 28 de Agosto, às 18h30) em que Peto e Leo o acompanharão e também ouviremos outras vozes: de Jagjit (indiano, mungidor de vacas em Piadena, como foi Micio noutros tempos, muito fotografado por Morandi), do Coro da Achada, das Adufe & Alguidar e dos Frente Popular, cada um à sua maneira, na memória e na intervenção.

Mas, se calhar, só a falar é que a gente se entende. O que não é difícil com estes «parceiros».

Estão agendadas três conversas, com gente da Lega di Cultuta di Piadena ou trazida por ela, e gente de cá para quem a memória (mas que memória?) conta e se preocupa com o presente:

Para que serve a memória? Com respostas de quem a «arquiva» ou de quem vive dela ou com ela (26 de Agosto, às 18h): participam Claudia CavatortaNancy Goldring, Paolo Barbaro, Pedro Prista Monteiro e outros.

Outro trabalho, trabalho outra vida, continuação de um debate iniciado este ano em Piadena, partindo nós aqui de um texto fabricado na Casa da Achada e das ideias de Mario Agostinelli, ex-secretário geral da CGIL-Lombardia que abandonou, fundador do movimento Unaltralombardia, etc. Como é que a memória pode ou não pode entrar aqui? (27 de Agosto, às 15h): participam Mario Agostinelli, Micio, Peto e outros.

Abolir fronteiras, separar as águas, peça importante do actual ciclo de 3 meses da Casa da Achada, Fronteiras fora e dentro, a que Peter Kammerer, alemão que escolheu viver em Itália, depois de 1968, professor aposentado de sociologia da Universidade de Urbino, que muitas vezes esteve connosco, dará o pontapé de saída. Como é que a memória pode ou não pode entrar aqui? (28 de Agostom às 15h): participam Mario Agostinelli, Peter Kammerer e outros.

E, no dia 29, às 21h30, segunda-feira, será Peter Kammerer a apresentar o filme Una vita violenta (1962, 106′), de Paolo Heucsh e Brunello Rondi, com argumento de Pasolini, incluído no nosso ciclo de cinema ao ar livre sobre Fronteiras. Pasolini, muito lido, visto e estudado por ele e grande referência para a Lega di Cultura di Piadena

Serão distribuídos textos e folhas de sala e uma cronologia das relações com a Lega e estas pessoas que nasceram antes de a Casa da Achada existir (disponível aqui).

Estarão em exposição algumas máquinas fotográficas de colecção de Vítor Ribeiro (Maçariku), um espólio que a Claudia Cavaroria e o Paolo Barbaro se dispuseram a catalogar.

PARA QUE SERVE A MEMÓRIA é para nós uma oportunidade única: ver, ouvir, falar, debater com pessoas com experiências completamente diferentes das nossas e com quem durante 20 anos, nalguns casos, temos feito trocas raras. Terá sido uma forma simples de abolir fronteiras. O que foi muito alimentado e facilitado por MK que agora já não poderá participar. Esta será também uma maneira de manter viva a sua memória.

Mário Dionísio: os primeiros 100 anos

29 de Julho de 2016

Decorreu no passado sábado, dia 16 de Julho, uma série de actividades a que a Casa da Achada- Centro Mário Dionísio intitulou Os primeiros 100 anos, comemorando o centenário de Mário Dionísio no dia em que ele faria precisamente 100 anos. As actividades começaram cedo, a meio da manhã, com um “quebrajum” para não começarmos de estômago vazio. Seguiram-se as primeiras oficinas de t-shirts, jogos (“Gafanhoto Caracol”, um jogo de tabuleiro criado pela Casa e que também esteve à venda, mas também xadrez) e leituras. Leram-se poemas, excertos de entrevistas a Mário Dionísio, partes da sua Autobiografia e d’ A Paleta e o Mundo. Gente foi chegando ao longo do dia, ocupando as ruas da Casa da Achada e as sombras no jardim onde ficou situado o bar que não parou até ao fim da festa.

Às 16h o coro da Achada fez um espectáculo a que chamou Não se pode viver sem utopia, uma apresentação que cruzou canções com textos de Mário Dionísio e de outros, marcando o centenário do seu nascimento e convocando as nossas inquietações actuais (a guerra, os refugiados, o trabalho, a perda de direitos sociais, o controlo dos media, a glorificação do dinheiro), pensando sempre em formas possíveis de transformar a realidade e relançando uma ideia de Mário Dionísio, a de que não podemos viver sem utopias e é necessário imaginar outras formas de viver em comum.

Depois do espectáculo do coro, continuaram as oficinas de fazer pins e t-shirts, e constantes leituras feitas por muita gente – umas preparadas, outras de improviso, animando a rua com palavras e dizeres. Palavras escritas também em cartazes, sugeridos por poemas ou ideias de Mário Dionísio.

Às 18h houve o lançamento da nova edição da Poesia Completa de Mário Dionísio, um título que se justifica por incluir toda a poesia editada do autor, mas também por fazer referência à sua Poesia Incompleta, uma edição entretanto esgotada. Com a particularidade de incluir uma tradução de Le feu qui dort (escrito por Mário Dionísio em francês) para português por Regina Guimarães. João Rodrigues apresentou a edição e explicou como foi feita. Um representante da Imprensa Nacional -Casa da Moeda, Rui Carp, responsável pela edição, explicou a sua integração na lógica da instituição e o director da colecção de poesia, Jorge Reis-Sá, explicou a importância de disponibilizar obras tão importantes como a de Mário Dionísio. Jorge Silva Melo, autor do prefácio da edição, fez uma profunda intervenção sobre o sentido da poesia de Mário Dionísio (poesia escondida, poesia exilada, poesia do quotidiano, reflexão sobre o tempo e a sua passagem) e a sua relevância na literatura do século XX. Poesia Completa vendeu-se ao longo da tarde, a preço especial de lançamento. E muita gente comprou e levou para casa.

Mais tarde, pelas 19h, começou uma série de intervenções Mário Dionísio – por onde é que eu lhe pego, intervenções livres ao microfone, na rua da Achada, de muita gente dizendo como conheceu Mário Dionísio (o homem) ou a sua obra, e porque lhe importa ela, que ideias descobriu. A variedade de intervenções permitiu compreender a diversidade e a riqueza do pensamento, da vida e da obra de Mário Dionísio, capaz de tocar tanta gente e de formas tão diferentes. E até houve gravações enviadas por gente que não podia estar presente, mas queria deixar a sua mensagem à Casa da Achada.

Em transmissão (quase) contínua, esteve um programa da Rádio Paralelo que dedicou o dia inteiro a Mário Dionísio, marcando a ocasião, com entrevistas, poemas, canções. O programa passou também ao mesmo tempo na Rádio Manobras.

Para além das edições da Casa, muitos outros objectos estiveram à venda numa pequena feira, entre livros, roupas, pinturas e outros objectos raros.

Também se aproveitou para pedir apoios financeiros – afinal também é preciso dinheiro para continuar a actividade da Casa da Achada – para a reedição d’A Paleta e o Mundo, que é uma das prioridades actuais da associação.

Em exposição esteve um quadro restaurado recentemente com contribuições de amigos. A mostrar que vale a pena o trabalho (colectivo) de preservação da memória – neste caso da pintura de Mário Dionísio.

E as leituras de poesia não pararam – foi bonito ouvir tantas vozes diferentes a dar novos sentidos àquelas palavras.

No fim do dia, entre risos e aplausos, sorteou-se o tapete de trapilho (à tarde estiveram miúdos e graúdos a vender rifas para isto), uma bela obra feita a partir de um quadro de Mário Dionísio, cuja pintura continua a inspirar muitos fazeres diferentes ali na Casa da Achada.

Tudo isto com tempo para uma conversa, um jogo, uma cerveja, uma sangria, uma tarte ou uma bifana. Um dia pleno de sol, mas também de poesia, arte, palavra, pintura e gente amiga da Casa da Achada (ou que a conheceu pela primeira vez e ali se “amigou”).

Apetece pensar que Mário Dionísio teria gostado, aos cem, de ver esta gente junta, a conviver e empenhada em transformar a realidade, com ele.

 

André Spencer e F. Pedro Oliveira para Casa da Achada - Centro Mário Dionísio | 2009-2015