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Áreas Principais

Oficina «Caixa de primeiros socorros» cancelada

17 de Setembro de 2018

O Grupo de Saúde Antiautoritária pede desculpa, a oficina de dia 23 está cancelada.

Até uma próxima!

Uma proposta de Luis Miguel Cintra

17 de Setembro de 2018

Em Maio formou-se, na Casa da Achada – Centro Mário Dionísio, um grupo de discussão em torno da Preparação do Actor, de Konstantin Stanislávski, a partir de uma proposta de Luis Miguel Cintra. A partir de Outubro os trabalhos abrir-se-ão a um conjunto de interessados na actividade, nomeadamente estudantes, actores em início de carreira, profissionais ou não-profissionais. Até 25 de Setembro estarão abertas as inscrições para três encontros nos quais serão encontrados os participantes.

Os encontros terão lugar na Casa da Achada nos dias 2 e 3 de Outubro a partir das 14h00 e no dia 4 de Outubro a partir das 21h00. No e-mail de inscrição, os interessados deverão indicar qual destes dias lhes é mais conveniente. Os trabalhos deverão depois decorrer em horário pós-laboral, em dias a combinar entre os participantes, Luis Miguel Cintra e a Casa da Achada – Centro Mário Dionísio.

Contacto para inscrições nos encontros: preparacaodoactor@gmail.com

Texto de Luis Miguel Cintra sobre a proposta:

Lisboa mudou. O país mudou. Ninguém tem bem a certeza se para bem, se para mal. Mas voltar para trás sempre foi um mau caminho. As escadinhas de S. Cristóvão, a dois passos da Casa da Achada, estão imundas, quando as comparamos com a triste realidade do filme de Oliveira, A Caixa. E, no entanto, não faltam turistas. O teatro que se vê em Lisboa mudou. Ninguém já nele reconhece o caminho para a utopia do Teatro Independente. Passou a ser normal o Estado não assumir a responsabilidade de espectáculos programados por independentes para bem das populações. E, nos teatros do Estado, pouco transparece daquilo que foi a energia que, depois das estruturas do antigo regime, garantiu a actividade teatral ao longo de tantos anos, depois do 25 de Abril. Mesmo em pequenos detalhes: já não é possível um espectáculo durar mais do que uma hora e meia, duas horas; já não é possível que o autor seja mais importante que as vedetas; já não é possível a igualdade de salários; já não é possível a construção de guarda-roupas, sobretudo de época; já não é possível a construção de cenografias, porque a ocupação do espaço livre é dinheiro que o teatro não merece. Algum mal-estar subsiste, porém, na aplicação desta amnésia. Foi o que me ocorreu quando, por exemplo, fui alertado pela tradutora Nina Guerra da iniciativa de se publicar uma nova tradução do livro de Konstantin Stanislávski directamente a partir do russo, por parte do Teatro Nacional, uma vez que parecia aparentemente contraditória com a sua agilidade de programação e capacidade de resposta a necessidades de aumento de produção, ou seja, rentabilidade do dinheiro público investido nos espectáculos.

Mas se algumas dúvidas restassem sobre as boas intenções da nova orientação, com o livro de Stanislávski, afirma o director do TNDMII querer trabalhar para suprir a falta de obras técnicas e de teoria teatrais e lutar «por uma ideia de serviço público de cultura que resiste à cegueira dos mercados» e dar um «contributo para tornar o teatro mais acessível a todas e todos». É difícil de entender nestas boas intenções a coerência com a mudança do estilo de produção, necessariamente mais apressada e de consumo simples, que tem contribuído para a anunciada, nova e compensadora corrente de público que satisfaz o mercado. Reconhecemos antes em iniciativas destas e nas regras de apoio à actividade em geral, um predomínio da eficácia de programação com critérios de mercado que faz um corte com a contribuição que o teatro dos chamados grupos independentes julgou dar à História do Teatro Português. A própria Preparação do Actor, tendente a criar um “sistema” de ensino para o actor, contido no livro de Stanislávski, dificilmente coincide com os esquemas de produção a que a actividade teatral se vê forçada. Onde Stanislávski interroga, as actuais regras de produção ditam leis de utilização do tempo e do espaço. O trabalho que Stanislávski propõe, passou a ser traduzido na versão tecnocrática do método de Michael Checkov, que da Rússia Soviética passou a Beverly Hills, na Califórnia e que transformou o trabalho de preparação do actor como verdadeira arte, numa receita de culinária de fácil, rápida e económica confecção. Não falando já nas extintas artes de construção de cenografia e guarda-roupas, facilmente substituíveis por imagens virtuais e projectores de alta potência.

Perante isto, e respondendo a um desafio feito por mim, alguns artistas de teatro de diferentes idades e práticas, pessoas ligadas à Casa da Achada – Centro Mário Dionísio e membros do público, resolveram promover um processo de discussão em torno da profissão de actor, entendida como arte, levando mais longe do que a simples discussão de financiamentos e direitos laborais a responsabilidade que pensamos caber aos artistas-actores na luta por uma dignidade artística do teatro que consideramos ameaçada. Depois da reflexão que a Casa da Achada tem promovido em torno de A Paleta e o Mundo, de Mário Dionísio, julgamos tratar-se de uma extensão das preocupações reveladas nessa obra. Sem rancor; é um aviso que alguma experiência nos permitirá.

Numa primeira fase, um grupo de que fazem parte Bruno Bravo, Diana Dionísio, Eduarda Dionísio, F. Pedro Oliveira, Guilherme Gomes, Levi Martins, Luis Miguel Cintra, Margarida Rodrigues, Nídia Roque, Pedro Rodrigues, Rui Coelho, Vasco Pimentel, tem-se reunido regularmente para conversar sobre o assunto. Numa segunda fase, chamaremos voluntários entre alunos de teatro e simples amadores, e faremos a experiência de, com eles, transformarmos algumas das cenas narradas por Stanislávski em aulas que ele fantasiou, em cenas de teatro. Convidámos o Diogo Dória (ele próprio professor de teatro) para o papel do professor inventado por Stanislávski, o que ajudará a destruir a distância entre profissional e não-profissional, aliás pouco interessante para o trabalho em si. Pensamos assim tornar prática e concreta a “filosofia” sobre o assunto. Convidaremos, quando o trabalho estiver adiantado, um board de profissionais de reconhecido valor público para connosco discutir as ideias lançadas e as soluções cénicas que nos terão surgido. E, finalmente, conforme o resultado a que chegarmos, porque ao contrário do que se pensa, a criação artística tem necessariamente de passar por muitos erros e experiências, convidaremos o público em geral para discutir os resultados. São todas as pessoas, mais até do que os profissionais de teatro, aquelas que a responsabilidade pública devia ter em mente, como aqueles que têm direito ao acesso às práticas artísticas. E está nas mãos dos actores assumir ou rejeitar as vias para o seu trabalho que, neste momento, lhes estão a ser oferecidas. Tudo isto por amor à vida.

Luis Miguel Cintra

Exposição DISSIMULAZIONI

5 de Agosto de 2018

 

Esta exposição não nos fala da arqueologia culta que já estamos habituados a apreciar por ser um resto silencioso do passado, mas antes da ruína que data de ontem como um tempo nosso. As paredes rasgadas dos prédios, os rebocos fragmentados evocam, aludem, dizem-nos que arqueologia é palavra de hoje, é a arqueologia do quotidiano sobre a qual desatentamente caminhamos e que as belas fotos de Paolo nos devolvem, dando-nos consciência disso.

Franco Guerzoni, 2018

 

Franco Guerzoni e Paolo Barbaro – o primeiro está entre os mais importantes artistas italianos da pesquisa conceptual, o segundo é conservador e historiador de fotografia – conhecem-se desde a segunda metade dos anos 70. 

Em 2012 Paolo Barbaro está em Lisboa, reencontra na cidade em mutação (a gentrificação, as ruínas, as superfícies que contam uma memória urbana) imagens como que vistas pelos olhos dos amigos Ghirri, Guerzoni, Bizzarri. Manda ao artista estas fotografias que parecem quadros dele, coisa que continua a fazer todas as vezes que viaja. Guerzoni e Bizzarri tornam-se afectuosos organizadores ou ensaístas. Desenvolve-se assim uma história de que esta exposição mostra alguns vislumbres provisórios.

 

Alguns de nós conheceram Paolo Barbaro ainda no outro milénio, em 1996, quando a associação Abril em Maio organizou duas exposições bem diferentes de Giuseppe Morandi: «Quem trabalha a terra na Baixa Padana» (na Galeria da Mitra), e «Vigésimo Primeiro Verão» (na ZDB, então para os lados do Cais do Sodré). Foram as duas primeiras exposições de Morandi em Lisboa. Paolo Barbaro já tinha escrito sobre a obra de Morandi, fotógrafo não profissional de origem camponesa. Veio participar em colóquios, em conversas e um texto seu está no catálogo. Chama-se «Histórias de um corpo».

Entre muitas outras coisas, diz: «Assim, uma vez acabada, para Morandi, a legibilidade existencial do campo, restam as pessoas, os seus espaços e as suas representações, finalmente os seus corpos a contar».

Alguns de nós encontraram-no (às vezes tocava guitarra), na festa anual da Lega di Cultura de Piadena, na casa do Micio e no seu pequeno bosque. Trabalhava na Universidade de Parma, precisamente no departamento de fotografia, que veio a instalar-se na Cartuxa de Parma (não é a do Stendhal…, mas fica no meio do campo), que também alguns de nós visitaram, maravilhados pelo trabalho de recolha, arquivo, pensamento que lá se constrói.

O Paolo tem vindo várias vezes a Lisboa, quase sempre com o Morandi e o Micio, a propósito de exposições de fotografia, que agora têm sido na Casa da Achada. A sua vinda em 2012 marcou (quase em silêncio, diga-se – «dissimulações»?) o arranque dum trabalho que foi continuando, sempre com Franco Guerzoni na cabeça, um interlocutor, e a partir de Lisboa.

Num breve encontro com Franco Guerzoni, há uns tempos já, no seu atelier de Modena, falámos desta exposição e foi difícil escolher qual seria a questão central que ela poria: «Trabalho (artístico)» (que seria tema de um ciclo que se fez na Casa da Achada-Centro Mário Dionísio)? «Ruínas»? Nos dois casos: «transformações», «mutações» se se quiser. Que incluem (via Paolo Barbaro) a de Lisboa. Estas duas questões talvez se juntem na exposição. E provavelmente de maneiras inesperadas.

É para nós impossível não referir isto a propósito («isto anda tudo ligado», de facto) – e não agradecer (se é que estas coisas se agradecem): o Paolo e a Claudia Cavatorta (que também faz a sua vida na Cartuxa de Parma), vieram semanas antes do ciclo «Para que serve a memória» para trabalhar, por proposta sua. Catalogaram umas centenas de máquinas fotográficas do Maçariku, fundador da Abril em Maio e da Casa da Achada, desaparecido dois anos antes. Passaram assim essas suas férias.

Foi, da parte deles, um trabalho (especializado) de memória, resultado da preocupação – que também é nossa – com o «para que serve» e com o ligar pontas, pessoas, ideias, objectos e fortalecer as relações que aconteceram e vão acontecendo. Mesmo quando não é tão fácil como pode parecer.

Casa da Achada-Centro Mario Dionisio

Ciclo Outra sociedade – À volta das ideias de Ivan Illich

27 de Junho de 2018

Vai começar em breve um ciclo para pensarmos a sociedade de hoje, partindo das ideias de Ivan Illich. Aqui deixamos o programa de Julho. O ciclo continua até Setembro. Como é uso na casa, todas as sessões são de entrada livre.

ciclo
Outra sociedade – à volta das ideias de Ivan Illich
JUL-AGO-SET 2018
na Casa da Achada

Vivemos, hoje, no quadro de um capitalismo global que alguns qualificam de «enlouquecido». Politicamente marcado pelas orientações ditas neoliberais, os seus modos de produção e de consumo têm vindo a engendrar o agravamento das modalidades de exploração do trabalho, bem como das desigualdades sociais. Para compreender e discutir criticamente a natureza e amplitude da crise civilizacional com que estamos confrontados vamos «revisitar» as ideias de Ivan Illich (1926-2002) e a sua crítica radical das sociedades industriais  da segunda metade do século XX. Partindo das temáticas que ficaram célebres pela desmontagem crítica de Ivan Illich, vamos abordar os temas da saúde, dos transportes, do ensino e das alternativas ao desenvolvimento.
Este ciclo é organizado pela Casa da Achada – Centro Mário Dionísio em colaboração com a APCEP – Associação Portuguesa para a Cultura e Educação Permanente.

EM JULHO:

conversa
A obsessão da saúde perfeita
Limites e efeitos perversos da medicalização das sociedades.
A mercadorização da saúde. Os doentes permanentes.
«Nos países desenvolvidos a obsessão da saúde perfeita transformou-se num factor patogénico predominante. O sistema médico, num mundo impregnado pelo ideal instrumental da ciência, cria constantemente novas necessidades de cuidados. Mas quanto maior é a oferta de saúde, mais as pessoas respondem que têm problemas, necessidades, doenças. Cada um exige que o progresso ponha fim aos sofrimentos do corpo, mantenha durante o maior tempo possível a frescura da juventude e prolongue a vida até ao infinito. Nem velhice, nem dor, nem morte.» Ivan Illich
Abrimos o ciclo «Outra sociedade – À volta das ideias de Ivan Illich» com uma conversa em torno da saúde na sociedade de hoje, partindo desta e de outras provocações de Illich. Uma conversa aberta com a participação de pessoas relacionadas de diversas formas com a questão da saúde.
Sábado, 7 de Julho, às 15h30

apresentação do livro
Para uma história das necessidades, de Ivan Illich
Jorge Leandro Rosa vem apresentar-nos o livro de Ivan Illich «Para uma história das necessidades», reeditado recentemente pela editora Sempre em Pé.
Sexta-feira, 13 de Julho, às 18h30

conversa
A bicicleta – utensílio convivial
«A bicicleta é um invento da mesma geração que criou o veículo a motor, mas as duas invenções são símbolos de avanços feitos em direcções opostas pelo homem moderno. A bicicleta permite a cada um controlar o emprego da sua própria energia; o veículo a motor, inevitavelmente, torna rivais entre si os utentes, por causa da energia, do espaço e do tempo. No Vietname, um exército hiperindustrializado não conseguiu derrotar um povo que se desloca à velocidade da bicicleta. Isto deveria fazer-nos meditar: talvez a segunda forma do emprego da técnica seja superior à primeira.» Ivan Illich
Sábado, 28 de Julho, às 15h30

oficinas
Bicicletas: Artes, arranjos e caminhos
Arranjar a bicicleta, com Jorge Semedo 1 e 8 de Julho
Fazer pequenas biciclARAMEtas, com Rui Marques 15 de Julho
Criar autocolantes com novos sinais de trânsito 22 de Julho
Dicas para dar ao pedal 29 de Julho
Domingos das 15h30 às 17h30

ciclo de cinema ao ar livre
Modos de habitar
Enquadrado no ciclo «Outra sociedade – à volta das ideias de Ivan Illich», que revisita as ideias de Ivan Illich (1926-2002) e a sua crítica radical das sociedades industriais da segunda metade do século XX, a Casa da Achada – Centro Mário Dionísio propõe para este Verão um ciclo de cinema ao ar livre sobre MODOS DE HABITAR.
Projectados entre dois prédios que em breve deixarão de ter vizinhos para dar lugar a mais alojamento local, os filmes escolhidos (ficções e documentários) são uma pequena amostra de diferentes modos de habitar. Da burguesia e da classe operária, dos bairros do centro e da periferia, das crianças e dos velhos, de ontem e de hoje. E, quem sabe, de amanhã.
Habitamos a cidade, habitamos o campo, mas também habitamos as ruas, os espaços devolutos, as casas e os cemitérios. E o que fazemos com esses espaços? E com o tempo que neles passamos?
O apartamento de Billy Wilder 2 de Julho
Nova Iorque fora de horas
de Martin Scorcese 9 de Julho
Quando o rio se enfurece
de Elia Kazan 16 de Julho
A caixa
de Manoel de Oliveira 23 de Julho
Arena
de João Salaviza 30 de Julho
Segundas-feiras, às 21h30

O ciclo continua em Agosto e Setembro.

 

André Spencer e F. Pedro Oliveira para Casa da Achada - Centro Mário Dionísio | 2009-2017