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Áreas Principais

Atenção: a sessão da nossa rubrica «Estes livros por alguma razão» prevista para dia 8 foi adiada para sábado 22 de Fevereiro de 2020. Sempre às 15h30.

7 de Fevereiro de 2020

CRUZAR MUNDOS, BUSCAR FUNDOS

19 de Dezembro de 2019

Todos os anos, na altura das festas natalícias, há um fim-de-semana «diferente» na Casa da Achada. Estes dias especiais servem para reunir os amigos e os desconhecidos à volta de temas para pensarmos em conjunto, conversar, cantar, conviver e angariar fundos para que a Casa da Achada – Centro Mário Dionísio possa prosseguir a sua actividade. Este ano chamámos a estes cinco dias «Cruzar mundos, buscar fundos» e não foi por acaso. O que para nós era e é urgente, neste final de Dezembro, é de facto pensar em como continuar a viver e funcionar para outros muitos anos, apesar das dificuldades e da precariedade da vida de cada um de nós e da nossa vida em colectivo.

Assim, enchemos a Casa de objectos que os amigos artistas que nos rodeiam fizeram especialmente para a ocasião: um calendário para 2020 com design de Cristina Reis, um poster especial feito por Bárbara Assis Pacheco, sacos com frases de Mário Dionísio desenhados por Diana Dionísio, José Smith Vargas, Marta Caldas, Nadine Rodrigues, Olga Pavlovska, Pedro Rodrigues, Pierre Pratt e Regina Guimarães, cadernos, crachás, frascos de doce feitos na Madeira e amêndoas da Beira Alta, brincos e penduricalhos feitos em madeira a partir de quadros de Mário Dionísio, etc…

Também enchemos a Casa de obras de arte, serigrafias, gravuras, de livros em segunda mão e, claro, das nossas próprias edições, com um destaque particular para a mais recente: Contos completos, que reúne todos os contos de Mário Dionísio, incluindo os que estavam esgotados há muito tempo, e que tem um interessante prefácio de Paula Morão.

Ainda sobraram algumas coisas que, nos próximos tempos, continuarão à venda na Casa da Achada. Venham ver!

Além disso, houve coisas a acontecer. Na quinta-feira, acolhemos uma sessão proposta pela Associação Atrevida: a apresentação do livro Novas vozes para um mundo novo, com textos de autores entre os 10 e os 14 anos dos quatro cantos do mundo. Foi uma sessão muito simpática e participada.

Na sexta-feira, Diana Dionísio propôs a audição de um programa sonoro de duas horas e meia, com textos e música, em torno do tema «O absurdo do Natal». Foi a nona sessão da rubrica «Ouvido de Tísico», em que a ideia é mesmo ficarmos a ouvir colectivamente alguma coisa. Não faltou o bolo rei e o vinho, para ajudar.

No fim-de-semana propriamente dito, organizámos conversas sobre várias questões relativas às nossas urgências. Era urgente falar de poesia e de pintura à sombra da exposição intitulada «(pintura sem assunto dirão os visitantes)», que põe em diálogo o poema «Pinto» de Mário Dionísio e alguns quadros da sua fase abstracta, e que pode ser vista na Casa da Achada até Abril de 2020. Na tarde de sábado, alguns escritores e pintores, como Augusto Meneghin, Filomena Marona Beja, Hélia Correia, João Paulo Esteves da Silva, Judite Canha Fernandes, Sofia Areal, Regina Guimarães ajudaram-nos a pensar na relação entre poesia e pintura e no acto de criar. O resultado foi um debate sobre a «verdade e a mentira» na arte e na vida, sobre a ficção e o acto de pintar, sobre a relação do artista com o mundo, com a caneta e com a tela. E, naturalmente, sobre a poesia e a pintura de Mário Dionísio, de onde tudo partiu.

No mesmo dia assistimos ainda à leitura de Diogo Dória do conto «A morte é para os outros», de Mário Dionísio, e ouvimos um concerto «itinerante» de Pedro e Diana que foi por vezes lírico e divertido e que também dialogava com a exposição, com a poesia. O Coro da Achada, como não podia deixar de ser, fechou a noite com um concerto muito participado e explosivo.

No domingo, tivemos ocasião de falar, com o economista José Maria Castro Caldas e o arquitecto desenhador Pitum Keil do Amaral, de outra coisa que tanto nos preocupa neste momento: o dinheiro. O resultado foi uma conversa entre o sério e o surreal sobre a origem, a existência e a inexistência do dinheiro, e também sobre como se pode ultrapassar a sua insuficiência com soluções imaginativas, como as que nos mostrou o Pitum, numa divertida projecção de postais de natal, feitos por ele e pela sua companheira Lira, ao longo de dezenas de anos.

Ao final da tarde voltámos à pintura e à poesia, vendo três belíssimas curtas-metragens do realizador holandês Johan Van Der Keuken: LucebertTempos e AdeusVoltámos a falar do processo de criar, de pintar, voltámos a lembrar-nos do poema «Pinto» de Mário Dionísio.

Para acabar o dia, sorteámos um cabaz cheio de alimentos para a cabeça, o coração e o estômago (a Autobiografia e os Contos completos de Mário Dionísio, um calendário 2020, o DVD Kantata de Algibeira, postais e cadernos da Casa da Achada, amêndoas, doces, uma abóbora, um presunto…), a que estavam habilitados todos os Amigos da Achada que tivessem as quotas pagas até Dezembro de 2020. Foi a nossa Amiga nº 485, Cecília Morgadinho, a feliz contemplada!

No último destes dias, segunda-feira, 16 de Dezembro, passou-se o que se costuma passar na Casa da Achada às segundas-feiras: leitura colectiva d’A paleta e o mundo ao fim da tarde e sessão de cinema à noite, com o filme Mergulho no passado de F. Perry e S. Pollack.

Obrigada a todos os que vieram fazer estes dias connosco e que deram a sua contribuição para que a Casa da Achada – Centro Mário Dionísio possa continuar a disponibilizar um Centro de Documentação e uma Biblioteca Pública, e a fazer exposições e sessões com conversas, leituras, filmes, oficinas, etc.

CRUZAR MUNDOS, BUSCAR FUNDOS

9 de Dezembro de 2019

De 12 a 16 de Dezembro na Casa da Achada – Centro Mário Dionísio

5 dias de actividades e prendas, com conversas, músicas, leituras, debates e filmes.

Nestes dias, as nossas edições mais recentes, novas edições que dão boas prendas de Natal, um livro de contos de Mário Dionísio, um calendário para 2020, um poster especial, outras edições mais antigas, livros usados, obras de arte em papel e pinturas, sacos pintados por várias mãos, saem das prateleiras e gavetas, de trás do balcão, e saltam para a entrada, lembrando a quem entra que a Casa da Achada precisa de apoio para viver e fazer o que faz.

Na quinta-feira 12 abrimos as portas e na sexta-feira 13 estamos à escuta do programa sonoro «O absurdo do Natal», em mais uma sessão da rubrica «Ouvido de Tísico».

No sábado 14 as artes cruzam-se numa conversa sobre criação artística, poesia e pintura, com pintores e poetas (Hélia Correia, Augusto Meneghin, João Paulo Esteves da Silva, Regina Guimarães, Saguenail, Sofia Areal e outros) a partir de «Pinto», um poema de Mário Dionísio do livro Memória dum pintor desconhecido que dá mote à exposição que até Abril se pode ver na Casa da Achada: (pintura sem assunto dirão os visitantes).

A meio da tarde, Diogo Dória lê um conto de Mário Dionísio, e depois há música e poesia com Pedro e Diana e o coro da Achada.

No domingo 15 enfrentamos, com sentido de humor (mas a sério!), os problemas de carcanhol dos tempos que correm numa conversa natalícia: afinal, «o que é o dinheiro?», perguntamos a gente que intervém na cultura e a economistas, enquanto tentamos angariar fundos para ajudar a Casa da Achada a manter-se aberta e viva por mais um ano. Sorteamos um cabaz de livros e diversas iguarias, a que estão habilitados todos os Amigos que tiverem paga a quota de 2020. Depois, tempo ainda para um belo filme do holandês Johan van der Keuken.

Na segunda 16 temos a programação habitual, com leitura d’A paleta e o mundo de Mário Dionísio ao fim da tarde e cinema à noite, com um filme do ciclo «Quem conta um conto…», e ainda dá para vir comprar uma daquelas prendinhas de última hora.

Para continuar a cruzar mundos, artes, pessoas, fazeres e ideias.

programa:

Sexta-feira, 13 de Dezembro, às 18h30

Ouvido de Tísico nº 9: O absurdo do Natal -um programa sonoro-musical adequado à época

Na Galileia está um menino deitado nas palhas da miséria, adoptado por um carpinteiro e aquecido por um burro e uma vaca, e é por isso que um velho bem alimentado com pinta de norte da Europa, vestido pela coca cola, vem por esta altura a Lisboa, que está cheia de neve e trenós puxados por renas, tentar esgueirar-se pelas casas que têm chaminé para deixar prendas de última geração a quem se portou bem. Ouvem-se, ao longe e ao perto, as missas e as moedas, os anjos e os pecados, os jingles e os bells. Tornamo-nos agora surdos e absurdos.

Nas sessões «Ouvido de Tísico» a proposta é escutar. Fácil? Difícil? Num mundo que nos quer entupir os ouvidos, nós queremos continuar a fazer cócegas ao caracol. Ouvir-se-ão textos de vários autores, saladas musicais, documentos desencantados do Centro de Documentação da Casa da Achada, discos do princípio ao fim, entrevistas, enfim, de tudo um pouco. Pode-se ouvir de pé ou sentado, sentado ou deitado. Pode ouvir-se de olhos fechados ou abertos, abertos ou semicerrados. Pode-se desenhar enquanto se ouve, ou escrever, ou não fazer mais do que… ouvir.

Com Diana Dionísio


Sábado, 14 de Dezembro às 15h30

Eu e a tela frente a frente nos medimos

Conversa com pintores e poetas a partir do poema «Pinto» de Mário Dionísio. Com João Paulo Esteves da Silva, Regina Guimarães, Saguenail, Augusto Meneghin, Sofia Areal e outros.


Às 17h30

A morte é para os outros

Leitura do conto de Mário Dionísio por Diogo Dória.


Às 18h30

Concerto de Pedro e Diana

com música e poesia

e canções do Coro da Achada

Domingo, 15 de Dezembro, às 15h30

O que é o dinheiro?

Conversa de Natal a brincar e a sério sobre problemas de carcanhol. 

Com Pitum Keil do Amaral, Luiz Rosas e outros.


Às 18h30

Lucebert, tempo e adeus

de J. Van Der Keuken. (52’)

Documentário holandês da autoria de Johan Van der Keuken acerca do poeta e pintor do grupo COBRA. Trata-se um tríptico, composto de três curtas metragens, rodadas em 1962, 1966 e 1994.

MARIA EMÍLIA DINIZ

5 de Novembro de 2019

No passado dia 1 de Novembro de 2019, faleceu, aos 85 anos, Maria Emília Diniz, fundadora da Casa da Achada – Centro Mário Dionísio. Licenciada em Ciências Histórico-Filosóficas pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, foi professora de História, em vários liceus de Lisboa, como o Pedro Nunes, Rainha Dona Leonor e Maria Amália Vaz de Carvalho. Foi também metodóloga e orientadora de estágios e autora de manuais escolares.

Foi colega e amiga de Mário Dionísio e de Maria Letícia e colaborou com eles em questões relacionadas com o ensino e a pedagogia. Entre Março de 1968 e Julho de 1969, Maria Emília Diniz e Maria Letícia mantiveram no jornal A capital a coluna «Consultório Escolar», em que respondiam a questões postas pelos leitores. Assinavam com o pseudónimo Dinis da Silva, uma vez que os professores do ensino oficial só podiam, nesta época, escrever nos jornais sobre ensino depois de superiormente autorizados. Imediatamente a seguir ao 25 de Abril, Maria Emília Diniz pertenceu, com Mário Dionísio e Maria Letícia, à Comissão de docentes encarregada de rever e actualizar os programas do Ensino Básico e Secundário e de elaborar os respectivos materiais de apoio.

Foi sócia fundadora da Casa da Achada – Centro Mário Dionísio e participou em várias sessões de vários tipos. Por exemplo, conversou connosco sobre a Comuna de Paris (na rubrica «histórias da História»), apresentou o filme A tomada do poder por Luís XIV, de Rossellini, participou em sessões sobre Mário Dionísio e a reforma do ensino em 1974 e também sobre Maria Letícia.

 

André Spencer e F. Pedro Oliveira para Casa da Achada - Centro Mário Dionísio | 2009-2020